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Atividade física pode reduzir em até 58% a demência em idosos
Dado é um dos resultados de estudo da UFPel em parceria com universidade da Austrália
Divulgação -
Praticar atividade física de moderada intensidade uma vez por semana pode reduzir em mais da metade o risco de doenças como o Alzheimer. Esse dado foi revelado através de uma análise de corte de envelhecimento com a população do Reino Unido. O estudo foi encabeçado pelo Grupo de Estudos de Neurociência e Atividade Física da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (Esef/UFPel), em parceria com o Centre for Research on Exercise, Physical Activity and Health (The University of Queensland / Austrália).
De acordo com o aluno de doutorado da Esef, que está em sanduíche na Austrália, Natan Feter, as análises ocorreram com 12.099 pessoas com mais de 50 anos, entre dezembro e abril. “Nós descobrimos o ano do diagnóstico da demência e relacionamos com as atividades feitas também naquele ano”, explicou. O estudo mostrou que os afetados tinham menor nível educacional e maior prevalência de hipertensão e diabetes.
O doutorando relata que o Brasil é o segundo país com maior prevalência de demência no mundo quando os dados são ajustados à expectativa de vida. Além disso, em um estudo paralelo, foi levantado que 30% de todas as hospitalizações por demência no Brasil, em 2013, podem estar relacionadas à inatividade física. “E isso implica em um gasto de R$ 7 milhões por ano”, completou.
Portanto, um dos principais achados da pesquisa é que, mesmo iniciando as atividades com uma idade avançada, elas podem ser eficientes. Feter explica que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que sejam feitos 150 minutos de exercícios semanais, mas ele garante que - caso essa orientação não seja possível - “uma vez por semana já gera uma proteção nessa população”. A atividade indicada pelo estudo é moderada, ou seja, ela precisa aumentar a frequência respiratória do indivíduo e ter no mínimo 30 minutos. O estudo ainda está em desenvolvimento e esses são apenas os primeiros resultados. A próxima etapa pretende traçar estratégias que promovam atividades físicas.
Uma vida dedicada à atividade física
No auge dos 70 anos, o médico cardiologista João Alfredo Silveira pode dizer que não é vítima de nenhuma das mais comuns comorbidades, como hipertensão ou diabetes. Com uma vida marcada pelos exercícios físicos, ele conta que desde os tempos de colégio se envolvia com algum esporte e o único período da vida em que não manteve atividades regulares foi durante a faculdade. Há mais de dez anos ele frequenta a academia quatro vezes por semana, sendo duas para praticar pilates e outras duas musculação.
Com a pandemia, o médico levou a academia para dentro de casa. Cumprindo o distanciamento social desde o início da crise sanitária, ele conta que ainda não retornou por ser do grupo de risco e não achar bom esta exposição. Com auxílio de profissionais e de materiais cedidos pelo local que é aluno, João Alfredo segue com as atividades em dia e, de duas a três vezes por semana, o lar dos Silveira vira academia. Como ele mesmo disse, não é possível afirmar que se não houvesse mantido as atividades regulares poderia ser vítima de alguma doença, porém o idoso carrega a certeza de que cumpre as recomendações para desfrutar de uma vida cheia de saúde. “Como médico cardiologista é minha obrigação orientar e manter os exercícios em dia”.
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