Para ficar na memória
Agradecimento em forma de poesia
Ainda internado, paciente de Covid-19 escreveu versos para dedicar aos profissionais de saúde do HE-UFPel
Divulgação -
Cada carinho, cada gesto. Não há como agradecer. Quando somente os olhos você consegue conhecer... O verso abre uma das três poesias dedicadas à equipe do Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), onde o eletricista Denilson Eslabão Cunha, 47, ficou internado até vencer a Covid-19 e voltar para casa, no bairro Fragata. A homenagem pode ser estendida a todos os profissionais de saúde que permanecem, há seis meses, nas linhas de frente para derrotar o novo coronavírus.
A inspiração foi jogada ao papel, ao se ver diante de uma provocação: Essa folha em branco é sua. Utilize-a para expressar o que você desejar. E foi o que fez, em 17 de agosto, um dia antes de receber alta. "Não vai ter poesia pra descrever todo o cuidado que recebi", resume, ao conversar com o Diário Popular.
A hospitalização durou uma semana; o suficiente para o "Bom dia" de cada manhã, um copo de água alcançado e o suporte para os momentos de higiene e de alimentação ficarem marcados. Os gestos têm peso ampliado, devido à impossibilidade de os pacientes contarem com acompanhante devido ao risco de contaminação.
Denilson Cunha não precisou ser encaminhado à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Ficou na Enfermaria, onde fez uso de oxigênio e venceu uma pneumonia provocada pela Covid-19. E, embora a internação não tenha se prolongado, acompanhou quadros se agravarem e sentiu de perto a pressão e a insegurança crescerem.
Hoje, em casa, ainda convive com as sequelas da doença: sente a respiração curta e procura driblar a sensação de cansaço ao caminhar. Ao manter contato com parte dos profissionais do HE-UFPel, pelas redes sociais, descontrai: "Quando tudo isso passar, teremos que fazer a dancinha do adeus ao Covid". E ao analisar o cenário e os dados, do Brasil e do mundo, tem uma certeza: "Essa pandemia veio para as pessoas pensarem".
E nessas tantas reflexões, as poesias têm fluido, exatamente como ocorria na adolescência, quando dedicava versos a colegas do antigo Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça (CAVG).
O reconhecimento que fortalece
Os olhos da técnica em Enfermagem, Katiuscia Machado da Costa, foram alguns dos que Denilson Cunha pôde conhecer, em meio aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que escondem a fisionomia dos profissionais de saúde. Ao servir de porta-voz da equipe, a jaguarense de 37 anos é enfática: "Esse tipo de manifestação de carinho é muito importante. Nos dá a sensação do dever cumprido".
E nesses tempos pesados, marcados por morte e angústia, receber um manifesto concreto de reconhecimento serve, sim de força para enfrentar os desafios. Para encarar outros tantos plantões que estão por vir. Dentro da pandemia. Ou mesmo fora dela.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário