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Com atuação reconhecida no Estado, o curso de Conservação e Restauração da UFPel completa 15 anos

Graduação ganha celebração especial na próxima semana em meio à 6ª Semana Acadêmica, que se inicia na segunda-feira

Foto: Carlos Queiroz - DP - Grupo de alunas desenvolve o projeto de Extensão que visa o restauro das pinturas da Via Sacra, telas que pertencem à Catedral Metropolitana de Pelotas

Nesta segunda-feira se inicia a 6ª Semana Acadêmica do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O evento marca os 15 anos da criação do bacharelado, celebrado neste mês. A programação comemorativa se encerra na sexta-feira com a participação do Clube do Choro, projeto musical da Universidade. Mais informações sobre a Semana Acadêmica estão disponíveis em wp.ufpel.edu.br/semanaconservacaorestauracao/.

O surgimento desta graduação na Universidade se deu a partir de um projeto na UFPel com o objetivo de consolidar uma área de memória e patrimônio cultural em função das características da cidade. Essa proposta foi iniciada com a criação da especialização em Memória, Identidade e Cultura Material, na sequência surgiram o mestrado e doutorado em Memória Social e Patrimônio Cultural e o curso de Museologia. Na época, o corpo docente responsável por estes projetos percebeu a necessidade de uma formação voltada para o restauro, que teria uma característica mais prática e interventiva, algo que as outras formações não atingiam.

“O grupo se deu conta que tinha essa demanda”, relembra o professor Roberto Heiden, um dos primeiros docentes concursados para o curso de Conservação e Restauração. Posteriormente, Heiden se tornou coordenador da graduação. “Concomitantemente acontecia um projeto do Governo Federal, o Reúne, que promoveu a reestruturação e expansão das Universidades Federais, dando condições financeiras para a criação de novos cursos. Houve uma conjuntura favorável”, conta Heiden.

Naquela época Pelotas também vivia um processo de requalificação dos bens materiais, entre eles prédios que hoje compõem um patrimônio reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Esse grupo de professores identificou que faltava esse curso para dar conta da formação dessa mão de obra, claro o curso está focado nestas tipologias de bens culturais: pintura, escultura, documentos em papel e objetos de arte integrada, por exemplo”, fala o professor.

Reestruturação pedagógica
Inicialmente construído para formar tecnólogos, o curso passou por reestruturações, a primeira foi a transformação em bacharelado. “Aproveitamos que tínhamos uma turma ingressando e fizemos uma mudança no projeto pedagógico, foi quando aumentamos a carga horária, colocamos mais disciplinas, até porque chegaram professores mais da área”, explica a professora Andréa Bachettini.

E a partir de rotinas e avaliação e autoavaliação, ao longo destes 15 anos, o bacharelado tem passado por constante aperfeiçoamento, não só no currículo, mas também nas disciplinas e no perfil de formação do egresso. “Não significa que são grandes mudanças estruturais, mas que são mudanças na prática, no sentido de melhorar o curso”, fala Heiden. Nestes 15 anos o corpo docente também se qualificou e hoje todos têm doutorado.

O professor Roberto Heiden comenta que por ser um curso novo é uma profissão que não está formalmente organizada no país, desta forma os cursos e seus egressos ajudam a promover uma organização do mercado de trabalho. “Quando os alunos da primeira turma se formaram, eles se depararam com um mercado de trabalho que precisava ser organizado. Hoje vemos que as experiências que os primeiros egressos tiveram geraram a visibilidade do próprio curso e da área, o que gerou oportunidades de trabalho para quem está estudando e exemplos de como os egressos podem atuar.”

A profissão ainda não é regulamentada, mas o processo que busca essa regulamentação foi reaberto com a relatoria da deputada federal gaúcha Fernanda Melchionna (PSoL). “Existe um projeto de Lei que já tramitou, que chegou inclusive na presidência, mas teve um veto, por um equívoco de formatação do projeto. Hoje está bem encaminhado, temos uma comissão pró-regulamentação da profissão que é composta por profissionais que já atuavam na área antes de existirem as graduações e por profissionais graduados pelas universidades e pelas associações de conservadores e restauradores de vários locais do Brasil e pelos estudantes também”, comenta a coordenadora do curso, professora Karen Caldas. A própria Karen é egressa do curso. Karen se formou em 2011 e retornou à UFPel em 2014, já no corpo docente, naquela época com o mestrado na área.

