Anticheias
Casas de bombas e diques: os sistemas que impedem maiores inundações em Pelotas
Estruturas que escoam de dentro da cidade milhares de litros por segundo são auxiliadas pelas barreiras físicas, como os quatro quilômetros da Estrada do Engenho
Foto: Rodrigo Chagas - Ascom - Casas de bombas escoam de dentro da cidade para o canal São Gonçalo milhares de litros de água por segundo
Na segunda-feira (27), quando o nível do Canal São Gonçalo alcançou 3,13 metros, maior registro da série histórica, o acumulado de chuvas do mês chegou a 375 milímetros, sendo 120 a média de precipitações para todo o mês de maio. Diante do período mais crítico enfrentado no Município desde o início da crise climática no Estado, as sete casas de bombas, estruturas responsáveis pelo escoamento das águas, somadas aos diques, têm impedido que ocorram inundações em toda a cidade. Com o nível elevado das águas, os sistemas têm trabalhado diariamente sob estresse, o que pode ocasionar lentidão na vazão e ainda alguma falha de funcionamento.
As equipes do Sanep têm monitorado, 24 horas por dia, as Casas de Bombas. As estruturas funcionam com motores que são capazes de escoar milhares de litros de água por segundo, permitindo que as águas pluviais, que passam pelos canais da cidade, sejam escoadas para o Canal São Gonçalo e posteriormente para a Lagoa dos Patos e ao Oceano Atlântico. Além dos equipamentos usuais, as Casas de Bombas Farroupilha, Olvebra, Leste e Anglo, localizadas em áreas de risco, também contam com a instalação de 20 bombas adicionais, disponibilizadas pela iniciativa privada, para manter a operação do sistema de drenagem.

Em caso de impossibilidade de funcionamento dos equipamentos que já operam, elas serão acionadas. "Toda essa água que está invadindo a cidade, embora com uma lâmina não muito alta, está sendo contida por esse reforço. Além da chegada da água do Guaíba, a gente teve um acumulado de chuva de 375 milímetros, é muito volume de chuva, o que contribui para esse estrangulamento do São Gonçalo, a elevação dele compromete o sistema de drenagem", explica a diretora-presidente do Sanep, Michele Alsina.
Sistemas operando sob estresse
O cenário de cheias nos corpos de água do Município tem imposto um teste de resistência diário ao sistema de proteção, drenagem e bombeamento. Por isso, é essencial que os moradores de áreas de risco continuem em locais seguros até a normalização dos volumes. "O nível de 3,13 metros, a gente nunca tinha vivenciado no São Gonçalo, é um momento de estresse do sistema. Então é um sinal que os sistemas estão operando com muita eficácia mesmo com o nível de estresse", ressalta.
A gestora do Sanep confirma que há chances de falhas devido ao desgaste e outros fatores como a dependência de energia elétrica para o funcionamento das bombas. "O São Gonçalo alto vai mandar essa água de volta ou ela vai sair de forma mais lenta [da cidade]. O sistema de drenagem está constantemente sob estresse, estamos forçando a água para fora e ele [o canal] está forçando para dentro".

Alagamentos no Laranjal e Z-3
No Laranjal, a casa de bombas fica localizada na rua Nova Prata, no Pontal da Barra, balneário, que junto com o Valverde, foi um dos mais atingidos pelas cheias da Lagoa dos Patos. Com o avanço das inundações, o sistema de bombeamento está impedido de funcionar, pois não há para onde dar vazão ao volume. "Não tem para onde bombear essa água, no momento que tu faz, retorna por outro lado". Michele ressalta ainda que foram feitos reforços no sistema do Laranjal, mas que "não tem sistema de bombeamento eficaz contra o nível dessa água". De acordo com a gestora, atualmente São Gonçalo e a Lagoa tem sido uma coisa só dentro do Valverde.
No sábado, as equipes do Sanep chegaram a fazer uma operação para o funcionamento da casa de bombas, no entanto, os níveis voltaram a subir rapidamente, impedindo o trabalho. "Diariamente estamos fazendo vistorias, nossos equipamentos estão prontos para entrar em funcionamento, mas os níveis hoje não permitem a vazão", explica Michele.
Sobre as cheias na Colônia Z-3, a gestora do Sanep diz que é uma área sensível e que em locais que historicamente alagam, como o Cedrinho e o Junquinho, os níveis chegam a ser quase os mesmos da Lagoa dos Patos. "Não tem como cercar a Lagoa com barreiras de contenção". Além disso, Michele explica que a Colônia é ambientalmente sensível, o que dificulta intervenções. Já para o Laranjal, ela diz que foi cadastrado no Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC), um projeto de proteção contra as cheias no valor de R$ 16 milhões. A iniciativa contemplaria diques, ampliação das casas de bombas, canal e galeria pluvial.
Capacidade de bombeamento das Casas de Bombas:
- Castilho: 2 bombas, total 1,2 mil litros por segundo;
- Farroupilha: 2 bombas, total 1,2 mil litros por segundo;
- Olvebra: 2 bombas, total 1,4 mil litros por segundo;
- Doquinhas: 2 bombas, total 150 litros por segundo;
- Anglo: 3 bombas, total 5050 litros por segundo;
- Leste: 3 bombas, total 7,5 mil litros por segundo;
- Pontal da Barra: inoperante (no momento) por estar em área alagada. A situação está sendo analisada pelos técnicos do Sanep para retomar a sua operação.
Diques
Além da drenagem pelas casas de bombas, os diques, estruturas construídas para impedir que a água do entorno invada a cidade, são essenciais para o controle das cheias. São cerca de sete quilômetros de diques no Município, incluindo os quatro quilômetros da Estrada do Engenho, que foi reforçado com contenções de sacos de areia.

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