DP em ação

131 anos de razões para acreditar

Aniversariante do dia, Diário Popular deu espaço a mais de 40 iniciativas solidárias desde o início da pandemia

Se você, leitor, está lendo esta reportagem no jornal impresso, fica o convite a apreciá-la percebendo o toque do papel nos dedos. Se a leitura é pela web, o convite é para rolar a página até o fim. Se pelo flip, a pensar o quão inovador é folhear um jornal digitalmente. Hoje são muitas as formas para que você siga acompanhando o Diário Popular - maneiras estas inimagináveis lá no início da história do Jornal, que completa nesta sexta-feira, 27 de agosto, 131 anos de história.

As adaptações, necessárias com as diversas evoluções e transformações que percorreram e percorrem esses três séculos de atuação, fazem com que o Diário Popular siga acompanhando o que deve ser apurado, repercutido e informado para a sociedade. Esta, inicialmente apenas pelotense, hoje se expande cada vez mais com as inovações tecnológicas. O que acontece em Pelotas, na região, no Rio Grande do Sul, no país e em todo o mundo está nas páginas impressas e digitais do DP e também nas redes sociais, acessível, da mesma forma, em qualquer parte do mundo. A fonte confiável da Zona Sul trabalha com o fato de que a informação e o conhecimento libertam o ser humano. E mais do que isso: elas também ajudam.

Ainda falando em adaptações, no último um ano e meio elas fizeram-se, mais do que nunca, presentes na rotina de todos. Com o início e o avanço da pandemia da Covid-19, foi preciso inovar, reinventar e aprender novos hábitos, que perduram ainda, como o uso de máscara, o distanciamento social, o controle da vontade de abraçar e de estar junto daqueles que são amados. Também foram evidenciados alguns desafios mais complicados. Foi preciso lutar pela sobrevivência. Contra a morte, a fome, a vulnerabilidade social.

Do dia 11 de março de 2020, quando o Diário noticiou o primeiro caso confirmado do novo coronavírus no Estado, até esta sexta-feira (27), já se passaram 442 edições impressas e incontáveis publicações no site. Dentro desses números, estão as mais de 40 iniciativas de entidades e projetos sociais que foram divulgadas para que, através da ampliação do papel social do DP, os impactos da pandemia pudessem ser amenizados àqueles que se viram sem renda, sem ter o que comer e sem uma expectativa por dias melhores.

Ao longo desse período, foram apresentadas ações de instituições quase centenárias e independentes; permanentes e temporárias; para uma comunidade e para uma família ou pessoa específica. E, assim como a pandemia, todas seguem acontecendo e, para isso, ainda contam com a solidariedade. É o caso, por exemplo, do grupo do WhatsApp de mulheres vizinhas do bairro Navegantes, que hoje é uma Organização Não Governamental (ONG) que atende em todas as regiões de Pelotas, desde a divulgação da iniciativa no Jornal.

Eliana Barcellos, diretora do Centro de Educação, Esporte, Cultura e Lazer Cuidando de Nós, diz que o grupo "tomou uma proporção que não era imaginada". O aumento da força e do poder de ajuda motivou e confirmou o desejo das dez mulheres que atualmente compõem a diretoria: o de ser um alicerce para a comunidade. "Não somos um centro de assistência social, nossa mola mestre não é só doar roupas e alimentos. Não que isso não seja importante, isso é importantíssimo e na atual conjuntura, então, muito mais, porque com fome e frio tu não aprende nada. Então [fazemos isso] para resgatar a dignidade das pessoas, para sermos um mediador entre a comunidade e quem pode doar", apontou Eliana.

Ela conta que os planos para o pós-pandemia estão a cada dia mais claros: ofertar aulas de reforço, montar uma horta comunitária, promover cursos capacitantes em diversas áreas, fazer parte de um bairro empreendedor, sem deixar de dar assistência com alimento e roupa a quem precisa. "A gente quer qualificar essas pessoas, não queremos que elas fiquem a vida inteira na fila do pão, da sopa e da roupa. A gente quer dar dignidade para essas pessoas (olho). E como é que se faz isso? Melhorando a qualidade de vida dessas pessoas", destacou.

"Depois que vocês fizeram a matéria, no outro dia o telefone não parava de tocar. O pessoal dizia 'eu vi no Diário, eu vi no diário, o que eu posso fazer? Vocês aceitam tal coisa?'. Então o Jornal cumpriu lindamente o seu papel, que é de integrar a sociedade. Antes atendíamos só o Navegantes, mas o Diário Popular acabou nos dando visibilidade e hoje atendemos Santa Terezinha, Sítio Floresta, Balsa, para todo lado a gente foi, até para Rio Grande", comemorou Eliana, enquanto mostrava as cestas básicas que já estavam prontas para serem encaminhadas a um destino final: a mesa de quem precisa.

Durante a meia hora em que a reportagem ficou no local, mais de cinco famílias, previamente cadastradas e acompanhadas pela tesoureira Delvanira Silva, buscaram ajuda. Uma delas foi a da dona Nóris, que apesar da chuva estava disposta a carregar a pesada sacola - graças às doações - para alimentar a si, a filha e os dois netos pequenos. Tendo como única renda o Auxílio Emergencial do governo federal, que encerra em novembro, enquanto recebia uma carona para casa, ela contava como conheceu o Cuidando de Nós. "Eu ouvi os vizinhos comentando e resolvi pedir ajuda. Essa é a quarta cesta que tenho e devo isso a elas. Agora tenho o que comer", disse, aliviada.

A motivação encontrada por este grupo, que teve início durante a pandemia, também é o combustível do Instituto de Menores Dom Antônio Zattera (IMDAZ) para, há 97 anos, querer transformar a realidade de muitas famílias em vulnerabilidade social. Nesses quase cem anos de história, e com muitas dificuldades vividas, a diretora do instituto, Patrícia Frank, tem a certeza de que os colaboradores viram "um retrato muito triste" da crise sanitária.

"Sabemos que a pandemia atingiu a todos, só que uns foram mais atingidos do que outros. Agora, com o retorno, vemos mais ainda que a saúde não é igual para todos, a educação não é igual para todos, a realidade não é igual para todos, a vulnerabilidade é muito grande e as políticas públicas não estavam preparadas para um momento pandêmico. Tinha criança que vinha com fome mesmo, não tinha jantado, não tinha tomado café. Repetia três, quatro vezes o prato que servíamos. Como iríamos negar? Dizer que só podia comer uma vez? Dava para ver que ela estava armazenando para não sentir mais fome, pelo menos naquele dia", relatou Patrícia.

Ao todo, 279 crianças dependem do serviços do IMDAZ e este depende de doações e da solidariedade dos pelotenses para existir. Além de assistir esses jovens, 148 cestas básicas começaram a ser distribuídas todos os meses devido à Covid-19. "São para famílias que estão desempregadas, perderam o responsável pela renda ou que descobriram alguma doença nesse meio tempo e ainda não tiveram acesso ao [Instituto Nacional do Seguro Social] INSS", explicou.

Outras histórias que aguardam um final feliz

Em junho, a equipe de reportagem do Diário Popular contou a história do Elói Brasil, de 50 anos. Desempregado e impossibilitado de pagar o aluguel da casa onde morava, ele pegou as duas cachorrinhas, suas únicas companheiras, e foi morar na rua, mais especificamente na praça Piratinino de Almeida. Na época, ele foi à Secretaria de Assistência Social (SAS) da prefeitura com apenas o pedido de que pudessem ajudar Fri e Meggie, pois não queria deixá-las na rua. A ajuda não foi possível, mas o gesto e a história comoveram Viviane Sicca, que atua na SAS, e, através das redes sociais, ela iniciou uma mobilização por seu Elói. Viviane conta que a matéria, publicada pelo DP no dia 18 de junho, ajudou a impulsionar a rede de solidariedade. "Algumas pessoas me procuraram para ajudar com alimentos, roupas e corte de cabelo. O Diário ajudou muito mesmo", comentou a servidora.

Seu Brasil, nesses dois meses, conseguiu uma casa, através da rede solidária que se formou para ele, Fri e Meggie. Ele também havia conseguido um emprego, porém por apenas 30 dias. "Está tudo bem comigo. Graças a Deus os meus bichinhos estão bem. Agradeço a vocês que me ajudaram, estou muito agradecido, só estou desempregado, peguei uns biquinhos, mas aí o rapaz mandou o pessoal embora e fui embora também", compartilhou, acrescentando: "a pessoa que gosta de trabalhar, sente falta do serviço".

Faz parte da nossa história

A divulgação de campanhas, de ações e iniciativas acompanha o Diário Popular desde o início. A diretora Virgínia Fetter ressalta: "isso faz parte da nossa história". "Nós fazemos todos os anos, porque o inverno é rigoroso, a fome aumenta, o emprego está escasso, sempre teve isso. Agora que aumentou barbaramente, então, a gente já tem essa disposição para se dedicar a essa área social que precisa", contextualiza.

"A informação e a divulgação são o nosso papel principal. A nossa principal função num momento como esse é a de dar visibilidade às atividades que estão sendo desenvolvidas na comunidade (olho), então acho que atingimos esse propósito. As matérias facilitam e dão encaminhamento, porque às vezes as pessoas têm muita coisa em casa e não sabem como doar, então, além de divulgar a ideia, saber qual lugar precisa mais, o Jornal dá o caminho, ensina como chegar lá. Ninguém deixa de contribuir por falta de informação", analisa Virgínia.

Como ajudar?

Cuidando de Nós: WhatsApp (53) 98421-5328;
IMDAZ: (53) 3228-5505, avenida Domingos de Almeida, 3.150;
Elói Brasil: WhastApp (53) 98436-0297.

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