Patrimônio

Casa de Garibaldi volta à comunidade de Piratini como centro cultural

Imóvel histórico, que passou por processo de restauro nos últimos oito anos, será entregue nesta terça-feira (19)

Foto: Jô Folha - DP - Restauro da casa onde morou Giuseppe Garibaldi levou cinco anos para ser finalizado

Em uma cerimônia que ocorre nesta terça-feira (19) às 15h, será entregue à prefeitura de Piratini a conclusão do restauro da Casa de Garibaldi. O imóvel do século 19, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 1941, que esteve em obras por oito anos retorna à comunidade como uma Casa de Cultura que, em princípio vai abrigar três iniciativas culturais do município: a Escola de Música, a Fábrica de Gaiteiros e o Grupo de Artes Encenação. O projeto de restauração é uma realização da Ato Produção Cultural e do Ministério da Cultura, com patrocínio da Corsan através da Lei Rouanet.

A proposta de restauro foi oportunizada em 2005, quando uma empresa que estava se instalando em Piratini se disponibilizou a apoiar a obra de um imóvel histórico do município. A arquiteta Helenice Macedo do Couto, responsável pelo projeto de restauro e envolvida com a proposta desde o início, explica que a Casa de Garibaldi já era de uso público. Na época o imóvel, propriedade do Governo do Estado e cedido para o município, abrigava duas secretarias municipais e a Junta Militar.

"A Casa de Garibaldi estava muito judiada, sem manutenção, então escolhemos essa casa", relembra. O projeto foi desenvolvido ainda em 2005 e na sequência foi aprovado pelo Iphan e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual (Iphae). O imóvel exibe traços da arquitetura luso-brasileira e é o ponto número 24 da Linha Farroupilha. "Ela tem o estilo colonial portuguesa, com as madeiras de estrutura do alicerce e pé direito baixo, casa com beira", fala.

Depois de aprovado, o projeto foi inscrito na Lei Rouanet, federal de incentivo à cultura, porém a primeira empresa que estimulou o projeto desistiu do patrocínio. "Nós ficamos com projeto pronto, mas sem patrocinador". Em 2017 houve um novo aceno de um possível patrocinador. "Inscrevemos um novo projeto no Iphan, atualizamos, porque com o passar dos anos as patologias mudam, então o que nós tínhamos na época como necessidades, agravaram-se", explica.

A primeira fase foi iniciada em 2018, com patrocínio da Corsan, via Lei Rouanet e parceria técnica do Iphan. Na época a obra envolveu a remoção das madeiras do forro e do telhado. "Fizemos o que era o mais urgente, que era evitar que a água seguisse entrando pelo telhado. Junto com isso, toda a tubulação de partes elétricas e reforço na estrutura, porque como as madeiras estavam expostas à umidade, apodreceram. Agora temos uma estrutura em que algumas vigas são metálicas para reforçar a sustentação", explica a arquiteta. A obra está sendo executada pela Nexo Engenharia e a Data Construtora sob responsabilidade dos engenheiros Civis Michel Guimarães, José Dinarte Ibeiro e da arquiteta Bibiana Knapp Wustrow.

Durante a pandemia, a Corsan assinou o patrocínio da segunda etapa da obra, quando foram feitas a fachada e esquadrias externas. Durante a obra ainda foram feitas a restauração de áreas deterioradas, como o sistema hidráulico. As paredes que estavam com trincas e com rachaduras foram consolidadas, o assoalho, todo comprometido e com alguns buracos, foi trocado, entre outros detalhes.

De acordo com Helenice foram retomados todos os elementos originais do prédio, conforme foi possível, como a largura e o posicionamento das tábuas do forro, bem como as aberturas, das quais foram mantidos os mesmos detalhes das cremalheiras e retomada da cor original (um tom de telha). A arquiteta não tem certeza somente da largura das tábuas do piso. "O piso já era fino, a gente não sabe se era uma tábua larga ou não, mantivemos o que assumimos como a última intervenção", ressalta.

E onde não havia mais, como uma janela que foi perdida, foi colocada uma cortina de vidro. A obra ainda previu climatização e projeto de cabeamento. Como a casa é elevada, na entrada dos fundos o piso foi trabalhado para facilitar o acesso e na fachada foi colocada uma plataforma de acessibilidade. No pátio do imóvel foram construídos ainda três banheiros (feminino, masculino e para pessoa com deficiência - PcD). A casa de pouco mais de 200 metros quadrados tem 11 peças.

"É com imenso prazer que restituímos à cidade um patrimônio de grande valor, confiantes de que servirá à comunidade por muitos anos como um vibrante centro cultural. A visão de transformá-lo em um espaço diversificado, acolhendo uma variedade de expressões artísticas, faz com que todas as adversidades enfrentadas durante o processo sejam vistas como desafios superados. Cada obstáculo vencido reforça a certeza de que todo o esforço investido valeu a pena", comenta Roberta Manaa, produtora cultural e proponente do projeto.

A vereadora Cleusa Maria Antunes Manetti (MDB) é a autora do projeto de Lei da Casa de Cultura Garibaldi, promulgado em junho do ano passado, pelo prefeito Marcio Manetti (MDB). A Casa de Cultura Garibaldi será vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Cleusa Manetti conta que este era um sonho antigo, que agora foi realizado. "Isso foi uma luta. Agora vamos seguir batalhando pelo nosso teatro, mas eu estou realizada", diz. O próximo passo é equipar com mobiliário o imóvel.

Iniciativas culturais

Nesta terça-feira (19), na cerimônia de entrega, o Grupo de Artes Encenação vai apresentar um momento relacionado à Casa. A atriz e ativista cultural Mírian Gomes, explica que o projeto existe há uns 30 anos, mas está sob os cuidados do Encenação que faz o city tour temático, um passeio guiado pelo centro Histórico e encenações em casarões antigos.

Outro grupo que deve ocupar a Casa de Cultura é a Fábrica de Gaiteiros, uma unidade da iniciativa do gaiteiro Renato Borghetti, com sede em Barra do Ribeiro. O professor e músico Daniel Duarte da Silveira conta que o projeto tem 18 alunos com idades que vão dos sete aos 15 anos. As aulas são individuais e o instrumento ensinado é o acordeom diatônico ou gaita de oito baixos.

A Escola de Música, criada em 2015 por iniciativa do médico Fernando Farias, é outra iniciativa que deve ocupar o novo espaço. Atualmente a Escola promove cursos continuados de violão, teclado, gaita e flauta doce para cerca de 100 alunos carentes em três unidades, duas periféricas e uma central. Os professores Daniel Duarte da Silveira, Luís Alberto Weirich e Sabrina Waltzer são os titulares dos cursos.

A iniciativa proporciona está sob a guarda da prefeitura. O professor Luís Weirich salienta que as atividades envolvem as famílias e a música impacta positivamente em diferentes aspectos sociais e cognitivos dos alunos. "Acaba contribuindo para o crescimento da criança e é importante para a autoestima para os adolescentes", diz.


História do Estado

A Casa, construída por volta de 1800 e de propriedade do fazendeiro e político mineiro Domingos José de Almeida, entrou para a história do Estado por ter servido, durante a Revolução Farroupilha, serviu de morada para o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi e do jornalista também italiano Luigi Rossetti, redator do jornal O Povo, o órgão oficial da República Rio-grandense, feito entre os anos de 1837 e 1838, naquele imóvel.

A Casa de Garibaldi é parte da Linha Farroupilha, um percurso de 880 metros que abrange edificações , áreas urbanas e monumentos ligados à memória da região. Com sinalizações marcando 25 pontos de bens culturais protegidos, os visitantes têm a oportunidade de conhecer o passado no município e percorrer o Centro Histórico de Piratini.

Serviço
O quê: evento de entrega da restauração da Casa de Garibaldi
Quando: terça-feira (19), às 15h
Onde: rua Bento Gonçalves, 182, Piratini


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