Despedida
Agricultura gaúcha perde Tarso Teixeira
Veterinário, formado na UFPel, morreu nesta segunda-feira aos 69 anos vítima de complicações do novo coronavírus
Divulgação -
Um dos líderes rurais mais influentes do Estado do Rio Grande do Sul morreu às 1h40min desta segunda-feira (4), na CTI do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, onde estava internado desde o começo de dezembro do ano passado, vítima de complicações decorrentes da Covid-19. Tarso Teixeira, superintendente do Incra no Rio Grande do Sul e vice-presidente da Farsul, tinha 69 anos e deixa esposa, três filhos e dois netos.
Nascido em São Sepé em 17 de outubro de 1951, filho de Olga Simões Pires Teixeira e João Nepomuceno Teixeira, que por vinte anos foi presidente do sindicato rural daquele município. Médico veterinário formado pela Universidade Federal de Pelotas em 1975, co-gestor da Fazenda Boa Vista em São Sepé e técnico aposentado da Secretaria de Agricultura do Estado. Foi diretor industrial da Cooperativa Rural Gabrielense (Corugal) e da Cooperativa de Carnes Rio Vacacaí (Cooriva), empresa que foi proprietária da atual planta do Marfrig Group em São Gabriel.
Fundador do Núcleo de Criadores de Ovinos em São Gabriel, foi vice-presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ille de France, e curador da Feira de Terneiros de São Gabriel.
Teixeira também foi presidente do Sindicato Rural de São Gabriel de 2003 a 2019, e desde 2006 era um dos vice-presidentes da Farsul, tornando-se uma voz respeitada na defesa do direito à propriedade. Atuou em conquistas como a mudança do status de São Gabriel e Santa Margarida do Sul no zoneamento agroclimático da soja, e na implantação do florestamento como matriz econômica da região.
Defensor da posse da terra
À frente da superintendência do Incra no Rio Grande do Sul, viabilizou a entrega de títulos definitivos para mais de 300 famílias assentadas em todo o Estado, além de firmar parcerias com as prefeituras para investimentos e melhorias em infraestrutura produtiva, captando milhões em recursos federais para estes municípios. Como escritor, é autor dos livros “Visão da Terra” (2004), “Utopias do Atraso (2009) e “Combatendo o Bom Combate” (2019), da Martins Livreiro Editora.
Deixa um legado de trabalho, competência e integridade em suas ações em prol do desenvolvimento da agricultura e a redução das desigualdades na área rural.
Ao longo do dia, sua rede social ficou repleta de mensagens de entidades ligadas ao campo e de autoridades de diferentes esferas públicas que lamentaram a partida do líder ruralista.
O Sistema Farsul lamentou a morte e lembrou que Teixeira era reconhecido como um grande defensor dos produtores rurais e do agronegócio, especialmente do direito à propriedade. A Superintendência do Incra no Rio Grande do Sul também lamentou o ocorrido e destacou as ações feitas por ele junto à entidade e que garantiu a titulação definitiva de áreas de reforma agrária a centenas de gaúchos.
“Nunca vi homem com tamanha disposição. Cruzava o Estado e circulava pela capital nacional como um meteoro, com extremo foco, concretizando em minutos aquilo que outros levavam anos ou nunca conseguiram realizar. Homem de coragem, destemido, dizia verdades que somente os fortes são capazes de dizer. Sem dúvida alguma, fez a diferença, foi um exemplo. Temos a obrigação de seguir sua missão.”, escreveu o chefe-geral da a Embrapa Clima Temperado, Roberto Pedroso de Oliveira.
Os atos fúnebres foram realizados em São Gabriel, onde ele residia.
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