Antes da existência das graduações a formação acontecia em dois cursos de especialização no País, atualmente, além da UFPel, as Universidades Federal de Minas Gerais, Federal do Rio de Janeiro e Federal do Pará também ofecerem vagas em Conservação e Restauro. “É um curso caro e o corpo docente tem que ser especializado, por isso é mais difícil manter numa universidade privada”, avalia Andréa.

Os professores destacam o fato de o curso ser noturno, o que tem atraído interessados de outros estados. “Temos estudantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, tivemos de vários estados. Outra singularidade do curso é ser o único que não está instalado em uma capital”, diz Heiden

Para Karen Caldas há muitas perspectivas para o curso. “Somos um grupo muito coeso, que trabalha de uma forma muito apaixonada. Sempre se tem onde melhorar e embora nós tenhamos crescido muito lá do início, ainda temos o que melhorar em infraestrutura, por exemplo”, diz.

O professor Heiden destaca ainda a participação dos acadêmicos, especialmente nas atividades de extensão. “Eles acreditam nos projetos, se envolvem, fazem coisas que agreguem qualidade ao curso e não só para a formação deles, a gente tem vários alunos que fazem muita diferença. De fato, eles abraçam as causas, os temas e querem contribuir com a área, eles publicam, estudam e com isso vão se qualificando também.”

“Temos vários egressos espalhados pelo Brasil trabalhando na área de forma autônoma ou em instituições”, comenta Andréa. “Nós temos hoje uma ex-aluna que está em Paris fazendo um doutorado ‘sanduíche’ e que está trabalhando na restauração da Notre Dame, a Juliana Rodrigueiro. Isso é o atestado de que o curso está no caminho certo”, fala a coordenadora.

Outro nome que os professores destacam é o de Ricardo Jaekel, da primeira turma do curso, um dos responsáveis pelo restauro da estátua do Laçador, obra do escultor pelotense Antonio Caringi, restaurada em 2021. “O fato do curso priorizar a pintura, o papel e a madeira, isso não restringe que os egressos possam atuar em outros campos. Existem espaços dentro do curso para que eles possam conhecer outras áreas e também existem cursos para eles se especializarem. É o caso do Jaekel que atuou no restauro de um símbolo do Estado, que é uma peça em metal”, diz Heiden.

Braço na comunidade
Os docentes também celebram, além da data, o reconhecimento do curso por outras instituições, que procuram a graduação, resultando em projetos de extensão em que todo o processo educativo do acadêmico é beneficiado, além de claro trazer um ganho para diferentes comunidades, que recebem seus bens patrimoniais restabelecidos. Esse trabalho também resulta em muita produção científica, que é apresentada em todo o país.

Para o professor Heiden o trabalho da Extensão reafirma a importância da criação do curso. “Quase mensalmente uma instituição bate na porta do curso pedindo que a gente desenvolva uma parceria para fazer algum projeto, no mínimo uma orientação técnica. Os acervos são muito mais numerosos do que a gente imagina e a gente se dá conta quando nos procuram. Tem lugares que a gente não imagina que têm acervo e são acervos preciosos que precisam de ajuda.”

Recentemente foram entregues 17 pinturas de cavalete do Palácio Piratini, e também obras de grandes dimensões do Museu Histórico Farroupilha do Estado. Neste mês também chegaram, para a consolidação de um novo projeto, obras missioneiras do Museu Antropológico Diretor Pestana, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS (Unijuí).

De Pelotas, por exemplo, estão sendo restauradas as 14 pinturas, que retratam a Via Sacra, da Catedral Metropolitana São Francisco de Paula. “Agora estamos dando continuidade a um projeto mais longo dentro do Palácio Piratini, de 2023 até 2026, tratando as 300 plantas do Palácio e materiais em tecido arqueológico”, conta Andrea Bachettini.

Qualificação
A Semana Acadêmica será desenvolvida até sexta-feira, no prédio da UFPel, na rua Almirante Barroso, 1.202, conhecido como “Câmpus 2”. Nesta edição, a programação contará com palestras e oficinas, abordando diversas áreas de conhecimento relacionadas ao curso. A equipe organizadora ressalta que as vagas nas oficinas já estão esgotadas. Já as palestras são abertas à comunidade em geral.

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