Exibição
Exposição na Ama Galeria traz obras inspiradas por memórias e viagens
Primeira mostra artística do espaço reúne as poéticas de Ramile Leandro, Graça Marques e Lúcia Costa Weymar
Foto: Carlos Queiroz - DP - Amadeu Silva abre espaço para a produção em arte contemporânea e local no novo antiquário
Um local onde estão peças antigas, vindas de diferentes lugares, e que carregam consigo uma história. Assim é o ambiente de um antiquário, em que arte e reminiscências do passado se misturam e inspiram outras vivências. Estimuladas por essa atmosfera, as artistas Ramile Leandro, Graça Marques e Lúcia Costa Weymar criaram a exposição Viagens e Memórias Cruzadas, na qual suas poéticas buscam um diálogo com o acervo. A iniciativa inaugurou o espaço de mostras artísticas da Ama Galeria, na noite desta quinta-feira (27).
A ideia da exposição surgiu a partir de uma conversa entre Ramile Leandro, que faz a curadoria, e o proprietário da galeria, Amadeu Silva, em março. “Aqui tem peças de vários lugares do mundo, aí fiquei pensando que ele (Amadeu) tinha que fazer uma mostra que misturasse isso”, conta. A curadora então convidou a Graça Marques, que tem produção com materiais colhidos na Espanha, e Lúcia Weymar, que tem uma pesquisa intitulada Lusitanidades.
A própria Rami passou o janeiro deste ano em Florença, na Itália, onde ela se inspirou na cúpula da igreja Santa Maria del Fiore para a produzir as obras que levou para a galeria. “Eu queria expor antes de vender para contar a história”, conta.
Para o público, Rami apresenta trabalhos inéditos que retratam a visão privilegiada da janela da casa em que ficou em Florença. “Eu fiz a cúpula de Brunelleschi desde a primeira camada da aquarela, passando pela base de verde, de ocre e ela completa.”
A ideia é mostrar todo o processo de seu reencontro com as bases italianas, construídas durante sete anos em que morou por lá, das aquarelas que produz. A artista rio-grandina ainda mostra duas obras abstratas, uma novidade na sua carreira.
Base no cartão
Convidada de Ramile, Graça Marques apresenta uma série de quadros feitos de colagens, com base no cartão. O material é oriundo daquelas caixas pardas, utilizadas para transportar diferentes objetos e alimentos, que a artista recicla. “São caixas que vou desfazendo.”
A esses cartões Graça junta outros materiais coletados em suas viagens, como tickets de metrôs e entradas em museus, por exemplo. A artista conta que recolhe diferentes itens pelas suas andanças nas cidades, material catalogado por ela que cria uma espécie de trilha imaginária, traçando um acesso pelas próprias memórias. “Coleciono, mas não com alguma intenção de utilizar isso como elemento plástico, mas à medida que a gente vai guardando e ao abrir caixas e gavetas vão surgindo referências que te levam a outros momentos da tua vida, onde eu vou construindo esses trajetos.”
Como as obras ressignificam trajetórias e objetos, a artista não se preocupa em reter essas pequenas lembranças. “A colagem tem isso de imobilizar determinado objeto ou elemento e aquilo deixava de existir. Antes eu tinha apego, hoje não.”
O desapego é estimulado até pela tecnologia. “Desde o momento em que comecei a trabalhar com a imagem e que vi essa possibilidade de reprodução de um determinado elemento, desapeguei, mesmo que eu nem pense em reproduzi-lo.”
Detalhes dos azulejos
O trabalho de Lúcia Costa Weymar também nasceu na Europa, mais precisamente durante o pós-doutorado em Design pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Portugal. Foi andando pelas ruas, que a pesquisadora captou boa parte das imagens que apresenta no livro Lusitanidades: design de viagens, viagem no design.
Ao vagar pelas alamedas a artista foi fazendo esse mapeamento dos azulejos, o que não era a questão principal do trabalho. Porém, quando voltou ao Brasil pensou em fazer aquelas imagens virarem quadrinhos no tamanho dos próprios azulejos.
O projeto Lusitanidades deu nome ao livro e a um vídeo apresentado num congresso de design. Ainda, originou a mostra Azulejo não vem de azul, apresentada há um ano em Pelotas, casualmente em uma coletiva a qual estavam as outras duas artistas desta exposição.
Agora o Lusitanidades é a base da série intitulada A falta que ele me faz. “Esse ele remete a muitas coisas que aconteceram nos últimos anos. Ele, a pessoa que perdi; ele, Portugal, que eu não fui mais”, explica.
Neste novo projeto, a composição de quadros formada pelas fotos dos azulejos não é perfeita e deixa à mostra espaços vazios, que vão ao encontro desta poética em torno da ausência. Além desta, a artista vai apresentar dois vídeos, o primeiro feito durante o pós-doutoramento e um outro criado para esta exibição.
Serviço
O quê: exposição Viagens e Memórias Cruzadas
De quem: Graça Marques, Ramile Leandro e Lúcia Weymar
Onde: Ama Galeria, na rua Voluntários da Pátria, 751
Visitação: mediante agendamento pelo perfil @ama.galeria, no Instagram.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário