Conquista

Vereadores aprovam Beco da Cultura e Dia do Tambor de Sopapo

Projetos de lei de autoria do vereador Paulo Coitinho tiveram redação final apresentadas à Câmara ontem

Carlos Queiroz - DP - Travessa liga a rua Andrade Neves à praça Coronel Pedro Osório

Dois projetos de lei encaminhados pelo vereador Paulo Coitinho (Cidadania) ganharam o apoio dos parlamentares de Pelotas, um deles batiza a travessa Ismael Soares, como Beco da Cultura. A outra proposta institui o 3 de fevereiro como Dia Municipal do Tambor de Sopapo. O mérito foi debatido na quarta-feira (14) e as redações finais das propostas foram apresentadas na quinta-feira (15) à Câmara de Vereadores. A partir de agora as novas leis são encaminhadas à sanção da prefeita.

"A duas propostas apresentadas são importantes", comenta o vereador. O projeto de Lei Ordinária que cria o Beco da Cultura foi encaminhado pelo autor em maio. A proposta é um incentivo à memória social e artística da cidade. O local, também conhecido como beco da Khautz, foi ligado ao Carnaval e ao samba.

Nos últimos meses diferentes eventos testaram o reconhecimento do público àquele local, como um espaço para manifestações artístico/culturais. "Fizemos três eventos ali de modo experimental e funcionaram muito bem, agora com a lei (de número 57/2023) ficou melhor ainda, porque a gente consegue fazer um calendário anual de eventos, colocar emendas impositivas para viabilizar aquilo que se precisa, como sonorização, palco, entre outras, revitalizar aquele espaço também", comentou o vereador Coitinho.

A travessa localizada entre a rua Andrade Neves e a praça Coronel Pedro Osório. também aguarda por acerto do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com a empresa PR1 Construtora e Incorporadora Ltda, de Caxias. "Já conseguimos colocar luz ali, tirar aquele lixo, ele está limpo hoje, a partir de agora a gente começa a pensar no processo de revitalização, visando a contemplar o empresário que tem o compromisso de fazer isso e a cultura."

A proposta do vereador visa incentivar a prática das artes em todas as suas manifestações de forma gratuita para todos os públicos. Para Coitinho, a Secretaria Municipal de Cultura é o órgão mais adequado para fazer a administração do Beco da Cultura. "Acho que é o órgão que vai colaborar nesse sentido."

A outra proposição institui o 3 de fevereiro, data da morte do músico pelotense Giba Giba (1936-2013), como o dia do Tambor de Sopapo. A ideia de entregar um projeto de lei que pudesse resgatar a história do Sopapo e fosse ainda uma homenagem ao artista surgiu durante a pesquisa que fundamentou a lei que elevou este instrumento musical ancestral a Patrimônio Imaterial da Cultura Pelotense, em 2021.

Este ano, durante a realização do Cabobu, em abril, em conversas com a produtora cultural Sandra Narcizo, amiga e empresária de Giba Giba, o tema voltou a ser insuflado. "A gente viu que ele precisa existir de fato, não pode ser esquecido novamente. Esse é resgate cultural e uma reparação histórica também", fala o vereador.

Ainda não há previsão de quando as leis serão sancionadas. Mas Paulo Coitinho deseja que a assinatura seja feita em meio a um evento cultural no próprio Beco da Cultura, unindo as duas iniciativas, que para ele se complementam. "A minha ideia é que no futuro ali naquela travessa tenha um monumento ao Sopapo."

Legado

Para Sandra Narcizo, sendo o sopapo símbolo da cidade, e patrimônio de Pelotas, seria natural que houvesse um dia especial para este símbolo que é elo ancestral da civilização pelotense. "Este dia serviria para manter a memória de tantos ancestrais e sopapeiros, além de promover, em homenagens e com isso fazer justiça à memória do Giba Giba, que lutou pela preservação e significado deste tambor, criou o Festival Cabobu que também mantém o significado desse instrumento que é reconhecido como um símbolo de união da cultura Negra do Estado que com a força do trabalho ergueu a riqueza desta cidade e não usufruiu dela, na invisibilidade da sua importância e legado", fala.

Segundo Sandra, com as celebrações no dia 3 de fevereiro, serão corrigidas as distorções históricas. "Por meio de homenagens e eventos que dão conta de estabelecer a riqueza do povo preto, num tempo de paz e desejo de equidade racial e social. A cultura preta sendo vista e assegurando o futuro para o entrelaçamento entre todos."


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