Música

Após 42 anos da primeira gravação, Estrela, Estrela vira tema de novela

Canção do álbum de estreia de Vitor Ramil é tema de personagem central da nova trama da faixa das 18h, da TV Globo

Marcelo Soares - Especial DP - Vitor Ramil fez a composição quando tinha 18 anos, na praia do Laranjal

Estrela, Estrela, canção do início dos anos 80, de Vitor Ramil, está na trilha da novela, da faixa das 18h, da TV Globo, com estreia marcada para o dia 20 de março. A composição criada quando Ramil tinha 18 anos foi gravada pela primeira vez para o álbum homônimo e de estreia do pelotense, lançado em 1981. Em Amor perfeito, dos autores Duca Rachid e Júlio Fischer, a música será tema do personagem central, o pequeno Marcelino, vivido por Levi Asaf.

A composição de 42 anos é um dos sucessos da carreira de Ramil e costuma bater ponto no repertório dos shows do artista. O professor, pesquisador e doutor em Filosofia Luís Rubira, do Departamento de Filosofia da UFPel, também autor do livro Vitor Ramil: Nascer leva tempo, comenta que das nove canções deste primeiro álbum, Estrela, Estrela foi a que cativou um amplo público e que tornou seu compositor conhecido no cenário da música brasileira. "Com esta canção Vitor Ramil mostrava, ainda bem jovem, o quanto sabia fazer, e fazer bem, uma bela canção."

A canção foi gravada por Gal Costa (1945-2022) no álbum Fantasia, ainda em 1981. Entre outros intérpretes que também a registraram, estão Maria Rita (em seu primeiro álbum, de 2003) e Milton Nascimento, no disco E a gente sonhando, de 2010, além dos irmãos Kleiton e Kledir. Chico César também costuma apresentá-la em shows, lembra Rubira. "Trata-se de uma música, a meu ver, com um profundo sentido existencial, que convida o ouvinte a aceitar a sua condição no universo, deixando-se 'ser o que se é'", fala o pesquisador e escritor.

Três registros diferentes

"Achei muito legal, adorei", disse o músico, que aos poucos ficou sabendo como a sua composição ajudaria a compor a trama. "Além de ser uma história bonita, a composição parece super adequada à trama."

Para o teaser deste novo produto da TV Globo, que está sendo veiculado desde o início da semana, a versão escolhida foi uma gravação feita por Ramil para o disco Tambong, de 2000, com a participação do pianista argentino Pedro Aznar. Mas o músico também tem registro no disco Foi no mês que vem (2013), acompanhado pelo violonista argentino Carlos Moscardini.

Ramil lembra que compôs Estrela, Estrela em janeiro, na casa da família no Laranjal, e a gravou em março. "Na primeira versão tem um longo instrumental no meio da canção, fiz quase uma peça erudita." Para Tambong ele preparou uma versão para violão e piano, de forma a simplificar a melodia. "No disco Foi no mês que vem eu regravei uma série de canções com colaboradores, aí que fiz a versão com o Carlos Moscardini."

Ao contrário do que alguém possa imaginar, a composição não foi inspirada por Ana Ruth, mulher do compositor e sua namorada na época. Segundo Ramil, a canção saiu praticamente inteira (música e letra) de um sopro só. Ele estima que deve ter levado uns 15 minutos.

Impressionado com a rapidez, mostrou para as irmãs, que estavam na casa e perguntou se elas não conheciam a música. E se fosse uma remota lembrança surgida naquele momento. "Ela tem alguma coisa de registro desde sempre, uma estrutura simples, tocante, praticamente sempre a mesma melodia. Mas no final era minha mesmo", fala.

"Corro por outra raia"

O músico confessa que não sabe quem escolheu esta composição, mas vê na letra uma temática abrangente, que toca em questões existenciais importantes, um casamento interessante com a história do menino que busca pelo paradeiro da mãe, a personagem Marê, vivida na telinha pela atriz Camila Queiroz.

Sobre possíveis repercussões desta novidade em sua carreira, Ramil fica feliz, mas não se impressiona. "Isso diz respeito a um mundo (da grande mídia) que não é o meu. Então não tenho a menor ideia de como uma canção dessas pode repercutir. Eu corro por outra raia. Não tenho nenhuma ansiedade de fama ou de ser e não acho que uma canção em uma novela vai ter essa dimensão", comenta.

Mesmo assim, o músico percebeu, nestes poucos dias, uma grande repercussão. "Eu mais ou menos entendo como funciona o mundo da música, do entretenimento. As pessoas batalham muito para ter uma música em uma novela. Isso já está muito legal para mim, acho ótimo chegar a outras pessoas. Quem sabe, a partir dessa descubram outras canções minhas e eu possa chegar a mais gente. Seria muito bom. Mas da minha parte o que me move sempre são as questões artísticas, nunca as de mercado."





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