Cinema
Estreia em Pelotas filme que documenta o restauro do Laçador
Obra, dirigida por Jaime Lerner, teve ainda cenas gravadas em Pelotas ao retratar o escultor Antonio Caringi
Foto: Divulgação - Documentário registra desde a retirada do monumento do seu sítio até o seu retorno
Ocorre nesta quinta-feira (22) a exibição especial do filme Monumental! O restauro de um símbolo, obra que trata do processo de restauração do Laçador, em Porto Alegre. O filme, com direção do cineasta Jaime Lerner, teve ainda cenas gravadas em Pelotas, cidade de origem do autor da famosa estátua, o escultor Antonio Caringi (1905-1981). O evento será realizado na Biblioteca Pública Pelotense, praça Coronel Pedro Osório, 103, às 18h. Como o número de lugares é limitado, os organizadores pedem que a presença seja confirmada pelo e-mail monumentalofilme@gmail.com ou pelo número (53) 98116-0377.
Alicerçado pelo registro do primeiro restauro do Laçador, o documentário de 82 minutos leva ao público a história de Caringi e do monumento, a partir de gravações feitas em Porto Alegre e em Pelotas. Em 28 de setembro de 2021, o monumento ao gaúcho foi removido do seu local de exposição para passar por um restauro completo, que durou três meses.
O restauro foi realizado pela Associação Sul-Riograndense da Construção Civil e Sinduscon-RS (Projeto Construção Cultural - Resgate do Patrimônio Histórico), com patrocínio da Gerdau e financiamento do Pró-cultura da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande Sul.
Arte e história
As filmagens começaram a partir do restauro e acompanharam desde a retirada do monumento do seu sítio, na avenida dos Estados, na capital dos gaúchos, até a sua devolução. Porém o filme não trata só desse processo, ele vai além da própria escultura e aborda fatos ligados à história do próprio escultor. "Ele faz um link entre o passado e o momento atual da restauração", diz o diretor.
Lerner, que também fez o roteiro, destaque que o filme traz diferentes aspectos que envolvem a estátua. "Inclusive a própria questão da preservação, do patrimônio, da coisa pública, do que se preserva ou não se preserva, todas essas questões de arte até as históricas, desde Getúlio (Vargas) à República de Weimar, tem muita coisa que se liga ao Laçador que ninguém imagina. O filme abre essas várias janelas."
O diretor se engajou à proposta ao ser convidado pelo coordenador do Projeto Construção Cultural - Resgate do Patrimônio Histórico do Sinduscon-RS, Zalmir Chwartzmann, ainda quando o Sinduscon fazia o projeto para a realização do restauro. "A ideia inicial era um documentário de média-metragem e no fim acabamos fazendo um longa-metragem. Tinha muito assunto interessante, quando eu fui pesquisar mais a fundo a gente foi descobrindo."
O cineasta conta que conhecia superficialmente a história do Laçador e desconhecia a trajetória de Caringi. "Do Caringi eu sabia só o nome, mas não sabia que ele fez outros monumentos super importantes. Ficou claro para mim, que as pessoas não conhecem a dimensão da obra de Caringi. E é incrível porque quando ele trabalhava ele era um bom marqueteiro dos próprios trabalhos. Ele tinha uma preocupação em se divulgar e quando ele parou ficou esquecido. Acho que vale fazer um documentário sobre ele e descobrir o porquê disso", comentou.
Escultura tombada
O Laçador, inaugurada em 1958, é uma das obras mais famosas do escultor Antonio Caringi, que teve como modelo folclorista João Carlos D'Ávila Paixão Cortes (1928-2018). Em 2001 a escultura foi tombada como patrimônio histórico de Porto Alegre. Esculpido em bronze, o monumento, que tem 4,45 metros de altura e possui um pedestal de granito trapezoidal de 2,10 metros de altura.
Para o diretor, a estátua atingiu esse status de monumento dos gaúchos por dois motivos: pelo valor artístico da própria escultura e pelo forte trabalho do Movimento Tradicionalista, a partir da década de 1970, que adotou o Laçador como símbolo. "Isso encabeçado pelo Paixão. É um símbolo querido por quase toda a população, mesmo quem não curte o tradicionalismo gosta do Laçador."
Ferramenta pioneira
Antonella Caringi de Aquino, neta de Caringi, relata que há quatro anos se prepara para um resgate sem precedentes ao legado de seu avô, com destaque à imersão aos Direitos Autorais. O filme de Lerner chega em um momento fecundo e se incorpora indiretamente a todo este trabalho que ela realiza como gestora legal, através do engajamento e aval da família.
"Eu diria que o fato de o filme, para além de documentar o restauro de sua obra mais popular, vincular Caringi às suas obras retratando-o como pai, através de uma produção de concepção histórica mas também divertida e, tendo suas criações, plásticas, monumentais como protagonistas, resulta em uma ferramenta pioneira vindo a somar-se ao monumental trabalho de resgate ao legado de Antonio Caringi", diz.
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