Copa 2022

Zebra histórica: de virada, Argentina perde por 2 a 1 para a Arábia Saudita

Mesmo abrindo o placar cedo, com Messi, de pênalti, Albiceleste é surpreendida pelos asiáticos em jogo marcado por impedimentos e vê ser encerrada sequência invicta de 36 partidas

Foto: Divulgação - Fifa - Al-Dawsari encontrou espaço na defesa argentina e acertou o ângulo de Emiliano Martínez para virar o marcador, no início do segundo tempo

Por Gustavo Pereira

gustavo.pereira@diariopopular.com.br

Matéria atualizada às 15h05min com o resultado de México x Polônia.

Copa não é Copa se não tem zebra. E a primeira grande surpresa da edição 2022 aconteceu nesta terça-feira (22). Invicta há 36 partidas, desde julho de 2019, a Argentina, uma das favoritas ao título no Catar, perdeu por 2 a 1 para a Arábia Saudita, no estádio Lusail, região metropolitana de Doha. O triunfo dos asiáticos na rodada de abertura do grupo C se torna ainda mais chocante pelo fato de que, aos dez minutos, Lionel Messi abriu o placar em cobrança de pênalti. Ao contrário das expectativas de uma goleada, porém, os sauditas conquistaram uma incrível virada e seguraram a vantagem na etapa final.

O histórico jogo coloca a equipe do técnico francês Hervé Renard na ponta da chave, que teve empate sem gols entre México e Polônia, também nesta terça-feira. O goleiro mexicano Guillermo Ochoa defendeu um pênalti cobrado por Lewandowski, já no segundo tempo. Como consequência da derrota, primeira em estreia de Copa desde 1990 (quando depois chegou à decisão), a Albiceleste agora se vê obrigada a bater os mexicanos no sábado, a partir das 16h, novamente no Lusail. A Arábia enfrenta os europeus, no mesmo dia, às 10h.

O que começou bem, terminou mal

Logo cedo, o árbitro de vídeo sugeriu ao esloveno Slavko Vincic que fosse ao monitor conferir um lance entre Abdulhamid e Paredes, em escanteio. A decisão foi de pênalti a favor dos hermanos. Com muita categoria, Lionel Messi deslocou Al-Owais e colocou a Argentina em vantagem aos dez minutos. Parecia o início perfeito: em sua despedida de Mundiais, o craque já tinha um gol marcado; seu sétimo na história do torneio, em quatro edições diferentes. Antes da bola na rede, havia levado perigo em chute de canhota que o goleiro defendeu.

Mas o comportamento tático da seleção asiática, apoiada por vários torcedores locais no Lusail, dificultou bastante o jogo de aproximação do time dirigido por Lionel Scaloni. A Albiceleste não se sentiu confortável para circular a bola; Messi pouco teve espaço para receber entre as linhas de marcação, como gosta. Apostando em um bloco defensivo alto e compacto, a Arábia Saudita forçou uma série de impedimentos.

Um primeiro tempo de impedimentos

Até o intervalo, a partida registrou o recorde de impedimentos em um só tempo nos últimos quatro Mundiais. Foram sete bandeiras levantadas para impedir ataques argentinos. Em um deles, Messi recebeu em profundidade e marcou o segundo - o auxiliar apontou condição irregular ainda no campo.

Em seguida, aos 27 minutos, Lautaro Martínez foi acionado por Papu Gómez e tocou por cima do goleiro. Desta vez, o impedimento semiautomático, novidade da Fifa para esta Copa, identificou que o atacante estava à frente do penúltimo defensor: mais um offside.

Oito minutos de choque

Apesar de não convencer pelo desempenho, a seleção sul-americana conseguiu ir aos vestiários com a esperada vantagem no marcador. Mas a postura não mudou para o segundo tempo, e tudo ruiu em meros oito minutos. Aos três da etapa final, Al-Shehri ganhou de Romero e chutou cruzado, no canto de Martínez. A primeira finalização dos sauditas no jogo resultou em bola na rede: 1 a 1.

Os argentinos sentiram o golpe. Logo na sequência, aos oito, Al-Dawsari pegou sobra de ataque perigoso que a defesa afastou parcialmente. Com habilidade, o camisa 10 da Arábia tirou De Paul e Di María, encontrou espaço e acertou uma linda batida colocada. Martínez tocou na bola, porém não impediu a quase inacreditável virada asiática: 2 a 1.

Sem forças para se recuperar

Atônico, Scaloni mexeu no time. Promoveu três substituições de uma só vez, colocando Enzo Fernández, Lisandro Martínez e Julian Álvarez nas vagas de Paredes, Romero e Papu Gómez. Nada deu certo. A Argentina parecia presa, nervosa. Como se não tivesse tirado o peso das costas com o título da última Copa América, no Maracanã, contra o Brasil.

Messi não fez um bom segundo tempo. Incomodado com o pouquíssimo espaço dado pelos adversários, o camisa 10 viu sua melhor oportunidade de empatar ser bloqueada pelo zagueiro, antes mesmo de concluir ao gol. O goleiro Al-Owais, então, virou a figura do jogo.

Estranhamente desordenada, a Argentina não levou perigo aos sauditas. Messi cobrou uma falta frontal por cima do travessão. Di María, pela direita, não conseguiu se sobressair nos duelos físicos diante da marcação. Pelo alto, o próprio Messi conseguiu uma cabeçada ao gol, mas a bola saiu fraca, nas mãos do goleiro. Nem mesmo os 14 minutos de acréscimo serviram para os hermanos.

Agora, será necessário vencer México e Polônia para ir às oitavas de final. E além disso, se recuperar de um golpe que o mundo inteiro não esperava.

Ficha técnica

Argentina (1): Emiliano Martínez; Molina, Romero (Lisandro Martínez), Otamendi e Tagliafico (Acuña); Paredes (Enzo Fernández), De Paul; Di María, Messi e Papu Gómez (Julian Álvarez); Lautaro Martíenz. Técnico: Lionel Scaloni.

Arábia Saudita (2): Al-Owais; Abdulhamid, Al-Tambakti, Al-Bulayhi e Al-Shahrani (Al-Burayk); Kanno, Al-Malki, Al-Faraj (Al-Abid / Al-Amri), Al Shehri (Al-Ghanam) e Al-Dawsari; Al-Brikan (Asiri). Técnico: Hervé Renard.

Gols: Messi, aos 10' 1T (ARG); Al Shehri, aos 3' 2T, e Al-Dawsari, aos 8' 2T (ARS).

Cartões amarelos: Al-Dawsari, Al-Abid, Al-Malki, Al-Bulayhi, Abdulhamid e Al-Owais (ARS).

Arbitragem: Slavko Vincic.

Local: estádio Lusail.

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