Estreia

Daniela Moreira protagoniza ópera de compositor brasileiro no Rio de Janeiro

No espetáculo produzido pelo Ópera Studio da UFRJ a pelotense interpreta a personagem título da obra A cartomante

Nadejda Costa - Especial DP - Cantora interpreta personagem enigmático

A mezzo-soprano pelotense Daniela Moreira é a protagonista da ópera A cartomante, uma produção do Ópera Studio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que teve a primeira récita ontem à noite na capital carioca. Esta foi a estreia mundial do espetáculo composto em português pelo músico paranaense Eduardo Frigatti. O libreto é baseado no conto homônimo do escritor Machado de Assis. 

Aluna do doutorado em Música - Práticas Interpretativas da UFRJ, Daniela reside no Rio de Janeiro desde março, quando foi convidada para fazer a personagem da cartomante. O Ópera Studio é um projeto interdisciplinar que reúne alunos dos cursos de Música. “Mas nem só estudantes participam, porque eles fazem audições para os espetáculos. Nesta produção tem eu, que não sou da graduação, há egressos do curso e tem a Letícia Moraes que é formada pela UniRio, inclusive ela ganhou o último concurso Maria Callas, é uma soprano com grande projeção no Brasil”, comenta a pelotense, que até fevereiro era professora substituta no curso de Canto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde fez a sua graduação.

Frigatti é um compositor brasileiro em ascensão no exterior, foi aluno do compositor Krzysztof Penderecki e hoje reside em Lublin, na Polônia, onde dá aulas na Faculty of Arts of the Maria Curie - Skłodowska University. A regência é do maestro Thiago Santos, com direção musical de Lenine Santos e Homero Velho e direção cênica de Antônio Ventura.

Para a doutoranda esta tem sido uma experiência muito enriquecedora. Entre outros motivos está o caráter profissional do Ópera Studio e o fato de trabalhar em uma ópera com o compositor vivo. Como Frigatti compôs esta peça recentemente, ela não estava completamente finalizada, um trabalho que foi sendo depurado a partir da troca com o regente e com os cantores. “A gente fez um trabalho em conjunto com o compositor. O maestro trabalhou em contato com o Frigatti para que a gente tratasse de algumas questões musicais que precisavam de ajustes. O Eduardo se mostrou aberto para que nós déssemos sugestões para ele.”

Os intérpretes observaram, por exemplo, que algumas questões rítmicas precisavam ser alteradas para que a tensão prosódica para o texto em português fosse realizada de uma melhor forma. “Esse é um trabalho diferenciado que a gente pode ter quando trabalha com  um compositor vivo. Foi muito valioso para mim ter um contato com o compositor, porque normalmente na música de concerto a gente trabalha com compositores que não estão mais vivos.”

A montagem cuidadosa trouxe para Daniela a experiência de fazer um trabalho com a orientação de um diretor cênico, atuando com assistentes que auxiliaram o elenco na caracterização do personagem. “A gente vê o quanto isso faz a diferença. Foi feito todo um estudo junto com o Ventura  para compor esses personagens. Por exemplo, cada personagem tem uma cor base, a da cartomante é o roxo”, explica.

Mudança na voz

No conto de Machado de Assis, que se passa no Rio de Janeiro em 1869, Camilo é amante de Rita, mulher do seu amigo Vilela. O triângulo amoroso ganha tons dramáticos quando Rita suspeita que não é mais amada por Camilo. Tudo se complica mais ainda quando entra em cena uma cartomante.

Para compor a enigmática cartomante, Daniela, que começou a carreira musical como soprano, mostra uma mudança drástica no registro da voz ao interpretar como uma contralto. “Eu trabalhei 12 anos como soprano e desde 2018 venho trabalhando como mezzo-soprano, que é um registro mais grave. No entanto, a personagem da cartomante tem uma voz ainda mais grave.” 

Com certa facilidade Daniela consegue alcançar esse registro mostrando volume de voz e projeção nos graves. “Tem sido prazeroso, não diria trabalhoso e sim instigante fazer a cartomante e tem mostrado pra mim possibilidades técnicas que eu ainda não havia explorado. Eu estou fazendo quase 33 anos e os professores acreditam que é a maturidade vocal que tá me dando possibilidade de fazer mais graves. Realmente tem sido muito interessante porque é uma voz muito intensa de timbre e sonoridade muito graves, o Eduardo Frigatti explora muito esses graves com grande projeção, é realmente impactante.”

Feliz com o desafio, Daniela não tem previsão de retorno a Pelotas nos próximos três anos, ao menos, período em que deve concluir o doutorado. “A ideia é ficar aqui, porque estão surgindo algumas coisas”, conta. Há três semanas a cantora fez um teste para a ópera Suor Angelica, do italiano Giacomo Puccini, que será produzida pela UniRio, no segundo semestre. Aprovada para o primeiro elenco, a pelotense vai interpretar outra personagem que utilizará as habilidades de contralto.

Apresentação virtual

O elenco principal da ópera é formado pelos cantores cariocas tenor Rodrigo Barcelos (Camilo); soprano Letícia Moraes (Rita); mezzo-soprano Kássia Lima (Carmen, a comprovinciana de Rita), barítono Iago Cirino (Vilela) e pela mezzo-soprano Pelotense Daniela Moreira (Cartomante). 

O mesmo elenco também cantará amanhã, às 17h, no Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música da UFRJ. Esta apresentação terá transmissão ao vivo pelo Youtube pelo link: bit.ly/ACartomante-AoVivo .

 


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