Lembrança

Há quase 44 anos, uma das primeiras grandes noites de Brasileirão na Baixada

Relatos da vitória do Xavante sobre o Atlético Mineiro, em 1979, lembram do estádio lotado e da atuação de Jorge Luis, o “Louco”

Foto: Acervo - DP - Edição do DP de 22 de novembro de 1979 repercute a partida da segunda fase do Campeonato Brasileiro

Os giros do mundo do futebol propiciam, de tempos em tempos, a visitação de memórias eternizadas na história do esporte, de clubes e de pessoas. Ainda na esteira da definição do novo encontro do Xavante com o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil, o único duelo entre os dois traz de volta à tona o que foi uma das primeiras noites de Campeonato Brasileiro no Bento Freitas. Em 1979, deu Rubro-Negro: 2 a 1. 

No dia 21 de novembro há quase 44 anos, o Brasil levou a melhor contra o estrelado time do Galo. Os gols do Brasil naquele jogo foram marcados por Flecha e Valdeci. Mas os relatos atribuem a Jorge Luis, o “Louco”, o título de destaque individual da partida. 

Do outro lado estavam jogadores de nível de Seleção Brasileira. O goleiro João Leite, o meia Paulo Isidoro e o atacante Reinaldo, todos na lista dos maiores ídolos do clube de Belo Horizonte, começaram como titulares da equipe dirigida por Procópio Cardoso. Quem descontou para o Atlético foi Luis Alberto, em meio aos gols rubro-negros.

“O fanatismo segue o mesmo”

Presente na partida, o jornalista Jairo Sanguiné tinha apenas 15 anos. Ao conversar com a reportagem do DP, ele recorda que entrou no estádio após encarar uma fila “gigantesca”, e o placar já favorecia o Brasil. Afinal, Flecha colocou o Xavante em vantagem logo aos seis minutos de bola rolando. 

“Não mudou muito, o fanatismo segue o mesmo. Imagina a expectativa de receber craques como Reinaldo, Paulo Isidoro, João Leite...”, relembra Jairo ao ser perguntado sobre o clima em Pelotas às vésperas do jogo.
“Hoje estamos mais acostumados a receber times grandes, mas naquela época éramos muito pequenos. Então imagina o clima, ainda mais com vitória e olé de um dos nossos”, complementa o torcedor rubro-negro, que hoje vive no Rio de Janeiro.

Jorge Luis, o “Louco”

O “olé” ao qual Jairo se refere passou muito pela atuação do meia Jorge Luis. Apelidado de “Louco”, ele é um dos nomes mais marcantes da história do futebol pelotense. Vestiu também as camisas de Pelotas e Farroupilha. Faleceu em 2013, vítima de um câncer. 

“Lembro dele fazendo malabarismos, chapéu, caneta… jogou muito. A torcida em delírio”, diz o jornalista. Quem também destaca o desempenho de Jorge Luis é o ex-presidente xavante, Claudio Andrea. Questionado a respeito das recordações daquela noite, logo fala: “Me lembro da performance do Louco, Jorge Luis. Arrasou”.

Estádio cheio

Os arquivos de Brasil 2 x 1 Atlético Mineiro, pela quinta rodada da segunda fase do Brasileirão de 1979, indicam a presença de 12 mil torcedores no Bento Freitas, que estava lotado. Foi a segunda participação do Xavante na primeira divisão nacional. A primeira havia sido no ano anterior, fruto da vitória sobre o Pelotas na Seletiva realizada em 1977. 

Após fazer campanha ruim em 1978, com apenas um triunfo em 12 partidas na primeira fase, que era regionalizada, o Brasil acabou em 31º lugar na temporada seguinte. O presidente em 79 era Clóvis Russomano, e o técnico Laone Luiz Luz. Dono de campanha invicta até a segunda etapa, o Xavante não conseguiu avançar à terceira fase. 

Conforme a edição de 22 de novembro de 1979 do DP, a escalação do Rubro-Negro nos 2 a 1 sobre o Galo teve Gilberto; Luís Carlos, Renato Mineiro, Renato Côgo e Cláudio Radar; Doraci, Odir e Jorge Luis; Flecha, Valdeci (Luisinho) e Djair. 

O Atlético atuou com João Leite; Alves, Osmar, Silvestre e Nei Dias; Geraldo, Ângelo e Luis Alberto (Fernando Roberto); Paulo Isidoro, Reinaldo e Rômulo. O Galo chegou à terceira fase mas não conseguiu vaga nas semifinais. Ficou no grupo da histórica equipe do Internacional, que acabou campeã invicta.

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