Protesto

Caminhoneiros fazem manifestação na BR 392

Trabalhadores garantem que seguirão em protesto até "segunda ordem"; reivindicações são o voto impresso e a destituição de ministros do STF

Carlos Queiroz -

Ainda embalados pelas manifestações do dia 7 de setembro, caminhoneiros de Pelotas resolveram aderir a uma mobilização nacional da classe que teve início no feriado e, segundo eles, não tem data para acabar. Os motoristas estão concentrados nesta quarta (8) em um posto da BR-392, no quilômetro 66, e na beira da via convidam outros trabalhadores que passam pelo local a participarem. As principais pautas levantadas são o voto impresso - já rejeitado pela Câmara dos Deputados - e a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que é considerado inconstitucional.

Acampados e com bandeiras do Brasil à mostra, o grupo promete sair do local apenas depois de uma "segunda ordem". Entre os manifestantes está o caminhoneiro Paulo Funari. Aos 60 anos, ele explica que a ação é apenas uma "célula de tudo que aconteceu no dia 7". Sobre as reivindicações, garante que o grupo não cederá enquanto o voto impresso não se tornar uma realidade. Mesmo consciente de que a proposta foi negada recentemente pelo Legislativo, o discurso não muda. Funari sustenta que as eleições de 2018 teriam sido fraudadas, mesmo com Jair Bolsonaro (sem partido) eleito. "É um sistema arcaico. Em 2018 teríamos ainda mais votos, mas agora eles estão preparados e com tempo (para roubar)."

A outra pauta defendida é a troca de ministros do STF. Segundo o caminhoneiro, os problemas não estariam na instituição, mas nos juízes. "Queremos pessoas sem viés político, que estejam lá para julgar e não para contrariar a constituição", falou. Entretanto, o STF - formado por 11 ministros - é a máxima instância do Poder Judiciário e o responsável pela garantia do respeito à Constituição Federal e pelo cumprimento da lei. Sobre o impacto direto em sua vida financeira pelo valor do diesel e a paralisação - sem data para acabar -, o caminhoneiro sustenta que "o preço do diesel foi criado pela pandemia e essa parada até impacta, mas o futuro do país é mais importante".

Enquanto a reportagem esteve no local na manhã desta quarta, cinco motoristas aderiram ao apelo dos colegas que acenavam com bandeiras e entraram no posto de combustível. Porém, o movimento na rodovia era baixo, pois, de acordo com alguns membros da paralisação, um número expressivo de trabalhadores já havia aderido ao movimento em outras localidades do Estado.

Balanço da PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou um boletim às 11h. Até esse horário, haviam sido registrados 173 pontos de concentração de manifestações e 53 de bloqueio em rodovias federais, em todo Brasil. No Rio Grande do Sul, foram registrados 30 pontos de concentração, sendo um em Pelotas, e um ponto de bloqueio, em Charqueadas. Na Zona Sul, além de Pelotas, houve manifestação em Pinheiro Machado, Morro Redondo e Turuçu.

Intimidação

Ao chegar ao local para cobrir a paralisação dos caminhoneiros e levar informação aos seus leitores, a equipe do Diário Popular foi alvo de tentativas de intimidação por alguns manifestantes. Três homens - todos sem máscara - partiram em direção ao veículo do Jornal e, em tom de ameaça, afirmaram que iriam impedir a reportagem de trabalhar. Diante da insistência dos profissionais do DP em continuar com o trabalho, um dos homens deu dois socos no carro em a equipe estava. Apesar disso, os repórteres acompanharam a manifestação e foram atendidos com civilidade pela maioria dos motoristas.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Chuva e vento na Zona Sul deixam 27 mil clientes sem luz na Zona Sul Anterior

Chuva e vento na Zona Sul deixam 27 mil clientes sem luz na Zona Sul

Meta de entrega de vacinas para Covax em 2021 é reduzida Próximo

Meta de entrega de vacinas para Covax em 2021 é reduzida

Deixe seu comentário