Segurança

Árvore que matou pelotense é removida

Vistoria da SQA apontou que a planta estava em bom estado fitossanitário, sem lesões graves

Jô Folha -

A manhã desta segunda-feira (2) foi marcada pela supressão da árvore que com a queda de um galho matou Jéferson Luís Langone Mengatto, de 55 anos. O fato ocorreu na tarde da última segunda-feira, na praça José Bonifácio, em frente à Catedral Metropolitana São Francisco de Paula. De acordo com os técnicos da Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) a espécie estava em bom estado fitossanitário e não havia nenhuma solicitação de poda para o local. A promessa é que a fiscalização se intensifique em determinadas áreas do município.

Segundo o secretário da SQA, Eduardo Schaefer, a notícia chegou em forma de surpresa. "Uma consequência irreparável", lamentou. Os técnicos da secretaria estiveram no local no início da manhã de ontem para realizar uma vistoria. Schaefer conta que o resultado foi de que a planta, da espécie Timbaúva, não possuía sérias lesões nem infestações, configurando um bom estado fitossanitário. Acredita-se que a razão da queda tenha sido o desequilíbrio de peso no galho, que segundo estimativa do Corpo de Bombeiros, pesava cerca de duas toneladas. Após avaliação foi indicada a remoção da árvore, que ocorreu na mesma manhã.

Na oportunidade, a equipe realizou reparos e manutenção em outras árvores da praça. Também foi solicitado um relatório que indique a "saúde" de toda a vegetação do local. O secretário reconhece que o ideal seria manter um monitoramento permanente em toda área verde da cidade, entretanto afirma que "o cobertor é curto". Pois alega que pelo tamanho do município e por problemas estruturais, como mão de obra e deslocamento, "o permanente ainda está longe de ser alcançado". Como plano imediato, Schaefer garante que irá acelerar a fiscalização em algumas áreas da cidade, como as grandes avenidas e praças. Além disso, ressalta a importância da elaboração de um plano municipal de arborização.

Mais de três horas de operação

Conforme relata o Sargento Fabiano, a corporação recebeu o chamado por volta das 16h15min e imediatamente deslocou-se para o local, onde já se encontrava o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O grupo, formado por ele e mais dois bombeiros, iniciou o trabalho já com a confirmação do óbito, feito pela médica do SAMU. O Sargento explica que foi utilizada a técnica de alívio de peso. Com isso, os galhos menores iam sendo retirados antes, assim, não atrapalharia os resultados na perícia e não alteraria o local da cena. Os profissionais trabalharam com três motosserras e calculam que cada tora pesava cerca de 200 quilos, estimando que todo galho pesasse por volta de duas toneladas.

Mais pessoas no local

A vítima estava sentada em um dos bancos na companhia de uma amiga, Márcia Idiart. Ela foi encaminhada ao Pronto Socorro Municipal (PSP) e agora encontra-se internada em um leito de enfermaria na Santa Casa.

Além da dupla, Augusto Carvalhal, 46, também estava no local, acompanhado da filha, de apenas dez anos e da esposa. Ele conta que desde o início da pandemia a praça José Bonifácio foi o local escolhido para pegar um sol e passear com o cachorro. Na tarde do ocorrido a filha do empresário brincava com as amigas bem na frente da Catedral e ele estava sentado em um banco de costas para a igreja. "Escutei um estalo vindo da árvore, cujos galhos passavam por cima dos bancos. Achei que pudesse ter sido outra coisa, mas quando um leve vento passou, escutei um outro estalo. Lembrei imediatamente do pai de uma amiga, morto por uma queda de árvore em Porto Alegre", completou.

A recordação fez com que ele sentasse nos degraus da igreja, mais próximo das meninas. Em seguida, as crianças foram brincar nos fundos do local e, segundo ele, foi possível ouvir um som muito alto e gritos. "Eu fui tentar ajudar, junto com outras pessoas. O galho era muito grande e caiu em cheio sobre o homem", disse. Abalado com a memória recente, ele conta que o local que caiu o galho era exatamente onde a filha e as amigas paravam para fazer o lanche. "Poderíamos ter sido nós, tivemos sorte, porém não há o que celebrar, pois uma morte poderia ter sido evitada se as árvores dessa praça e de outras fossem melhor monitoradas e mantidas", disse. Outra indignação de Carvalhal é quanto a exigência dos órgãos públicos com relação às responsabilidades dos cidadãos, "mas quando o Poder Público precisa ser responsabilizado, vemos que nada acontece, independente da administração", falou.

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