Mostra

Bienal de arte contemporânea em Helsinki tem a presença de pelotense

Duas obras do artista plástico Mário Schuster integram mostra de arte latino-americana na Finlândia

Divulgação DP - Schuster levou para a mostra obras com temática atuais e contundentes, como solidão, violência

Duas obras do artista plástico Mário Schuster integram a 6ª edição da Bela - Bienal Europeia e Latino-americana de Arte Contemporânea, na Cable Factory, em Helsinki na Finlândia. Na coletiva o pelotense apresenta telas em tinta acrílica intituladas: Ausência de corpo (2015) e 82 tiros de impunidade (2021). A exposição permanece aberta até o dia 30 deste mês.

Schuster foi convidado pelo promotor cultural Edson Cardoso, da Ava Galleria, com sede na Finlândia e filial no Rio de Janeiro. Este ano a Bela Bienal aborda o tema Arte, vida e sustentabilidade. O objetivo do evento é criar intercâmbio entre as culturas europeia e latino-americana de arte.

Na mostra o pelotense está representado por obras com temática atuais e contundentes, como solidão, violência, desigualdade social e racismo. Em uma delas, 82 tiros de impunidade, o artista aborda a violência e o racismo estrutural ao relembrar a trágica história do músico Evaldo dos Santos Rosa, 51, morto após o carro em que trafegava com a família ser alvejado por disparos, durante uma ação do Exército, na Vila Militar, Zona Oeste do Rio de Janeiro, em 2019. "Era um músico negro num carro, com a família, mas já acham que é bandido. Na época isso me incomodou tanto que eu pensei que tinha que fazer alguma coisa. Então pintei 82, como se fosse num carro mesmo", relembra.

A tela foi escolhida pelo próprio Edson Cardoso, enquanto conversava com Schuster por chamada de vídeo. "Ele estava aqui na Finlândia e eu no meu ateliê no Laranjal. Aí ele começou a olhar e escolheu o que ele achava que ficava melhor levar ", relembra.

A solidão é tema da outra obra: Ausência de corpo. Esta, de grandes dimensões (1,70 metro X 2 metros), leva ao público os questionamentos do artista sobre o isolamento como uma realidade da vida cotidiana contemporânea e a ausência de contato em uma sociedade conectada pelas redes sociais.

Na tela o afastamento social é representado pelas cores frias de uma cama vazia, onde os lençóis desarrumados remetem a ideia de ausência. "Cada vez mais as pessoas estão sozinhas", fala.

Começo com Nesmaro

Mário Schuster começou nas aulas ainda na pré-adolescência ao frequentar as aulas de desenho e pintura do artista Nestor Marques Rodrigues, conhecido como Nesmaro. Mas a primeira graduação foi em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Pelotas, a mesma instituição a qual fez o Bacharelado em Artes Visuais, graduando-se em Pintura (2004-2007).

Atualmente, Schuster trabalha em seu estúdio Laguna Atelier & Espaço de Arte, na praia do Laranjal, onde promove exposições, debates sobre arte e residências artísticas. Consciente do mundo ao seu redor, busca referência para seu trabalho tanto em situações cotidianas, na natureza, quanto com imagens de músicas e videoclipes. Mesmo situações imaginárias revelam alguns sentimentos humanos nesses tempos líquidos.

Expôs em Pelotas, Rio Grande, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Lisboa, Amsterdam, Barcelona, Leiden e Zurich. Em 219 fez residência artística de um mês em ArtHouse Holland, na cidade de Leiderdorp, na Holanda.

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