Literatura

Pesquisador lança livro e fala sobre a "biblioteca de imaginária" de Simões

Jocelito Zalla é o convidado da programação de aniversário do patrono do IJSLN, na quinta-feira (9)

Divulgação - DP - Historiador apresenta livro com resumo da primeira parte da tese de seu doutorado

Nesta quinta-feira (9), se estivesse vivo, o escritor e jornalista João Simões Lopes Neto completaria 158 anos. Para lembrar a data a direção do Instituto que leva o nome do autor de Contos gauchescos (1912) preparou uma programação especial com solenidade na praça Coronel Pedro Osório e palestra e lançamento de livro do professor e pesquisador Jocelito Zalla, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Às 10h30min, da quinta-feira, haverá concentração em frente à Biblioteca Pública Pelotense, para que em seguida, às 11h, ocorra solenidade em frente à estátua de João Simões Lopes Neto, na praça Coronel Pedro Osório. Às 19h30min, ocorrerá a palestra do professor Zalla e o lançamento do livro Simões Lopes Neto e a fabricação do Rio Grande gaúcho. Este evento ocorrerá na Casa de Simões Lopes Neto, na rua Dom Pedro II, 810.

Zalla é autor de Simões Lopes Neto e a fabricação do Rio Grande gaúcho: Literatura e memória histórica no sul do Brasil (Oikos, 320 páginas), lançado em outubro do ano passado em Porto Alegre. A obra, em três capítulos, é resultado da adaptaçào da primeira parte da tese de doutorado de Jocelito Zalla sobre o escritor pelotense e a construção da identidade gaúcha para a região.

O historiador desenvolveu a pesquisa entre 2014 e 2018 para o doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. A obra integra a Coleção da Associação da Nacional de História - Seção Rio Grande do Sul (ANPUH/RS), que premia, com a publicação, as melhores teses de história sobre o Estado ou no Rio Grande do Sul.

Na publicação o pesquisador emerge na biografia de Simóes. "Não é uma biografia, mas um estudo que acaba pensando o que é ser um intelectual no Sul do Brasil, em Pelotas, na primeira República e como um intelectual, com as características dele, produz uma obra literária como a que produziu", comenta o professor Zalla.

Um dos questionamentos que Zalla tenta responder na obra versa sobre os fatores históricos que explicam a celebrada originalidade literária de Simões. Em busca dessa resposta, o pesquisador mergulha na trajetória intelectual e social do pelotense. "Como ele acaba mobilizando esse capital cultural que ele tem acesso, sendo da elite, quando ele deixa de fato de ter fontes de renda da família e tem que se profissionalizar no jornalismo, na literatura e nas artes para tirar dali sua principal fonte de renda", fala.

No primeiro capítulo da obra, Zalla analisa a trajetória e a inserção na carreira literária. No segundo capítulo o professor faz uma leitura da obra simoneana, chamando atenção para legados como a Artinha de Leitura, por exemplo. "Isso me leva a mostrar que ele tinha um projeto de pedagogia histórica." No terceiro capítulo chega a literatura dos Contos e Lendas.

Em abril deste ano o historiador deve lançar a segunda parte da tese de doutorado em que aborda a recepção da obra dele e o porquê os intelectuais modernistas gaúchos enxergaram na obra do pelotense uma possibilidade de fazer a crítica à literatura que eles chamavam de elitista, de nomes como Olavo Bilac, por exemplo. Simões era considerado um autor de vanguarda por estes intelectuais.


As leituras do Velho Capitão

Na terceira seção do primeiro capítulo o pesquisador oferece aos leitores uma análise sobre as leituras de Simões Lopes Neto. E é sobre essa curiosa busca, que o pesquisador vai abordar na palestra que faz no Instituto, na quinta-feira.

Ao tentar entender o surgimento da verve cultural de onde brotou a obra simoneana, a partir de 1910, o pesquisador olhou na obra anterior aos livros como Lendas do Sul e Contos Gauchescos para traçar o perfil de leitor que era Simões. "O que ele lia? Como ele mobilizava esses conhecimentos no debate público ou no debate intelectual com a cidade e o Estado e como esses debates ajudaram a compor a grande obra", comenta.

O levantamento mostra citações nas crônicas, peças de teatro, nas conferências que levaram a uma lista de títulos que se dá por certo que o Velho Capitão leu, chegando a uma biblioteca imaginária de Simões.

Zalla introduz o debate sobre quais eram as grandes questões presentes no campo intelectual do Rio Grande do Sul naquela época, quais os problemas debatidos pelos intelectuais. E como Simões anunciava a própria opinião, por meio da sua fonte literária. Para se ter uma ideia, o pesquisador levantou que a leitura do Velho Capitào incluia quase 119 autores que versavam sobre temas como Ciência Naturais, Filosofia, Ciências Sociais, Educação, história do Brasil, história do Rio Grande do Sul, história geral, ficção, biografias, folclore, estudo de línguas e almanaques de temas diversificados.

Onde encontrar

O livro Simões Lopes Neto e a fabricação do Rio Grande gaúcho: Literatura e memória histórica no sul do Brasil estará à venda no Instituto João Simões Lopes Neto no dia do lançamento. Também pode ser encontrado na estante virtual.




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