Dança
Pless estreia duas montagens no Theatro Guarany
Escola levará ao público o balé de repertório, The fairy doll e o espetáculo autoral Mirage na noite de hoje
Carlos Queiroz - Marcela Blois protagoniza pela primeira vez
Depois de duas temporadas sem realizar espetáculos por causa da pandemia, a Pless Escola de Ballet retoma as apresentações de final de ano com produções inéditas em Pelotas, o balé de repertório The fairy doll e a proposta autoral Mirage, montagens que levará ao palco cerca de 90 bailarinos. As apresentações ocorrem hoje, às 21h, no Theatro Guarany.
The fairy doll é um balé de repertório pouco conhecido pelo público, apesar de ter estreado no final do século 19, com música de Josef Bayer e coreografia de Joseph Hassreiter. A história, que conta sobre uma noite mágica em uma loja de brinquedos, foi escolhida pelos diretores e coreógrafos da Pless Diego Chame e Jean Coll por ter uma peculiaridade, é uma das poucas montagens com muitos solistas, neste caso 12, além da boneca principal, que será interpretada pela bailarina Marcela Blois.
Jean Coll explica os dois últimos anos foram muito desafiantes para eles e para os alunos/bailarinos, isto porque parte deste período as aulas tiveram de ocorrer virtualmente. Chame lembra que o processo da pandemia pesou para todos e elogia os bailarinos pela disciplina e força de vontade, mesmo fazendo suas rotinas de exercícios em ambientes caseiros que não eram adequados para a dança. "Eles deram um jeito não desistiram do sonho, foi um amadurecimento para todos. Acho que essa montagem foi uma devolução para todos os alunos", fala Chame.
Ao elencar tantos bailarinos para fazerem solos, os diretores quiseram motivar os alunos novamente. "Geralmente um balé de repertório tem um, dois casais de solistas, os outros são corpo de baile, agora eles terão a oportunidade de mostrar o seu potencial como solistas", conta Coll. Além dessa característica, The fairy doll é um espetáculo alegre e colorido, que aposta na fantasia para encantar o público. "É uma tentativa de reconhecimento dos esforços dos alunos, mas também é para as pessoas sentarem no teatro e sonharem de novo", comenta Chame.
Apesar da simplicidade do enredo, esta montagem foi uma das mais difíceis que o grupo enfrentou, por exigir muito mais tempo de ensaios. Os coreógrafos contam que os solistas necessitam ensaiar separadamente, além de fazerem a sua parte junto com o grupo. Como são muitas pessoas fazendo solos, essa etapa teve de ser estendida.
Para dar tudo certo os ensaios começaram em julho, mesmo assim os coreógrafos viram a programação ficar apertada. "Nos demos conta que precisava ter começado antes", fala Diego Chame. Mesmo com essa tensão, a proposta foi adiante e hoje chega ao público.
Dois pés na ousadia
A noite de dança se encerra com outro espetáculo inédito da escola, Mirage, um criação de Chame e Coll, que leva o público para um outro momento que pretende ser igualmente encantador. "Mirage é uma tentativa nossa, consecutiva, desde a abertura da escola, de trazer um olhar diferente para o balé. A gente vem trazendo obras tradicionais, mas ao mesmo tempo trazendo coisas novas. A ideia é botar os dois pés na ousadia", fala Diego Chame.
O espetáculo bebe na fonte da dança contemporânea com uma trilha popular que remete às culturas orientais, com um figurino mais ousado. "Há um encantamento de fazer os clássicos, mas não podemos fechar os olhos para outras tendências de movimento e estética. E a gente busca isso de uma forma gradual", acrescente. Chame fala ainda que esta montagem não é só para surpreender a plateia, mas também é um desafio para os bailarinos, que na mesma noite interpretarão dois espetáculos completamente diferentes.
A inspiração, claro veio também da pandemia. "A gente em casa, nós dois, pensava em fazer um espetáculo, mas ele ia sendo adiado como uma miragem", fala Chame ao comparar aquela expectativa de que a qualquer momento as restrições seriam reduzidas ou liberadas, mas este desejo era adiado a cada semana, com uma miragem do deserto.
Dessa forma deserto e as vestimentas típicas foram a base para o espetáculo. "Em contraponto com The fairy doll, Mirage é um balé mais denso, tanto que é um balé que começa todo no chão. Mirage trabalha essa metáfora entre os encantadores e as serpentes do deserto, que estão escondidas embaixo de algo que a gente não sabe o que é. A qualquer momento a gente precisa lidar com esse contexto novo que não sabemos o que é", antecipa Coll.
Outra primeira vez
Em The fairy doll é especial para Diego Chame também pela estreia é da bailarina Marcela Blois, 18, uma cria da casa. Marcela foi aluna de Chame desde os sete anos, em outra escola e, aos nove o acompanhou, quando ele resolveu montar uma escola própria, a Pless, em 2013.
Chame se emociona quando lembra que vem acompanhando o amadurecimento da aluna como bailarina. "Eu olhei ela aos seis anos e vi que tinha potencial, a gente sonha como professor em construir até chegar esse momento. Poder chegar a protagonizar um balé é muito especial, uma sensação de ver uma formação chegando a um resultado final", fala Chame.
Por sua vez Marcela não esconde o nervosismo com a primeira protagonista, especialmente numa noite em que vai ao palco em duas produções completamente diferentes. A bailarina seguiu no balé por se sentir muito à vontade na dança e, claro, pelo incentivo dos pais.
Virtual
Seguindo a política ecológica da Escola, este ano a Pless não vai disponibilizar o programa da noite de espetáculos de forma impressa. O material estará acessível via QR-Code, que estarão espalhados pelo Theatro Guarany. Nesta edição o material também poderá ser acessado.
Serviço
O quê: balés The fairy doll e Mirage
Quando: quinta-feira (1), às 21h
Onde: Theatro Guarany, rua Lobo da Costa, 849
Ingressos: no teatro, a partir das 9h
Realização: Pless Escola de Ballet
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