Entrevista
"Está na diretoria quem veio da arquibancada", diz o novo presidente do Pelotas, Rodrigo Brito
Em conversa com o DP, mandatário aclamado na última terça projeta primeiras ações à frente do clube, dentro e fora das quatro linhas
Foto: Gustavo Pereira - DP - Próxima competição do Lobo é a Divisão de Acesso, grande foco da direção, marcada para começar em abril de 2023
Por Gustavo Pereira
gustavo.pereira@diariopopular.com.br
Aclamado na última terça-feira (6), Rodrigo Brito será o presidente do Pelotas ao longo do biênio 2023/2024. Ao lado dos vices Vinícius Conrad e Walter Carvalho, além de outros dirigentes que ainda não foram definidos, o médico passa a liderar um novo ciclo dentro do clube. Nesta quinta, o sucessor de Gilmar Schneider no cargo máximo do Áureo-Cerúleo conversou por cerca de dez minutos com a reportagem do Diário Popular.
Britou enfatizou que a principal pauta está dentro dos gramados, mencionando o objetivo de retornar à elite gaúcha - a Segundona começará na metade de abril. Porém, evidentemente não deixou de falar dos problemas financeiros vividos pelo clube. O projeto dos empreendimentos imobiliários em torno da Boca do Lobo seguirá em debate. Segundo o novo presidente, é necessário extrair o máximo de recurso das áreas pertencentes à instituição.
Confira a conversa.
O que te levou a liderar essa chapa para ajudar na reconstrução do Pelotas?
- Eu ajudo o Pelotas há muitos anos. Sempre fui levado ao Pelotas pelas mãos do professor Tavares.Mais ou menos há 25, 30 anos eu ajudo o Pelotas. A minha grande motivação foi tentar reagregar o clube. Por algum motivo ou outro, alguns ex-presidentes se afastaram.
Quais são as primeiras ações que a direção, sob teu comando, pretende tomar? Vocês já têm um panorama do clube?
- A gente já tem um panorama do clube. O Pelotas hoje não é um clube fácil, como todos os clubes do interior. É de difícil gestão. Não é mil maravilhas, mas está bem melhor graças à competência do ex-presidente Gilmar [Schneider], que acertou o âmbito administrativo do Pelotas. Ainda é tudo muito recente, mas nosso objetivo agora é focar no futebol. O Pelotas precisa agir de maneira rápida e certeira para sair desse inferno que é a segunda divisão.
Existe algum encaminhamento feito com relação aos integrantes do departamento de futebol?
- Hoje [quinta-feira] à noite teremos uma reunião, eu e meus pares, para decidir isso. Ainda não temos nomes, porque o futebol no segundo semestre foi tocado pelo vice-presidente Gabriel [Ribeiro], que é um abnegado do Pelotas, e que realmente teve uma disposição e uma competência ímpares. É tudo muito recente ainda, não consegui conversar com o Gabriel para saber se ele tem disponibilidade e tempo. Preciso conversar com ele para saber se vou poder contar com ele. E a comissão técnica vai ser composta só depois que a gente tiver um vice-presidente de futebol.
A questão financeira, o que vocês já sabem? Questão de dívidas, fluxo de caixa. Em que nível está essa dificuldade, na tua opinião?
- É uma dificuldade enorme. A situação financeira do Pelotas não é boa. O Pelotas é um clube que precisa de alguns negócios institucionais para se tornar mais viável. Por enquanto, é um clube que vive de seus abnegados, em uma situação financeira muito difícil. O Pelotas tem muito a receber e poucos pagam. Muita gente deve o Pelotas e não paga. Na minha gestão vamos tentar entender por que isso acontece. Eu, se alugo uma casa e não pago o aluguel, me despejam. E isso não vem acontecendo no Pelotas. Precisa reorganizar a vida financeira. Não vamos fazer um futebol caro, porque futebol caro não é sinônimo de acesso. Um futebol comprometido é sinônimo de que vai subir. Não vai ter folha cara. Vai ser um time humilde, mas brigador, porque só vai vir quem realmente estiver comprometido com a ideia.
Pessoalmente, tu tem ideias de médio e longo prazo para ir incorporando?
- A instituição Pelotas precisa muito que saiam os planos concebidos na gestão do presidente Gilmar a respeito de empreendimentos imobiliários, e a respeito dos imóveis que cercam a Boca do Lobo. Aquilo precisa, de verdade, ser uma fonte de renda para o Pelotas. Independentemente do presidente, o projeto institucional, que é a viabilidade dos projetos imobiliários, tem que sair. E pra isso vai existir uma comissão dentro do Pelotas para cuidar só disso. A maior obrigação que a gente tem é focar na segunda divisão. O Pelotas precisa sair dela para voltar a ser viável. Segunda divisão e a camisa do Pelotas não combinam.
Que recado pode deixar ao torcedor do Pelotas?
- O recado é bem claro: está na diretoria quem veio da arquibancada. Agora não existe não apoiar. O Pelotas precisa do apoio. Precisa do torcedor dentro da Boca do Lobo. Precisa que o torcedor vista a camisa diariamente. Se não tiver a proximidade do torcedor, se não encher a arquibancada, não vamos conseguir nosso objetivo. O maior patrimônio do Pelotas não é a Boca do Lobo, é o torcedor. E para a gente conseguir sair do inferno da segunda divisão, o torcedor tem que estar junto.
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