Problema
Bocas de lobo sem grade apresentam risco para moradores e motoristas
Bueiros que tiveram as grades furtadas são cobertos provisoriamente por madeiras, enquanto outros permanecem abertos
Foto: Volmer Perez - DP - Equipe do Sanep colocou tocos de madeira para prevenir quedas nos buracos
A ausência de grade de ferro nas bocas de lobo, como são popularmente conhecidas as partes vazadas das ruas próximas ao meio-fio, tem gerado problemas aos moradores do Centro de Pelotas. No último domingo, por exemplo, exatamente em frente à porta de entrada do prédio do Diário Popular, uma pessoa acabou caindo dentro do buraco enquanto entrava em um veículo. O acontecimento não teve desfecho mais grave porque a pessoa conseguiu se apoiar na calçada. Isso chama a atenção para a profundidade do buraco. Em um dia seco, a boca de lobo tem quase um metro até a superfície da água no fundo do buraco, além de ter uma abertura de 50 por 25 centímetros. Não fosse pela falta da grade, que foi furtada, o bueiro não traria perigo aos moradores.
Na mesma quadra da rua 15 de Novembro, outros três buracos de drenagem pluvial semelhantes não contam mais com as grades. O mecanismo, além de proteger as pessoas, impede o entupimento do canal de escoamento de águas da chuva por objetos indesejados. No início da tarde de segunda-feira, uma equipe do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) fechou a via para cumprir uma diligência alternativa e acabou, a pedido dos comerciantes, providenciando uma solução provisória aos buracos: tapá-los com pedaços de madeira. Uma das bocas de lobo ainda não havia sido coberta no momento da foto, e espanta pela profundidade. A colocação de tábuas de madeira em substituição às grades é uma solução aplicada em diversos buracos iguais na região. A medida evita os acidentes, porém, as pequenas frestas entre as madeiras comprometem a capacidade de esvaziamento da água da rua.
"Já vi gente cair. Tem pessoas que vem de lá e comentam que tem que estar ligado para não cair", diz o cabeleireiro Paulo Rodrigues, de 77 anos, com estabelecimento no local há mais de quatro décadas. "Eles (bandidos) roubaram as tampas. Isso aí é comum. Eles tiram de noite e vendem", relata o homem, associando o transtorno à criminalidade da região no período noturno. "Agora, se não prestar atenção, enfia uma perna ali. Pode ser jovem ou pode ser uma pessoa de idade. Em toda a cidade tem buraco, mas nunca teve tanto como atualmente. Alguns lugares se percebe que o serviço da Prefeitura está dando uma arrumada, mas é tanto buraco que acho que não dá vencimento", analisa.
Priscila Torres, de 32 anos, voltava rapidamente do serviço e se assustou com o buraco mais próximo da esquina, entre Cassiano e 15 de Novembro. O que ela fez na hora que percebeu o obstáculo foi pular, mas pensa no transtorno que o problema gera para outras pessoas. "É perigoso para idosos, crianças, porque é bem grande ali. Bem funda e bem aberta", atenta a mulher. Ela conta que já caiu em uma boca de lobo na Santa Terezinha, em um momento que as bordas da via estavam alagadas, dificultando a visualização. Priscila não notou a falta da proteção de ferro no local, afundou a perna no buraco e, por sorte, saiu apenas com ferimentos leves. "Vários lugares ficam alagados e tu não tem visão. É perigoso".
O problema se estende também para os animais domésticos. Enquanto passeava com os dois cães na rua, Gabriela de Almeida, de 37 anos, comentou sobre a preocupação com os bueiros abertos. "Eu já vi gente cair, colocar o pé e cair. Até para os cachorrinhos também. Às vezes não estamos olhando para eles, aí vai atravessar a rua, e eles podem cair", relata a moça. Por ter presenciado alguns incidentes com outras pessoas, busca ter o máximo de atenção na hora de circular. "Eu ando sempre cuidando. Poderiam fechar esses buracos", concluiu.
Risco aumenta para PCDs
Não só as bocas de lobo destampadas, como qualquer buraco nas vias e calçadas da cidade, se caracterizam como um obstáculo perigoso no caminho de pessoas com deficiência (PCDs). É o caso do Fábio Ribeiro, de 30 anos. Ele tem deficiência visual e avalia a situação atual da circulação pelo Centro de Pelotas. "Muitas vezes a acessibilidade não é simplesmente colocar um piso especial. Nós, pessoas com deficiência visual, temos que ter um cuidado ao caminhar, porque nunca sabemos o que vem pela frente", ressalta. "O Centro em si é bem difícil de circular. O piso tátil não é tão reto, além dos buracos".
Furtos
Questionada sobre a questão dos bueiros, a titular da Secretaria de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, Carmem Roig, disse que evitar os furtos é uma questão de segurança pública. Também de acordo com o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) e a Guarda Municipal, há ocorrência de furtos em toda a região central, como nas ruas Anchieta, Félix da Cunha, General Argolo e no entorno da Catedral. Por conta disso, o Sanep projeta novas tampas ou grades, em concreto vazado, visando inibir novos furtos. Por enquanto, são colocadas cepas de madeira para evitar acidentes. O trabalho de fiscalização e monitoramento dos espaços públicos segue sendo feito pela Gurda Municipal. Conforme a comandante da GM, Cíntia Aires, as equipes não receberam nenhuma denúncia recente sobre os furtos em questão.
Calçadas
Ainda, em relação às calçadas da cidade, Carmen manifestou que a Secretaria cumpre o que prevê o Código de Posturas, Lei Municipal 5.832, cujo artigo 9 prevê que é obrigação do proprietário conservar o respectivo passeio. De acordo com a secretária, a fiscalização da pasta notifica o proprietário, dá prazo, se não for feito o reparo gera-se, então, auto de infração e multa no valor de três Unidades de Referência Municipal (URMs).
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