Auxílio
Ato em defesa do Clube Fica Ahí dá início ao mês da Consciência Negra
Caminhada ocorrerá neste sábado (4), com concentração às 10h, no Largo Edmar Fetter junto ao Mercado Central
InfoDP - Entidade, um dos primeiros clubes sociais da comunidade negra de Pelotas no início do século 20, foi tombado como patrimônio cultural do Estado e do município, em 2012 e 2013, respectivamente
Com uma dívida de R$300 mil, a direção do Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo busca na mobilização comunitária ajuda para sanar o débito e salvar a sede da centenária entidade. Uma das ações ocorre neste sábado (4) pela manhã, quando haverá uma caminhada, que marca a abertura do mês da Consciência Negra em Pelotas. A concentração será às 10h no largo Edmar Fetter, em frente ao Mercado Central, com previsão de saída às 11h. O ato deve reunir diferentes setores da cultura (a exemplo da dança, música, capoeira, das artes plásticas e do Carnaval), do Movimento Negro e lideranças de Pelotas.
A caminhada em defesa do Fica Ahí sairá pela rua Andrade Neves, seguindo até a General Telles. A seguir os manifestantes prosseguirão a Marechal Deodoro até a frente do Clube, onde ocorrerá um ato cultural com apresentação de dança, além de falas de apoio ao evento. Atualmente, também está em prosseguimento uma campanha de financiamento coletivo no site Vakinha. Somente em caso de chuva muito forte a manifestação poderá ser adiada.
"Esperamos que a caminhada dê uma outra dimensão, no sentido da gente engajar muito mais pessoas, mais lideranças nesse processo de retomar o Clube e manter o Fica Ahí como o clube negro mais importante da cidade. A campanha está nas redes sociais e o objetivo da caminhada é levar ela para as ruas, engajar as pessoas", diz o ativista do Movimento Negro, Luís Carlos Mattozo, organizador do Museu do Percurso Negro em Pelotas.
A presidente da entidade, Tereza Gomes Costa, espera que o ato motive a comunidade a contribuir com a campanha de arrecadação. "Muitas pessoas não estão sabendo da situação do Clube, que estamos precisando de apoio. Com a nossa caminhada, eu acredito que as coisas andem um pouco mais rápido", diz.
Prédio pode ser leiloado
De acordo com a atual direção, a dívida foi contraída a partir de negociações irregulares feitas pela gestão anterior e que estavam em aberto desde antes da pandemia, período em que o Clube ficou fechado e sem renda. Porém, o credor foi à Justiça e obteve o ganho da causa e como não há esse valor em caixa, o prédio da entidade corre o risco de ser leiloado.
Segundo Mattozo não há muito o que ser feito, aconselhada juridicamente, a buscar um acordo e tentar negociar o débito com parcelamento. "A questão jurídica é muito delicada porque o Clube foi condenado à revelia, sem defesa. Essa ação transitou em julgado e do ponto de vista jurídico há pouco coisa a se fazer, a não ser um acordo", comenta.
Tereza Gomes diz que o interesse é de pagar a dívida, porém no momento o Clube não tem condições e precisa de ajuda. "Não podemos perder a nossa sede , ali é o centro da cultura afro, se a gente perder o nosso espaço, como fica a cultura afro? Aquela sede é um pedacinho de cada um de nós, os nossos antepassados colocaram tijolo por tijolo, com todo o carinho, para que futuramente ali se estabelecesse este patrimônio que hoje nós temos", diz.
Dessa forma a caminhada é um chamamento à comunidade, para que unida possa auxiliar na solução do problema. Além desse ato, ocorrerão eventos, um no dia 18 deste mês na Sociedade Libanesa e outro no dia 25, no Fica Ahí, que visam arrecadar fundos para contribuir com o pagamento, além da Vakinha solidária que corre na web.
Últimos remanescentes
O Clube foi fundado em 27 de fevereiro de 1921, inicialmente como cordão carnavalesco e atualmente é designado como Centro de Cultura Afro Brasileira Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo. Atualmente, esta entidade e o Chove Não Molha permanecem como os últimos remanescentes de uma grande rede de cooperação negra que funcionou em Pelotas, a exemplo dos jornais Alvorada, A Voz do Escravo e A Pena, de irmandades religiosas e clubes abolicionistas.
Mattozo lembra que o município teve três Clubes Negros em funcionamento no mesmo período: Chove Não Molha, Depois da Chuva e Fica Aí Pra Ir Dizendo. "Considerado como um quilombo urbano negro o Clube é referência para muitos músicos e ativistas do Movimento Negro. A caminhada tem por objetivo mobilizar a comunidade para o momento difícil porque passa o Clube."
Por sua contribuição histórica na luta pela valorização da cultura afro-brasileira, bem como na luta antirracista, o clube foi tombado como Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul, em 2012. Em setembro de 2013, Pelotas, por meio da Lei nº 6.040, declarou o Fica Ahí como Patrimônio Cultural do Município.
Serviço
O quê: caminhada em defesa do Fica Ahí
Quando: sábado (4), com concentração às 10h
Onde: Largo Edmar Fetter, junto ao Mercado Central
Como ajudar:
https://www.vakinha.com.br/4112779
Você pode ajudar via Pix usando a chave:
4112779@vakinha.com.br
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