Incentivo
Projeto visa ampliar as noções de patrimônio na comunidade da Igreja do Porto
Ações de educação patrimonial, que começaram esta semana, vão chegar a crianças e adultos da paróquia e estudantes do Ensino Fundamental
Bianca Castro da Silva Maraninchi Ricci - Especial DP - Crianças da Iniciação à Vida Cristã, acólitos e coroinhas participaram da ação na quarta-feira
Em meio às obras que vão restaurar a cobertura da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Pelotas, começaram nesta semana as ações de educação patrimonial que vão envolver a comunidade religiosa, tanto crianças quanto adultos, e estudantes do Ensino Fundamental. O objetivo é estimular a valorização e a preservação deste bem cultural centenário. O projeto, da Alma Patrimônio Cultural e Ambiental, está sendo conduzido pela doutora em Educação Ambiental Liza Bilhalva Martins, com a colaboração da doutoranda Marta Bonow Rodrigues.
Bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), a Igreja do Porto, parcialmente interditada desde 2020, passa pelo processo de restauração desde o mês passado. O projeto, orçado em cerca de R$ 2 milhões, é da Perene Patrimônio Cultural e está sendo executado pela RCA Engenharia e Infraestrutura Ltda.
A obra, que deve durar cerca de oito meses, vai ser acompanhada por este projeto da Alma em parceria com a Perene. "Sempre que a gente envolve a comunidade há uma sensibilização maior para a preservação do patrimônio, além de potencializar o turismo de Pelotas", comenta Marta, que conversou com a primeira turma da educação patrimonial.
A arquiteta Simone Neutzling, proprietária da Perene, diz que a empresa entende que a preservação do patrimônio vai além da restauração física dos prédios. Por isso, integram ações de educação patrimonial em todos os seus projetos. "Essas iniciativas têm como objetivo sensibilizar a comunidade local sobre a importância do patrimônio material e imaterial e do processo de recuperação das edificações. entendemos que participação da comunidade é fundamental nesse processo. Ao integrar a educação patrimonial em nossos projetos, não apenas buscamos sensibilizar, mas também a se envolver e compartilhar conhecimentos sobre a preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural", diz.
O trabalho é também um estímulo às comunidades para que se orgulhem da riqueza que está nas suas mãos e aprender a chamar a atenção para estes bens. "Por isso a importância da educação patrimonial acompanhar todas as restaurações em prédios históricos de Pelotas", diz a doutoranda em Educação Ambiental.
Primeiras atividades
A proposta vai envolver grupos de crianças e de adultos, que frequentam a paróquia. Os primeiros a participar da atividade foram os mais jovens, oriundos da Iniciação à Vida Cristã, juntamente com os acólitos e coroinhas. A ação foi uma roda de conversa, que ocorreu na quarta-feira (13). Estiveram presentes cerca de 20 participantes, alguns acompanhados de seus pais, que torna a atividade ainda mais abrangente.
Durante o bate-papo foram abordados temas como a história da Igreja do Porto, os processos de restauração, o que ocasionou a deterioração da estrutura do telhado e a diferença entre patrimônio material e imaterial. "Falamos da ideia de pertencimento, da importância da diversidade cultural, racial, de classe, quando a gente fala de patrimônio e da importância que a Igreja do Porto tem nesta questão da diversidade religiosa também. A intenção foi mostrar que uma parte da história de Pelotas está ali e que ela pertence ao povo da cidade, por isso a preservação", explica a colaboradora.
O próximo encontro com esse grupo ocorrerá na quarta-feira (20), quando essas crianças farão uma visita ao templo. O propósito é mostrar o andamento da obra e alertar para alguns detalhes deste patrimônio, que por vezes passam despercebidos, por aqueles que frequentam o local.
No dia 3 de abril elas vão participar de uma atividade artística mediada pela artista Ana Júlia Fortuna. Neste encontro será realizada uma oficina de dobradura, recorte e colagem em papel. Essa atividade terá como base os desenhos previamente feitos pelas crianças após a Visita Guiada. Posteriormente, os resultados farão parte de uma exposição, como produto final das atividades.
O grupo de adultos que forma o Conselho Pastoral Paroquial (CPP) será o próximo convidado do projeto. Cerca de 40 pessoas vão participar também de uma conversa inicial, semelhante ao que foi feito com as crianças, na quinta-feira. Mas a proposta é tornar esses encontros uma oficina de formação de parceiros. "Para eles poderem apresentar a Igreja do Porto, quando tiverem eventos, como o Dia do Patrimônio, quando chegar alguma visita e não tenha ninguém específico para conduzir essa visita. A ideia é que a gente treine o pessoal da Igreja, para que sempre tenha alguém disponível para atender o público, a partir desse projeto", explica Marta.
O CPP vai começar a colocar em prática o aprendizado na recepção aos grupos de sexto ano do Colégio São José, que irão se unir às atividades de educação patrimonial. "São quatro turmas e vão ocorrer em maio no mesmo modelo que está sendo feito com as crianças da Igreja." Estes estudantes também vão passar por uma atividade artística.
Conversa com os trabalhadores
Antes de começar com os grupos de crianças e adultos, Liza e Marta, da Alma, e Simone, da Perene, tiveram uma conversa com os trabalhadores da RCA Engenharia e Infraestrutura Ltda sobre patrimônio, principalmente sobre a preservação de bens imateriais, como os doces de Pelotas. "Foi falada a relação do doce como patrimônio imaterial e a importância deles como restauradores. "É normal na história, quem está na linha de frente fica invisibilizado, então falamos muito dessas questões sociais e culturais", comenta Marta.
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