Efeitos da pandemia

Cirurgias eletivas e atendimentos de acompanhamento devem retornar 100%

Agora os municípios precisarão lidar com a demanda reprimida dos pacientes em espera

Jô Folha -

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul e o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Estado assinaram uma nota conjunta solicitando a retomada dos serviços das cirurgias eletivas em sua totalidade. A medida inclui todo o pré acompanhamento cirúrgico, as cirurgias eletivas e o pós.

No início do mês de setembro, a liberação de 50% das consultas eletivas foi feita pelo governo estadual. A partir de agora, os municípios precisam lidar com uma demanda reprimida de solicitação de cirurgias e atendimentos dos pacientes, que soma os meses de abril a agosto. Em toda Zona Sul, a fila de espera para os atendimentos e cirurgias aperta mais em alguns setores do que em outros.

A demanda para a área de Oftalmologia é uma das maiores, de acordo com os dados da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde. Outro exemplo é em Bagé, local onde a demanda para os serviços de reabilitação física e auditiva é grande. A coordenadora da 3ª CRS, Caroline Hoffmann, afirma que um pedido de abertura imediata do serviço foi solicitado aos municípios. “Todas as linhas de cuidado ficaram com essa demanda reprimida”, frisou.

Em Pelotas, o objetivo da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é retomar o programa Saúde Ativa - lançado em fevereiro, o programa também foi suspenso com pandemia. Segundo o setor de Atenção Especializada e Hospitalar da SMS, a ordem cronológica da fila de espera que existia antes da pandemia foi mantida, além de serem inseridos novos pacientes encaminhados pela Atenção Primária das Unidades Básicas de Saúde. Os agendamentos dos pacientes começaram neste mês, a partir de ligações.

Como funcionará o Saúde Ativa

A iniciativa em Pelotas prevê o pagamento de incentivo financeiro com verbas do poder público municipal a fim de aumentar os atendimentos nos hospitais contratualizados com a prefeitura. A secretaria municipal de Saúde, Roberta Paganini, afirma que o aumento no valor dos repasses às instituições parte da falta de cobertura financeira total a partir dos recursos enviados pelo Sistema Único de Saúde. “Como a tabela SUS não cobre todos os custos, os hospitais ofertam o mínimo necessário pra que não tenham prejuízo financeiro maior. Então estamos complementando esse valor com recurso municipal criando um atrativo financeiro para aumentar a quantidade de procedimentos ofertados”, explicou.

Para receber o dinheiro extra, o requisito é que os três hospitais contratualizados - Santa Casa, Beneficência Portuguesa e Hospital São Francisco de Paula - cumpram com todos os atendimentos e cirurgias previstos nos contratos, sem faltar com a demanda de agendamentos. Do contrário receberão apenas o que está previsto pela tabela do Governo Federal.

Em fevereiro, a expectativa da SMS era que o programa injetasse quase R$ 5 milhões em um ano - valores divididos entre recursos do município e de emendas parlamentares. Agora, o valor aumentou: o plano é investir R$ 750 mil ao mês - R$ 400 mil partem do município.

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