Solidariedade
A ajuda que o próximo precisava
Projeto distribui mais de 200 almoços por semana para moradores de rua e pessoas carentes
Jô Folha -
Há mais de dois anos, voluntários da Primeira Igreja Batista de Pelotas oferecem almoço para moradores de rua e pessoas carentes. A refeição, que é distribuída toda quarta-feira, muitas vezes é o primeiro almoço semanal de alguns. Com a pandemia, a procura ficou ainda maior. O projeto é mantido com recursos da instituição e com doações que chegam ao local.
O responsável pela iniciativa é o pastor Olavo Vigil. Ele conta que a ideia surgiu após chegarem até a igreja muitos pedidos por alimento. Foi quando, com a ajuda de frequentadores, o pastor se mobilizou para proporcionar uma refeição digna a essas pessoas. Inicialmente, tudo era servido no interior do local, mas com a chegada da pandemia, e com os protocolos de distanciamento, foi necessária uma readequação para o trabalho não ser interrompido. Para a distribuição das marmitas foi colocada uma mesa em frente ao prédio e os acolhidos recebem o almoço em um formato 'pegue e leve'. Mesmo com as restrições, o banho e a doação de roupas - que também são oferecidos - continuaram.
Seu Jader da Silva, 38 anos, já foi morador de rua e sabe das dificuldades enfrentadas por eles. Com muita luta conseguiu um teto para morar e foi até o local garantir sua refeição do dia. "Essa ajuda é muito importante para as pessoas que não têm onde morar. Eu já fiquei na rua e sei como é. Esse almoço ajuda a pessoa a viver".
Um dos voluntários do projeto é o chef de cozinha Marcelo Bicca, responsável pela preparação do almoço. Mesmo passando por dificuldades, ele se disponibilizou a ajudar os mais necessitados. Bicca é dono de um buffet de eventos e está sem poder trabalhar desde março do ano passado. Para amenizar a crise, tem feito produtos caseiros para serem comercializados, além de prestar serviços para alguns restaurantes quando é chamado. "Eu tenho esse dom de cozinhar e poder usá-lo para ajudar o próximo é muito satisfatório", disse. Emocionado, Bicca relembrou que já houve um caso em que, ao pegar a marmita, o acolhido disse que aquela era sua primeira refeição da semana.
Mudança no público
Inicialmente eram atendidas em média 35 pessoas, número que aumentou para mais de 200. O pastor atrela esse crescimento à chegada da pandemia, já que houve um agravamento da crise econômica no país. Outra mudança apontada por Vigil quanto ao público que tem ido até à igreja em busca de almoço. "Começaram a vir aqui pessoas desempregadas, com o currículo dentro de uma pasta, procurando emprego, e trabalhadores aqui da volta, para buscar equilibrar as contas".
Um desses exemplos é o casal Tatiana Rocha e Felipe Santos. Ela é costureira e não consegue trabalhos desde o inicio da pandemia. Já Felipe, é servente de pedreiro e acabou perdendo o emprego. Os dois recorreram ao auxílio emergencial, que deixou de ser depositado em dezembro. Desde então, as refeições têm sido feitas através de ações como as do projeto. "Estamos vivendo com ajuda do auxílio (emergencial) e de doações. Esses R$ 150,00 que o governo está dando é muito pouco", comentou Santos.
Para poder atender ainda mais pessoas, o objetivo é ampliar os dias de distribuição do almoço. Para isso, no entanto, será necessário um número maior de voluntários e de doações. Como muitos trabalham ou possuem outros compromissos, com a equipe atual ainda fica inviável. Por isso a necessidade de mais contribuições. A doação de alimentos também é necessária para que o serviço seja mantido.
Para doar
Telefone: (53) 99940-9893 - Pastor Olavo
Redes Sociais: facebook.com/pibpel
Itens mais necessários:
- Arroz
- Feijão
- Óleo
*Todo tipo de doação é bem vinda.
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