Impasse
Casa Kraft segue à espera de definições
Após a interrupção da demolição do imóvel, local passou a gerar preocupação entre os vizinhos
Jô Folha -
Quase quatro meses depois de ter sido alvo de uma polêmica na cidade, a Casa Kraft encontra-se em situação de abandono. Situada na rua General Osório na esquina com a via Antônio dos Anjos, ela ainda está sob a vigência da liminar que impediu sua demolição - e que foi expedida em setembro. A Casa não recebeu novos investimentos por parte dos proprietários e está correndo na via judicial a ação que busca definir o futuro do imóvel, seja a preservação ou a demolição. Enquanto o processo ocorre, o local virou um sinônimo de insegurança para quem reside nas redondezas.
A Casa segue sem nenhum tipo de perspectiva. Abandonada desde a interrupção do processo de demolição, não houve obras nem para completar a destruição do imóvel e, muito menos, para a restauração. Desta forma, ela passou a ser usada por moradores de rua e catadores e há registros de delitos nas redondezas. Residências e apartamentos da região passaram a ser alvo de assaltos. Os criminosos utilizam a Casa como um meio de acesso para roubar imóveis vizinhos. Uma moradora, que preferiu não se identificar, reside nos arredores do prédio e conta que o abandono da Casa a transformou em um ponto de criminalidade. “A Casa está semidestruída. Depois que embargaram a obra, todo tipo de gente entra lá, principalmente à noite. O movimento noturno é bastante intenso. Já houve arrombamento de casa, roubo de eletrodomésticos. Estamos bastante preocupados com esta situação”, afirmou. Outro morador também relatou ter presenciado arrombamentos e afirmou que o índice número de assaltos aumentou na região desde o imbróglio.
Situação judicial
O local foi semidemolido no começo de setembro e segue com situação indefinida na justiça. O processo de tombamento, que visava proteger a estrutura enquanto patrimônio municipal, ainda está longe de ser finalizado. Após o fim do prazo de 30 dias da liminar inicial, houve uma audiência de conciliação, na qual os proprietários do imóvel pediram que a medida fosse reconsiderada. A solicitação foi negada. Como não houve acerto entre as partes nessa primeira conciliação, os atuais donos da Casa entraram com um recurso buscando um efeito suspensivo da liminar dentro do agravo, recurso utilizado por eles dentro da própria ação cautelar, movida pelo Ministério Público. O efeito foi negado. “A liminar segue vigente enquanto o processo corre na justiça”, explicou a assistente jurídica da 1º e 2º Promotoria Especializada, Ivana Morales.
A ação cautelar, na qual ocorreram estes processos jurídicos, visava impedir a demolição da casa - ou contestar a decisão que impede a derrubada do imóvel. A partir desta segunda negativa, houve o ajuizamento de uma ação principal. Esta foi instaurada com o objetivo de, além de impedir a demolição, buscar a restauração e, posteriormente, a preservação da Casa. “Os trâmites da ação cautelar já andaram, são mais ágeis. Agora já estamos no período da ação principal”, destacou a assistente.
Relembre
Em setembro, a Casa Kraft foi o centro de uma polêmica em Pelotas. Situada na rua General Osório na esquina com a via Antônio dos Anjos, ela seria demolida para a construção de uma farmácia da rede Droga Raia. Após uma movimentação da comunidade, foi expedida uma liminar que impediu o processo de destruição do imóvel. Diante de toda a polêmica, a empresa rescindiu o contrato com os proprietários e anunciou que buscaria um outro espaço na cidade para construir sua unidade. Desde então, o imóvel segue semidemolido e corre na justiça o processo envolvendo a questão. Não foram realizados novos investimentos desde a polêmica.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário