Extensão
Alunos dos cursos do Conservatório da UFPel mostram trabalho desenvolvido na entidade
Projeto Liceu Musical oferece aulas de canto e instrumentos em nível básico e avançado
Carlos Queiroz - Francisco Igansi, aluno de Felipe Bunilha, estreia no palco do auditório Milton de Lemos
Alunos dos cursos de música oferecidos à comunidade pelo Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas, em parceria com a Associação Amigos do Conservatório (Assamcon), mostram suas habilidades num recital que ocorre nesta quinta-feira (4), às 19h30min, no Salão Milton de Lemos. A proposta é apresentar à comunidade o que é desenvolvido nestas oficinas, que vão do básico ao avançado . A entrada é franca.
Os cursos do Conservatório se originaram na década de 50, depois que houve a federalização, explica o coordenador do projeto, professor e pianista Marcelo Cazarré. Atualmente eles abrangem o canto e diferentes instrumentos em nível básico e de aperfeiçoamento. A instituição ainda abriga os projetos de Extensão da UFPel, como os corais feminino, infantil e infanto-juvenil e o grupo de acordeons.
Cazarré explica que os cursos são oferecidos à toda comunidade, promovidos pela Associação Amigos do Conservatório (Assamcon), entidade que também contrata e paga os professores. As oficinas integram o projeto Liceu Musical, que oferece aulas de canto, cavaquinho, flauta transversal, violino, violão, guitarra, sax, cavaquinho e trompete, e o projeto Oficina de Piano, Teclado e Acordeom, no nível básico. Além da parte prática, que é oferecida em quatro semestres, o participante também tem aula de Teoria e Percepção Musical nos dois primeiros semestres.
Espaço para se aperfeiçoar
Os cursos de aperfeiçoamento têm dois módulos (Intermediário e Avançado) com duração de cinco anos. “Como a carga horária é mais baixa que uma graduação, por isso é mais longo, mas dá mais condições das pessoas fazerem o curso aos poucos”, fala o violonista e professor Ítalo Silva. Quem entra faz a teoria, dois anos, somados a dois anos de Harmonia, além de dois módulos de dois anos e meio do instrumento. Assim como a graduação, os alunos têm de preparar um recital no meio do curso e outro no fim.
Este recital de hoje vai unir alunos dos cursos básicos e aperfeiçoamento. “Serve para dar mais experiência de palco e mostrar para a comunidade o que eles desenvolvem nas aulas”, diz o professor Silva. Atualmente a Assamcon busca junto à UFPel construir um certificado para esses alunos que concluírem o aperfeiçoamento. Os cursos são pagos, porém 15% dos estudantes recebem bolsa integral. “É bem concorrido, atualmente temos quase 140 alunos. Só do piano temos 40 estudantes”, comenta Cazarré.
Para se inscrever em um dos cursos oferecidos basta ter idade acima de nove anos. Somente para o aperfeiçoamento musical é necessário passar por uma seleção, que avalia conhecimentos práticos e teóricos. “Por serem cursos específicos, montados para quem já tem conhecimento em música”, diz o violonista. Essa etapa da qualificação abrange o canto, o violão e o piano. Segundo a representante da Assamcon, Eliane Brum, se houver cinco alunos em outro instrumento é possível abrir uma turma de nível avançado.
O aperfeiçoamento, modalidade que passou a ser oferecida a partir de 2019, é destinado para aqueles alunos que não querem ou não podem cursar a graduação, mas desejam qualificar ainda mais a execução em algum instrumento. “São pessoas que já tem conhecimento e gostariam de aperfeiçoar ou até mesmo seguir uma carreira acadêmica, mas não têm tempo de fazer uma graduação ou idade. A gente acabou oferecendo esse curso para suprir essa demanda da comunidade”, fala Silva. Todas as aulas se desenvolvem no próprio Conservatório e as inscrições ocorrem no início de cada semestre.
Encontro com a vocação
O estudante Francisco da Silva Igansi, 15, está há pouco mais de um ano e meio no curso de aperfeiçoamento em piano. O jovem começou os estudos com música ainda criança, experiência que o qualificou a prestar as provas para o nível mais avançado. O professor de piano Felipe Baunilha explica que há alguns anos, quando não existia essa modalidade, Igansi, mesmo já tendo conhecimento prévio, teria de passar pelo período inicial. “Assim a gente consegue, se temos alunos que já tocam, inseri-los sem que tenham que passar por toda a parte introdutória novamente”, fala o professor que ministra aulas há seis anos nos cursos livres da entidade.
Igansi começou os estudos musicais com a pianista Délia Louzada. “Piano é a minha vida, eu quero fazer música, bacharelado em piano”, conta. O pianista frequenta o Conservatório uma vez por semana, quando tem aulas com Bunilha e com Silva, além de se manter na escola de Délia. Em casa, ele dedica cerca de quatro horas diárias à performance.
“Aqui eu convivo com músicos, estou aqui entre vários instrumentos e o Conservatório é lindo. Sigo nas aulas com a Délia, porque eu gosto muito dela e também para ter uma segunda referência. Eu trago o que ele (Bunilha) me traz, o que a Délia me traz. Não é o que é certo ou errado, é outra forma de ver a mesma coisa”, avalia o aluno. Para Bunilha é bom para o aluno ter diferentes perspectivas, porque a música é muito subjetiva, então quanto mais ideias chegam para Igansi, mais elementos ele terá para construir a própria interpretação.
Este é o primeiro recital de Francisco Igansi no Conservatório. Valsa do Adeus, opus 69, de Chopin. “É uma peça conhecida, de nível intermediário, mas que puxa muito da interpretação”, ressalta o professor. Ansioso com a estreia neste centenário espaço da música em Pelotas, o aluno confessa que está nervoso. “Vai ter muitos familiares e amigos, fazer feio não tem como, porque é Chopin, mas vou tentar tocar bem para ver que eu consigo. Se eu consigo tocar ao vivo, é porque a peça está bem”, diz.
Serviço
O quê: Recital de Alunos dos Cursos de Música do Conservatório de Música
Quando: nesta quinta-feira (4), às 19h30min
Onde: Salão Milton de Lemos, no Conservatório, rua Félix da Cunha, 651
Entrada franca
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