Iniciativa

Patrimônio material e imaterial é tema de oficinas na Escola Monsenhor Queiroz

Proposta do projeto de Educação Patrimonial integrado ao restauro Catedral Metropolitana São Francisco de Paula envolveu alunos dos primeiros anos do Ensino Médio

Jô Folha - DP - Oficinas culmiram com a construção de HQs na tarde desta terça-feira (26)

Depois de uma imersão sobre o tema patrimônio, estudantes dos primeiros anos do Ensino Médio, do turno da tarde, da Escola Monsenhor Queiroz tiveram a oportunidade de transformar conhecimento em arte, por meio da criação de histórias em quadrinhos. A ação, que ocorreu nesta quarta-feira (26) e vai dar origem a uma exposição, resulta do projeto de Educação Patrimonial integrado ao restauro da cobertura da nave central da Catedral Metropolitana São Francisco de Paula.

Coordenado pelas antropóloga Liza Bilhalva e arqueóloga Marta Bonow, o projeto de Educação Patrimonial, ao longo dos últimos cinco anos, tem envolvido a comunidade no processo de restauro da Catedral, especialmente com trabalhos dirigidos aos alunos das três instituições de ensino vizinhas este patrimônio: Escola Estadual de Ensino Médio Monsenhor Queiroz, Colégio Gonzaga e Instituto São Benedito. 

O objetivo é estimular estes jovens a se aproximarem e se identificarem com o bem que está sendo restaurado. “Já que no São Benedito e no Gonzaga nós fizemos desenhos em telhas, para ter uma ligação com o telhado que está sendo restaurado, aqui no Monsenhor estamos fazendo essa oficina com o Jonas Santos, que é artista de Pelotas e que trabalha com história em quadrinhos. A nossa ideia é que os alunos se reconheçam como parte do patrimônio de Pelotas como um todo, entendam o que é patrimônio e que eles são pertencentes a ele”, explica Marta Bonow.

A expectativa é que, através das HQs, os estudantes criem personagens que tenham relação do patrimônio com a história deles, com os bairros onde moram. Todo o material produzido será mostrado à comunidade na exposição final do projeto, que ocorrerá junto com a entrega da obra, neste semestre. 

A atividade da tarde de quarta-feira foi um terceiro momento da proposta. A oficina teve início com uma palestra sobre o que é patrimônio cultural e sobre a história da Catedral e qual a relação entre a Escola Monsenhor Queiroz, a Catedral e as próprias crianças. “O que eles têm a ver com esse patrimônio”, fala a arqueóloga. No segundo encontro Jonas Santos realizou uma oficina de HQ, explicando aos alunos as questões técnicas que envolvem a criação de uma história em quadrinhos. 

Teoria e prática

Convidado para participar do projeto há um ano, Jonas Santos diz que até chegar a este momento prático da oficina, aconteceram muitas conversas para que a proposta cumprisse a sua função. “A ideia é contextualizar o patrimônio como sendo algo que é deles. Patrimônio é a parede pintada pelo Aldo Locatelli, mas é também o calçamento que está ali na frente da escola, colocado pelos escravos”, fala o quadrinista.

Santos conta entusiasmado, por exemplo, que um dos estudantes, morador do Jardim América, levou para a HQ a história da família dele. “Do avô que era médium, era justamente esse jogo que eu queria fazer, que eles se colocassem como protagonista, não como meramente sujeitos nas histórias. Esse é o momento de ressignificar”, fala.

Junto com o Santos, o artista e quadrinista Maurício Rodrigues abordou com os alunos a parte mais técnica das HQs. “Estou trabalhando mais a linguagem dos quadrinhos, enquanto ele (Jonas Santos) cobriu mais a questão histórica e patrimonial. Vemos que alguns têm um pouco mais de familiaridade com os quadrinhos, outros têm menos, de qualquer forma teve uma adesão muito grande do pessoal no exercício proposto”, comenta Rodrigues. 

Inspirada pela bisavó de origem indígena, a estudante Maria Eduarda Malta Santana, 16, estava desenvolvendo uma HQ com a figura feminina como a personagem central. A jovem natural do Mato Grosso conta que não conheceu a sua ascendente, mas tentou retratá-la no desenho. 

Para a estudante, que mora em Pelotas há quatro anos, a oficina foi muito interessante, porque além de fazê-la acessar memórias antigas, trouxe a ela a oportunidade de conhecer a Catedral e até mesmo a prestar mais atenção ao território em que está inserida a escola. “Eu gostei bastante da oficina, foi uma experiência diferente”, relata.

Mudança de perspectiva

A parceria entre a escola e a proposta de Educação Patrimonial começou em 2018, quando se promovia o projeto Portas da História, relativo ao restauro das portas da Catedral. Naquele ano as ações foram direcionadas para alunos do segundo ano do Ensino Médio. A professora de História Rosana Pedroso Nunes conta que os alunos foram impactados de uma forma muito positiva.

A diretora da escola, professora Ledeci Lessa Coutinho, explica que é uma prática pedagógica levar para a instituição tudo que acrescente e crie novas possibilidades aos estudantes. A própria relação dos alunos com o prédio da Escola, que é tombado como patrimônio histórico de Pelotas, tem mudado a partir dessas experiências, conta a diretora, que também é historiadora.

“O projeto tem colaborado para que a gente possa implementar novos olhares sobre o que é patrimônio”, fala a diretora. Ledeci relembra que a construção dessa atual proposta nasceu dos diálogos entre a direção e as coordenadoras do projeto. “Queríamos fazer com que eles percebessem que o patrimônio não é algo que tenha a participação única de uma classe de pessoas. O patrimônio pode ter a participação de Locatelli, mas tem a presença de quem ajudou a construí-lo, que é a população negra. Trazer o Jonas com essa proposta de trabalho é desconstruir essa ideia de que o patrimônio tem uma classe social, uma etnia predominante. A partir do momento que eles percebem isso começam a mudar a relação, porque eles se percebem como sujeitos, que são responsáveis por esse patrimônio”, fala.


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