Em Cena

Texto aborda de forma cômica as dores emocionais e a resiliência dos humanos

Monólogo com a atriz Mariana Xavier, Antes do ano que vem, tem única apresentação hoje, no Theatro Guarany

Divulgação - DP - Atriz diz que plateia tem conseguido se identificar com características de mais de uma personagem

O Theatro Guarany recebe nesta quarta-feira (8), às 20h, a peça Antes do ano que vem, uma comédia estrelada pela atriz Mariana Xavier, com direção de Ana Paula Bouzas e Lázaro Ramos e texto de Gustavo Pinheiro. Com texto leve e cômico, o espetáculo aborda de forma esperançosa as dores emocionais e a capacidade dos seres humanos em se reinventar, contornando os desafios da vida. Ingressos pelo site Blueticket.

A peça, que estreou há um ano em São Paulo e cruzou por todas as regiões do país, foi trazida ao Rio Grande do Sul para uma turnê por três cidades, Porto Alegre, a primeira, Pelotas e Caxias do Sul. "Foi em 4 de março, comemoramos um ano lá no Theatro São Pedro", celebra a comediante.

Mariana qualifica o espetáculo como uma "comédia emocionante", por ser um espetáculo que faz rir, mas também propõe uma reflexão sobre a necessidade que temos de ser acolhidos emocionalmente. "Eu acredito muito na comédia, não só como forma de entretenimento, mas como uma ferramenta poderosa para gerar identificação, de fazer crítica social. A gente usa o humor para falar de um assunto muito sério que é a saúde mental. Eu falo que é uma peça para as pessoas saírem do teatro com a bochecha doendo de tanto rir, mas com o coração quentinho, com uma sementinha de esperança plantada no peito."

Em cena a atriz leva para o palco sete personagens, com histórias que se cruzam de alguma forma. Quem conduz a narrativa é Dizuíte, a faxineira da Central de Apoio aos Desesperados (CAD) que só queria terminar o trabalho e passar a virada do ano em casa, com a família. "Ela é uma típica representante da maioria das brasileiras, essas que precisam se dividir entre o trabalho e os cuidados com a família e a casa. É noite de Réveillon, a Dizuíte está tentando terminar o serviço dela", antecipa Mariana.

Para desespero de Dizuíte, a terapeuta doutora Telma, que deveria fazer plantão naquela noite, não aparece para trabalhar. É quando a Dizuíte, sem qualquer preparo para a função, resolve atender o telefone. "Ela vira conselheira de uma hora pra outra. Ela fica com essa missão de mostrar para essas pessoas desesperadas que vale a pena viver e que ainda dá para ser feliz antes do ano que vem."

Além destas duas personagens, surgem ainda: Jussara, a atendente de telemarketing que sonha em voltar para o emprego de cozinheira; Gracinha, a anfitriã cujos convidados não aparecem na festa, mas se esconde na positividade tóxica; Maria de Lourdes, a socialite falida prestes a matar o marido; Michelle, a adolescente carente de atenção dos pais que foi traída pelo namorado e pela melhor amiga; tia Xinda, a idosa que não sabe como pedir desculpas à sobrinha pela briga no Natal. "Elas são muito diferentes, mas todas elas têm um pedacinho da gente."

A primeira vez

Essa é a primeira vez que Mariana enfrenta o desafio de fazer um monólogo. A atriz, que começou a fazer teatro aos nove anos, diz que é de "galera" e, apesar de ter amado estar no palco sozinha, gosta muito de dividir a cena com outros atores. "Eu tive companhia de teatro, então tive muita dúvida se iria gostar de fazer um monólogo, porque eu gosto muito da troca, do jogo cênico", conta.

Porém, como são sete personagens, é quase como se ela não estivesse sozinha. "E essa peça é uma grande alegria na minha vida, ela se conecta com o público de um jeito muito profundo. As mensagens que a gente recebe no final de cada espetáculo são realmente muito motivadoras pra mim", fala.

Legado de Paulo Gustavo

Mariana Xavier ficou nacionalmente conhecida pela personagem Marcelina na cinessérie Minha mãe é uma peça, ao lado do comediante Paulo Gustavo, que morreu precocemente aos 42 anos, em 2021, em decorrência da Covid-19. Parceiro de cena e amigo, Paulo Gustavo e seu legado artístico são também uma inspiração para a atriz neste trabalho.

"O Paulo tinha uma musicalidade, um jeito de falar que era muito contagioso, não existe nenhuma pessoa que tenha convivido com o Paulo que não tenha herdado alguma coisa do timing de humor dele. Então, sim, tem inspirações claras, não da Marcelina, mas da dona Hermínia", diz. A Dizuíte, por exemplo, usa várias expressões que lembram muito as da dona Hermínia.

A peça iria estrear em 2020 e foi adiada, primeiro por Mariana ter quebrado uma perna e, depois, em função da pandemia. A atriz lembra que o próprio Paulo acompanhou muito dessa produção. "Ele também estava na expectativa desse espetáculo porque ele sabia o quanto era importante para mim. Inclusive eu pensei em desistir durante a pandemia e, uns dois meses depois que ele faleceu, tive um sonho muito bonito com ele sobre a peça. Foi quando eu falei: 'é pra fazer'. Estar no palco é uma forma de homenageá-lo."

Serviço
O quê: Antes do ano que vem, com Mariana Xavier
Quando: quarta-feira (8), às 20h
Onde: Theatro Guarany, rua Lobo da Costa, 849
Ingressos: Site Blueticket
Cadeiras: R$80,00 (inteira) e R$40,00 (meia-entrada)
Camarote 1°ordem: R$70,00 (inteira) e R$35,00 (meia-entrada)
Camarote 2°ordem: R$60,00 (inteira) e R$30,00 (meia- entrada)
Classificação: 12 anos






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