Solidariedade

Aposentada confecciona roupas de bebês para famílias em situação de vulnerabilidade

Aos 87 anos, Eva Reimers se dedica à confecção e doação de roupas a crianças recém-nascidas

Carlos Queiroz -

Fazer o bem ao próximo não tem idade definida. Aos 87 anos, Eva Reimers é a prova de que um dos segredos para a longevidade saudável pode ser a solidariedade. A aposentada confecciona há anos roupas de bebês destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade. Quem ganha não são somente aqueles que recebem as doações, mas também quem disfruta da vitalidade e do modo positivo de viver da idosa.

Já vacinada com as duas doses contra a Covid-19, Eva recebeu a reportagem do Diário Popular com suas confecções expostas no sofá e um grande sorriso no rosto. Muito ativa e disposta, brinca que “não trocaria a si mesma por duas meninas de 20 anos” e que ainda domina todos os afazeres de casa. “Eu digo para o pessoal aqui que, no dia que eu morrer, coloquem uma sacola com lã junto porque lá em cima não vai ter onde comprar lã e eu não posso ficar sem fazer tricô”, conta. Além da confecção de roupas infantis, Eva se dedica a outros tipos de artesanato, como tear quadros, produzir roupas com restos de tecido e preparar doces para a aquisição de cestas básicas, também revertidas em doações.

A ação começou logo após a aposentadoria. Com o dom de tricotar desde nova, decidiu reverter seu tempo, agora disponível, para vestir bebês que estavam na maternidade e não possuíam roupas para os primeiros dias de vida, além da confecção de toucas para idosos residentes de casas geriátricas. “As roupas de bebê vão para a Santa Casa. Nessas geriatrias onde não tem, faço touca para os velhos também.”

Não é possível mensurar a quantidade de doações feitas até agora. Além da maternidade da Santa Casa de Pelotas e da Casa do Carinho, recentemente beneficiada pela ação, as toucas são enviadas ao Hospital Conceição, em Porto Alegre, também para a ala dos recém-nascidos. Orgulhosa, Eva conta que está prestes a enviar mais uma caixa dos seus trabalhos para a capital gaúcha. “Fico feliz. Soube que para espantar o frio eles usam ataduras para proteger a cabeça dos bebês. Agora eles podem ter algo mais quentinho.”

Exemplo para outra geração
A filha, orgulhosa pelas atividades da mãe, seguiu os mesmos passos, de ajudar o próximo sem distinção. Entre diversas histórias, Patrícia Reimers relata que, após uma ação com um morador de rua, Eva fez a ela o seguinte questionamento: “Tu pensa que vai mudar o mundo?”. Emocionada, Patrícia diz que aprendeu a praticar as doações com a mãe, que mantém o ritmo de produzir um casaco infantil por dia, além de tricotar complementos como calças, blusas e cobertas para formar os kits enviados às maternidades. Tudo com material doado.

“Eu nunca compro lã. Sempre foi assim, um traz dez novelos, outro traz 20 e sempre tenho lã e estou sempre fazendo”, relata Eva. Para seguir essa corrente do bem, todos podem ajudar com restos de lãs ou novelos lacrados. Auxílio fundamental para aquecer o inverno de crianças e idosos.

Solidariedade permanente
Também engajada na luta por aquecer pelotenses, Maria Eulalie Fernandes, coordenadora geral do Banco Madre Tereza de Calcutá, mantém arrecadação de novelos de lã para a produção de roupas. A mobilização acontece há mais de 30 anos e a idealizadora do projeto afirma que no período de pandemia foi notada maior procura por novelos e um interesse maior das pessoas em ajudar a vestir o próximo. Por isso a necessidade de mais doações. Segundo ela, a inspiração para o trabalho solidário, sobretudo com a chegada dos dias mais frios, pode ser resumida em um ensinamento bíblicos, citando Mateus 25: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram. Necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram”.

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