Carinho
Atenção Primária fortalece cuidado aos idosos de ILPIs
Ação estratégica quer intensificar o acompanhamento de pessoas dessa faixa que moram em casas geriátricas particulares de Pelotas
Divulgação -
Alimentar, dar banho, trocar fraldas, cortar e pintar os cabelos e aparar a barba são atividades que fazem parte da rotina da casa onde vivem 32 idosos em Pelotas, administrada pelo enfermeiro Wagner Timm. Há seis meses outras medidas se tornaram obrigatórias para afastar a ameaça do coronavírus, como a utilização e a troca de máscaras de duas em duas horas, a utilização do escudo facial para os funcionários, assim como do álcool em gel, e a frequente lavagem das mãos. “Se notamos mudança no comportamento da saúde dos idosos, notificamos a Vigilância Sanitária”, relata Timm, que ainda não registrou casos da doença entre os moradores da Instituição de Longa Permanência (ILPI). Todo esse cuidado com os idosos, moradores dessas instituições está fortalecido desde agosto por uma iniciativa das secretarias municipais de Saúde (SMS) e Assistência Social (SAS), que constituíram uma equipe para intensificar o apoio e o monitoramento das instituições: a Ação Estratégica de Promoção da Assistência a Saúde de Idosos Institucionalizados.
A ideia, segundo a titular da SMS, Roberta Paganini, é focar na saúde dos idosos, iniciando pelos que vivem nessas Insituições de Longa Permanência, sejam elas ligadas ao Poder Público ou particulares. Hoje, Pelotas tem 55 ILPIs onde vivem 935 pessoas com mais de 60 anos, conforme registro da Vigilância Sanitária.
“Nesse momento, nós temos que ter que todo um cuidado especial com essas instituições, onde esses idosos residem, por causa do coronavírus. Mas a ação é para além da pandemia. É o início do fortalecimento de uma política municipal de cuidado do idoso.”, explica Roberta.
A Ação Estratégica de Promoção da Assistência a Saúde de Idosos Institucionalizados está alicerçada na Política Nacional de Atenção Básica, que responsabiliza a Atenção Primária/Saúde da Família pelo cuidado com as pessoas idosas que vivem no território atendido pela UBS, inclusive as que estão em estabelecimentos privados.
“A Atenção Primária é quem está mais perto das pessoas, é ela quem está no território. Pelotas tem uma particularidade: ter um número expressivo de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e são elas que estão mais próximas do usuário, do local onde as pessoas residem. Então essas unidades têm o papel de fazer o cuidado desses idosos”, ressalta Roberta Paganini, ao destacar que uma das propostas é instituir a utilização da Caderneta do Idoso nas ILPIs.
Caderneta do Idoso
A estratégia de fortalecimento do cuidado ao idoso quer estimular o uso de uma espécide de documento da vida dessas pessoas: a Caderneta de Saúde da Pessoas Idosas. Segundo a chefe do Núcleo da Saúde do Idoso da SMS, Laura Leal, a Caderneta integra um conjunto de iniciativas do SUS que quer qualificar a atenção às pessoas idosas. É um instrumento proposto pelo Ministério da Saúde para auxiliar os profissionais da área no bom manejo da pessoa idosa, possibilitando o planejamento, a organização das ações e um melhor acompanhamento do estado de saúde dessa população.
“Para as pessoas idosas é um instrumento de cidadania. A Caderneta permite o registro e o acompanhamento de informações sobre dados pessoais, sociais e familiares, sobre suas condições de saúde e seus hábitos de vida, identificando suas vulnerabilidades, além de ofertar orientações para seu autocuidado”, esclarece Laura.
Para a execução desta ação, a Diretoria de Atenção Primária da SMS, através do Núcleo de Saúde do Adulto (mulher, homem e idoso), com o auxílio da Vigilância Sanitária, está mapeando as ILPIs no município para identificar as Unidades de Saúde de referência por distrito sanitário e os responsáveis técnicos de cada instituição. “A partir desse mapeamento será realizada uma atualização pelos profissionais da saúde sobre o registro das informações na Caderneta para que, então, as ILPIs passem a utilizar essa ferramenta como um apoio para o monitoramento da saúde dos idosos institucionalizados”, explica.
Fortalecer prioridade
A Ação Estratégica de Promoção da Assistência a Saúde de Idosos Institucionalizados será realizada de forma conjunta pela Atenção Primária: UBSs e Núcleo de Atenção ao Adulto/Idoso, vigilâncias Epidemiológica e Sanitária, além da Secretaria de Assistência Social.
A coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde do Adulto/Idoso, Cristina Zimmer, explica que a implantação da nova estratégia está baseada na constatação de que os idosos residentes em casas geriátricas são uma população vulnerável quando o assunto é saúde por vários fatores, entre eles a idade avançada, apresentarem mais doenças crônicas, compartilharem ambientes coletivos e serem dependentes para a realização de atividades diárias. "Considerando também esse momento de pandemia, em que essas pessoas são o principal grupo de risco, é imprescindível um olhar mais atento para essa população. Torna-se fundamental a construção de uma proposta de atenção integral à saúde dos idosos, de forma que contribua para a organização e a ampliação do acesso qualificado no âmbito do SUS, argumenta Zimmer.
A proposta da Ação Estratégica é construir uma rede de atenção para essa população, fortalecer a prioridade, inclusive em outros níveis de atendimento, como Pronto-Socorro, UPA, UBAI e hospitais, além de propiciar informações aos profissionais de saúde que garantam um atendimento qualificado e capaz de resolver a assistência à saúde dos idosos.
Força-tarefa pelo idoso
De acordo com a responsável pelo acompanhamento do serviço prestado pelas ILIPIs em Pelotas, Beatriz Sedrez, o papel da Vigilância Sanitária na estratégia de enfrentamento à pandemia foi intensificar as visitas de rotina e a orientação relacionadas ao funcionamento adequado desses locais e, agora, apoiar a atenção primária neste trabalho. "Além do trabalho rotineiro, estamos, neste momento, monitorando se os planos de contigência determinados pelas portarias de enfrentamento à Covid e as notas técnicas municipais estão sendo cumpridas, como forma de prevenir surtos nas casas", relata Sedrez. Uma equipe, específica para visitas e orientações às ILPIs, com foco na prevenção a casos de coronavírus nestes locais, foi criada há cerca de três meses e está inserida na ação.
A Vigilância Epidemiológica também está presente na equipe criada para realizar o monitoramento das ILPIs. "Em casos de situações de sintomas sugestivos de síndrome gripal entre os idosos, o nosso olhar vai se tornar ainda mais criterioso para que sejam tomadas medidas de prevenção e a testagem para o coronavírius seja feita, conforme protocolos estabelecidos", explica a chefe da epidemiologia local, Carmem Viegas.
Já a Assistência Social, além de garantir os direitos dos idosos, fará um diagnóstico sobre as ILPIs existentes em Pelotas, como forma de identificar e caracterizar o trabalho feito em cada instituição. "Esse diagnóstico é importante para subsidiar o planejamento de medidas e procedimentos que possam dar respostas às demandas identificadas, às necessidades de melhorar o cuidado com os idosos residentes nesses locais", frisa a assistente social Silvia Quintana, integrante da equipe de trabalho junto às Instituições de Longa Permanência.
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