Pesquisa
Pesquisador da Embrapa é homenageado na 10ª Abertura Oficial da Colheita do Milho
Distinção se deve ao desenvolvimento e incentivo ao uso da técnica do sulco-camalhão
Paulo Lanzetta - José Maria Parfitt se dedica à Embrapa há 40 anos
O pesquisador da Embrapa Pelotas, José Maria Parfitt, recebeu homenagem durante a cerimônia da Abertura Oficial da Colheita do Milho, realizada na manhã de sexta-feira, em Jaguarão. O destaque se deve ao desenvolvimento e articulação junto ao setor produtivo do uso da tecnologia de irrigação por sulco-camalhão.
O evento ocorreu na Fazenda São Francisco, com a presença do governador Eduardo Leite (PSDB) e do secretário da Agricultura, Giovani Feltes. O Rio Grande do Sul é o sexto maior produtor de milho em grão do Brasil. A cerimônia destacou o potencial do cultivo em terras baixas com tecnologia de irrigação.
Leite reforçou o compromisso do Estado com o avanço das políticas de irrigação para garantir a proteção das lavouras e a reservação de água de forma sustentável. “Vamos trabalhar fortemente não apenas com recursos, mas também com o aprimoramento das normativas para a reservação de água, criando condições para o aumento da produtividade e proteção das lavouras para garantir boas safras no futuro”, disse.
José Maria Parfitt é pesquisador da Embrapa há 40 anos e é um dos principais responsáveis pela tecnologia sulco-camalhão, sendo grande motivador para transferir esta técnica ao setor produtivo. O trabalho de pesquisa envolveu estudos de suavização e declividade de solo, sobre a construção dos camalhões, instalação das lavouras e das estruturas para condução da água (politubos), sobre gestão da água, dentre outras práticas.
A tecnologia sulco-camalhão deu origem ao Projeto Sulco, que está centrado numa parceria público-privada, contando com o financiamento de empresas parceiras ao utilizarem a tecnologia do sistema sulco-camalhão. Este método de cultivo permite tanto irrigar quanto drenar o solo das terras baixas; ou seja, atua no sentido de amenizar problemas de seca, mas em épocas de excesso de chuvas evita que as culturas permaneçam encharcadas. Por essas características, a tecnologia amplia as possibilidades de sucesso da diversificação de culturas numa mesma propriedade.
O sistema de irrigação por sulco-camalhão tem sido utilizado em diversas regiões do Estado, especialmente por produtores de soja, milho, e também de arroz. O formato atual da técnica foi desenvolvido há quatro anos, sendo testada em diversas propriedades rurais, alcançando resultados surpreendentes de produção. A sua utilização tem mudado os patamares de produtividade.
Neste ano, as áreas demonstrativas do Projeto Sulco estão instaladas em lavouras de milho em Cachoeira do Sul, Dom Pedrito e em Jaguarão e há também três lavouras em soja nos municípios de Capão do Leão, Formigueiro e Santa Vitória do Palmar. O pesquisador também levou a tecnologia para ser conhecida no Uruguai.
Impactos da tecnologia
Na última safra de grãos, o Estado vivenciou um longo período de estiagem e obteve uma produtividade na soja de 41 sacas por hectare nas terras baixas, enquanto que em áreas com o sulco-camalhão a produtividade foi de 77 sacas por hectare. Já a produtividade do milho, saiu de 57 sacas por hectare, para 170 sacas por hectare. Os resultados dão uma diferença de 88% para a soja e quase 200% para o milho entre o sistema convencional e o sistema sulco-camalhão, além de ampliar a área de produção.
Há avaliações que demonstram desempenho técnico, econômico, ambiental e social altamente positivos, demonstrando que o sistema se mostrou totalmente viável para as condições de produção de soja e milho em rotação com a cultura do arroz.
Outro ponto forte da técnica é a associação com a geração de empregos na região. Leva-se em consideração que a cada 35 hectares cultivados se gera um novo emprego, entre a produção no campo e elos da cadeia produtiva, e que o sistema está implantado numa área de 45,6 mil hectares, se estima que foram gerados aproximadamente 1,3 mil novos empregos na safra 2021/22, o que é extremamente recompensador.
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