Teatro

Espetáculo revive trajetória de rebeldia e pioneirismo de humorista

Nasci pra ser Dercy, com a gaúcha Grace Gianoukas, está em cartaz a partir de hoje no Teatro Municipal em Rio Grande

Heloisa Bortz - Especial DP - Grace vive no palco uma atriz que quer interpretar Dercy no cinema

Uma atriz que vai fazer um teste para viver o papel de Dercy Gonçalves (1907-2008) se frustra com o texto e resolve contar, ela mesma, quem foi a inconfundível humorista fluminense. Esta é a premissa do novo espetáculo da atriz rio-grandina Grace Gianoukas, Nasci pra ser Dercy, que tem mini temporada neste final de semana no Teatro Municipal do Rio Grande. As sessões de sexta-feira (12), sábado (13) e domingo (14) ocorrem às 20h e no domingo às 19h. Entradas à venda pelo site Sympla ou na bilheteria do teatro. Há ingressos solidários disponíveis por tempo limitado ao valor de R$ 50,00 + um alimento, que serão entregues a instituições carentes da região.

O texto de Kiko Rieser, também diretor da peça, chegou às mãos de Grace no final do ano passado, quando ela ainda estava fazendo o espetáculo Grace em revista, que celebrou os 40 anos da carreira da comediante. Foi paixão à primeira lida e de pronto a atriz aceitou o desafio de viver Dercy. "Em um mês a gente levantou o espetáculo", conta.

A estreia ocorreu em 13 de janeiro, em São Paulo, e de lá para cá foram quatro meses de espetáculos com casa lotada. "Uma loucura de público e crítica, realmente um fenômeno", diz a atriz. Agora Nasci pra ser Dercy dá início, por Rio Grande, a uma grande turnê pelo país e para fora dele. "É o início da nossa turnê, eu quero mostrar para a minha família, para meus conterrâneos, daqui a gente vai para o resto do Brasil e no ano que vem para Portugal e Espanha", fala Grace.

Na peça Grace vive a atriz Vera Finarelli que vai fazer um teste para viver a personagem Dercy Gonçalves num filme e se revolta com o roteiro. "O roteiro mostra o estereótipo da velha louca, que falava palavrões. A atriz resolve então falar um pouco sobre a história da Dercy, que ela conhecia porque a mãe dela era cabeleireira da Dercy. Aí vem baixando a Dercy Gonçalves desde a Dolores Gonçalves Costa", antecipa a gaúcha.

O espetáculo é um monólogo cheio de humor. Há ainda a participação do ator Miguel Falabella, que não aparece em cena, apenas sua voz em off, como diretor do filme para ao qual Vera faz o teste.

Inteligente e original

Dercy Gonçalves nasceu no interior do Rio de Janeiro, numa cidadezinha com uma sociedade extremamente conservadora, que não aceitava a natureza rebelde da futura atriz. Grace lembra que a humorista foi uma menina original e inteligente, mas incompreendida, que ajudou a construir o humor tipicamente nacional. "O espetáculo resgata com muita propriedade a importância da Dercy para o nosso conceito de graça brasileira. Mostra a importância dela para se criar um estilo brasileiro de humor e tudo isso é verdade, constatado em estudos."

Dercy morreu há 15 anos e Grace comenta que até então ninguém tinha lembrado de homenagear a atriz. A gaúcha chegou a ser recebida por Dercy em seu camarim no final de um espetáculo, mas foi um contato rápido e ela confessa que na época não sabia da história de vida da humorista, por isso para viver a homenageada buscou o máximo de informações que pode com quem conviveu com ela, viu filmes, leu a respeito. Mas a intenção nunca foi de imitar, até porque a gaúcha diz que não sabe trabalhar dessa forma.

Nessa pesquisa Grace se surpreendeu com a humorista, que foi autora, diretora, roteirista, produtora, enfrentou o sistema com a autenticidade dela e revolucionou o teatro brasileiro. "A medida em que fui pesquisando e aprofundando estudos sobre a Dercy fui me dando conta que eu tenho tudo a ver com ela, o meu trabalho, meu estilo de comédia, o meu pioneirismo também, ser empreendedora, fui achando muitos pontos em comum."

Apesar de chegar ao público a irreverente personalidade, Dercy era uma pessoa calma e, na opinião de Grace, uma grande marketeira, que descobriu que se levasse para o palco o que ela via nas ruas daria certo, porque ela era a cara do Brasil. Mesmo assim, até hoje a humorista não é bem compreendida, avalia a gaúcha. "Uma personalidade muito forte, muito inteligente, uma pessoa muito importante na nossa cultura. Sem pretender ser feminista, mas levantou muitas bandeiras em favor das mulheres e abriu espaço para as mulheres na comédia. Ela era forte e tinha legiões de fãs mulheres."

Serviço:
O quê: Grace Gianoukas em Nasci pra ser Dercy
Quando: sexta-feira (12) e sábado (13), às 20h, e domingo (14), às 19h
Onde: Teatro Municipal do Rio Grande, na cidade de Rio Grande
Ingressos: R$ 120,00 (inteira), R$ 60,00 meia-entrada e R$ 50 o ingresso solidário, disponível por tempo limitado;
Onde comprar: site da Sympla, na bilheteria do Teatro Municipal, na loja Web Multimarcas (Domingos de Almeida, 733) ou pelo WhatsApp: (53) 98443-3886



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