Iniciativa

Festival reúne mais de 15 grafiteiras do Brasil e do Uruguai em Pelotas

O Elas na Rua levou a arte urbana, além de música e oficinas para a comunidade do bairro Dunas

Fotos:Ítalo Santos - Especial DP - Evento se encerrou com a criação de painéis com temáticas feministas nas paredes da sede do CEU

Arte urbana, música e oficinas foram as atrações do segundo dia do 1º Festival Elas na Rua. O evento ocorreu das 9h da manhã de deste domingo (15) até o final da tarde, na praça do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) do bairro Dunas, em Pelotas. O Festival contou com mais de 15 artistas, oriundas de cidades como Pelotas e Rio Grande de estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, de Minas Gerais, Piauí e até de outro país, o Uruguai, que tiveram a missão de construir três painéis, levando a expressão do grafite sob a ótica feminina e feminista para as paredes do Centro.

O Elas na Rua é um projeto das artistas e produtoras culturais Rafaela Bevilaqua, a Pixatrix, Renata Lopes, Fernanda Oberg, que assinam como Safosapa, e Luiza Câmara, a Kmara, com financiamento do Procultura de Pelotas. No ano passado as ativistas fizeram dois eventos semelhantes, um deles em forma de mutirão, com as tintas levadas pelas próprias artistas, no outro contaram com o apoio do Sanep. "Agora inscrevemos este projeto no Procultura deste ano, para fazermos o festival do Rio Grande do Sul de Arte Urbana para elas", comenta Rafaela.

Com recurso do projeto, o grupo pode financiar as tintas para a confecção das obras, além das refeições das artistas. "A gente escolheu o Dunas para descentralizar a arte. Aqui em Pelotas tem muito grafite no Porto e no Centro e as demais comunidades são mais carentes de arte", fala Rafaela. As atividades do Festival começaram na noite de sábado, com batalha de tag e mesa de confecção e troca de sticker, que ocorreram na loja Goma Street.

Na tarde de ontem, enquanto as grafiteiras terminavam as pinturas, aconteceram oficinas de breaking, com Adriel Vargas e de mecânica básica de bike, com Anne Farias, do coletivo Pedal das Gurias de Pelotas. O evento, ainda, contou com a presença das DJs Nagila, Julie Schiavon, Vânia e Vanessa e Helô.

Em busca de visibilidade

Há 11 anos atuando como artista, a Damaris Tinta ou DM Tinta lembra que mesmo nas artes, assim como em outras áreas, as mulheres não têm a mesma visibilidade dos homens, por isso é importante eventos como o que ocorreu no Dunas. A grafiteira levou para a sede do Centro a personagem Janete, que representa o empoderamento feminino. "A gente nunca aparece nas coisas porque a gente passa tempo demais fazendo subtrabalhos para poder alimentar a família, que os homens não estão fazendo."

De Florianópolis, Jeane Sanches veio a Pelotas junto com uma amiga, que foi selecionada para o Festival. "A gente veio de parceria com ela para somar", comentou a grafiteira e tatuadora há 13 anos. "O grafite é um campo muito maior masculino, por isso a gente luta para ter um reconhecimento. É legal quando existem eventos voltados para as mulheres, em que a maioria sejamos nós, são eventos assim que reconhecem a nossa trajetória", disse a artista que assina como Jeane London.

Em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, Luana Xavier também atua como tatuadora e xilogravurista em madeira, mas desde o ano passado ela atendeu ao chamado da arte urbana, algo que chamava a atenção da artista, mas que ela ainda não tinha tido a coragem de experimentar.

"Já tinha um interesse muito grande em fazer grafite, mas tem toda a questão de ser mulher, estar na rua, dominar o material, então foi uma coisa que eu fui deixando mais para frente", conta Luana, que assina como Xavier.

O início foi através de uma oficina que ocorreu durante um evento feito também com financiamento público, destaca Xavier. "Eu comecei a usar o material e tamos aí participando desses mutirões. Estou muito feliz. Estou aqui para participar e contribuir com meu trabalho. Você fica mais vulnerável indo pra rua sendo mulher. Mas quando você está aqui com um grupo, com várias pessoas, você se sente mais segura, ainda mais em um evento como esse, que é pensado para a gente estar juntas, pintando. A comunidade tá aqui participando, as crianças assistindo, ajudando, é outro rolê", comenta a artista.


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