Mobilização

A luta pelo sim à doação de órgãos que se intensifica em setembro

Dia Nacional do Incentivo à Doação de Órgãos é celebrado este mês; em 2023 no RS, doações aumentaram 36% em relação ao mesmo período de 2022

Helena Schuster - DP - Após receber fígado, Almeida busca conscientizar as pessoas sobre o ato

Sim. Essa é a única palavra que mais de 2,7 mil pessoas à espera de um transplante no Rio Grande do Sul desejam ouvir quando o assunto é doação de órgãos. Em alusão ao Dia Nacional do Incentivo à Doação de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro, este mês é marcado por uma mobilização ainda maior de pessoas e instituições na busca pela conscientização da população sobre o tema.

Essa é uma bandeira levada com muito orgulho pelo fotógrafo Phillyp Almeida, 35, que recebeu um novo fígado há pouco mais de um ano, após cerca de oito meses na lista de espera. Natural de Jaguarão, ele nasceu com uma condição chamada atresia biliar que, ao longo da vida, foi agravando sua condição de saúde, que culminou na necessidade do transplante. "No dia 21 de julho de 2022, recebi a ligação mais importante da minha vida. Sou extremamente grato ao amor e generosidade da família doadora por ter dito sim à doação de órgãos", relembra.

Almeida chegou a criar um perfil nas redes sociais, a Liga Pelotense Doe Órgãos, para continuar na luta de conscientização sobre a causa. "Acho que é meu dever. Fiz a página para entender a nova vida que eu vivo e fazer alguma coisa, mesmo que seja no meu cantinho, para retribuir um pouco do que a família que disse sim fez por mim", explica. Para ele, é fundamental que a população busque se informar sobre o tema.

Mobilização para lutar por direitos

É com este mesmo objetivo, de disseminar a mensagem da solidariedade, que uma conhecida figura da comunidade pelotense conduz a nova chance de vida, que veio através do transplante dos dois pulmões em novembro de 2022. Ainda na lista de espera, o professor Edelbert Krüger, 68, já via a necessidade de uma representação oficial das lutas, direitos e dificuldades de quem vive à espera de um órgão. "Comecei a perceber que nós estávamos totalmente desarticulados", relembra.

Assim surgiu a Associação Nacional de Pré e Pós Transplantados (Anppt), oficializada em janeiro deste ano. Atualmente, sete pessoas compõem a direção e cerca de 400 fazem parte do quadro social. Para Krüger, a organização tem ocupado, cada vez mais, um espaço importante na sociedade. Para ele, a campanha de conscientização "O amor vive", lançada pelo governo do Estado no dia 29 de agosto, foi influenciada pelas reuniões e discussões promovidas pela Anppt.

Krüger afirma que, hoje, a negativa familiar é um dos grandes desafios para a doação de órgãos e exemplifica como ainda é pequena a adesão à causa. "A chance de uma pessoa estar na fila de transplantes é cinco ou seis vezes maior do que ela ser doadora de órgãos", comenta. Por isso, uma das principais lutas abraçadas pela Anppt recentemente é a discussão sobre a doação compulsória de órgãos, política já adotada em diversos países mundo afora. "A doação presumida diria que todo brasileiro acima de 16 anos é doador de órgãos. Se não quiser, basta expressar que não é doador. No Brasil, hoje, é a situação contrária", comenta. Conforme o professor, essa medida teria potencial de zerar a lista de espera por transplante no País.

Busca ativa pelo sim

Para ser doador de órgãos no Brasil, é necessário informar à família a vontade de doar. Para a doação se concretizar, também é necessário que tenha sido decretada a morte encefálica do paciente. É nesse cenário que a equipe da Organização de Procura por Órgãos (OPO) atua.

A enfermeira Viviane Mendonça, que faz parte da OPO da região Sul, explica que o trabalho das OPOs também abrange a educação intra e extra hospitalar, sempre buscando a conscientização da importância da doação. Segundo ela, apesar da resposta negativa ainda ser muito grande entre as famílias por aqui, este ano o cenário melhorou na região. "Em 2023, até agora, foram 39 notificações de morte encefálica, oito doações e 17 negativas familiares. É pouco ainda, mas está sendo melhor que o ano passado", observa. Em 2021 e 2022 foram feitas, respectivamente, seis e nove doações em todo o ano.

Para Viviane, campanhas e acontecimentos marcantes, como o transplante do apresentador Faustão nas últimas semanas ou a história sobre a doação dos órgãos de Gugu Liberato após sua morte em 2019, fazem diferença na captação de doadores e nas entrevistas familiares, além de abrir precedente para que se fale sobre a eficiência e transparência da lista de espera e doação de órgãos no País. "É nítido, quanto tem campanhas ou até algo na televisão, como uma novela ou um filme, aumenta muito. São coisas assim que sensibilizam as pessoas e fazem elas se perguntarem porque não doar", comenta.

Um retrato da doação de órgãos no RS em 2023
Janeiro a julho de 2023

Notificações de morte encefálica - 474
Doadores efetivos de órgãos - 164


- Dos 164 doadores de órgãos no RS este ano, foram captados 441 órgãos
- A recusa familiar foi a maior responsável pela não efetivação das doações. Ao todo, 138 famílias recusaram a doação de órgãos. Não declarar ser doador em vida foi a maior causa da resposta negativa.

Janeiro a julho de 2023
- 306 transplantes de rim
- 85 transplantes de fígado
- 24 transplantes de pulmão
- 8 transplantes de coração

Lista de espera até dia 28 de agosto de 2023
Órgão Número de receptores ativos
Coração 16
Córneas 1.202
Fígado 169
Pulmão 62
Rim 1.307

Janeiro a julho nos últimos três anos
Ano    Número de transplantes realizados
2021  207
2022  346
2023  474
Fonte: Central Estadual de Transplantes

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