Caminho

Com estrada revitalizada, vida de quem mora no Pontal da Barra começa a voltar à normalidade

Depois de quase seis meses isolados, a abertura oficial da nova estrada ocorreu no início de março; mesmo reformada, via ainda não tem iluminação

Foto: Jô Folha - DP - Pedras buscam evitar que água da Lagoa vá para a estrada e volte a atrapalhar o escoamento da produção local

Há pouco mais de um mês a população que vive no Pontal da Barra retomou a tranquilidade de poder usufruir da estrada que liga a localidade ao balneário Valverde, no Laranjal. Foi quase meio ano de interrupção da avenida Dr. Antônio Augusto Assumpção Júnior, por conta das chuvas que atingiram a estrada em setembro do ano passado, tornando boa parte dela intransitável. Durante esse período de espera e isolamento, os moradores foram obrigados a se adaptar à realidade do momento, e muitos tiveram que alterar a logística de deslocamento que anteriormente incluía a via. Outros, inclusive, deixaram para trás tudo que tinham no local, já que a falta da estrada afetou a pesca, principal fonte de renda da comunidade.

Com o sofrimento no passado, os moradores do Pontal da Barra indicam que finalmente voltaram à normalidade tal qual era antes da enchente. Antônio Carlos, de 66 anos, observava a Lagoa dos Patos, sobre um dos trapiches da praia. Aposentado e residente no Pontal desde 2015, assegura que em relação às dificuldades que as pessoas enfrentaram durante os últimos meses, a vida melhorou muito depois da reconstituição da estrada. "Está normal agora, acabou aquilo. Passamos seis meses andando de barquinho pra lá e pra cá. Eu usava muito a estrada antes. Nós íamos na venda, no mercado… quando tem água cheia isso é um trabalho mais difícil. E eu já sou aposentado, mas brabo é pra quem não recebe nada. Quase todo mundo aqui passou dificuldade, os que trabalhavam com a pesca tiveram que arrumar algum biscate, se virar", recorda o idoso. "Nada cai do céu. Só a chuva, e já está bom", brinca.

"Agora a estrada ficou boa, do jeito que eles aumentaram", avalia. A reforma, ainda que seja provisória, fez com que a estrada fique aparentemente mais preparada para novas cheias, visto que uma sequência de rochas foram alocadas na extremidade de quase toda a via, em paralelo à orla da Lagoa, o que pode impedir que uma eventual cheia cause danos novamente. Carlos propõe que essas pedras sejam instaladas na parte mais próxima ao balneário dos Prazeres também. "Se eles aumentarem mais para lá, a água não entra nem no Laranjal".

Perto dali, a comerciante Rosa Maria Koglin, de 64 anos, recém abria as portas do comércio que dá de frente para a saída do canal São Gonçalo. A mulher, moradora do Pontal há mais de quatro décadas, relata esperança de uma fase melhor daqui para frente. "A gente passou tanto tempo sem comer. Eu fiquei até doente, fui parar no hospital. Ficamos cinco meses com a venda fechada. Agora está tudo bem, graças a Deus", assegura. Segundo ela, foram inúmeras as adversidades vividas por conta da falta da estrada. "Não tinha como sair para comprar os materiais para a venda. Não tinha estrada para fazer compra de comida. Ele (o marido, com 70 anos de idade) ia a pé até a venda do Laranjal buscar comida, de três em três dias. Fora algumas coisas que a gente ganhou, ainda bem".

Ainda sem iluminação
Segundo a moradora da Barra e representante da comunidade, Fabiane Fonseca, ainda há uma pauta urgente que não foi atendida: a iluminação da estrada que liga comunidade ao Laranjal. "É um trajeto de quase dois quilômetros que não tem nenhuma lâmpada nos postes. A Prefeitura, antes mesmo da inauguração da estrada, se comprometeu em instalar o transformador para converter a alta tensão para baixa e permitir colocar as lâmpadas nos postes, mas até agora, nada", relatou Fabiane. Segundo a moradora, além de trazer insegurança à comunidade, que caminha mais de 20 minutos no escuro, a falta de luz também inibe a vinda de turistas para comprar os pescados e consumir nos restaurantes locais.

Estrada definitiva
Conforme nota, para uma solução definitiva, a Prefeitura já apresentou o projeto final, realizando o cadastro de recuperação junto à plataforma da Defesa Civil Nacional. Devido à complexidade estrutural da obra, as intervenções têm investimento aproximado de R$ 12 milhões. O Município aguarda a posição da União sobre o repasse de recursos federais para o financiamento da estrada definitiva.

Pedidos da comunidade
Os moradores aproveitaram a presença da reportagem para solicitar outras demandas inerentes ao local. Carlos pediu que fosse retirado um amontoado de pedras e entulhos que cobre uma área de dez metros quadrados, perto da orla. As pedras, de acordo com o morador, são provenientes de um antigo hotel que foi demolido perto dali. "Já faz uns anos. Se limpasse aí ficava bom para as crianças brincarem e melhor até para quem visita aqui", apontou. Por outro lado, Rosa pediu que dessem alguma atenção para um poste de luz, em frente à sua residência, que está levemente inclinado. Embora ainda seja pouco, a senhora teme que, com o tempo, a inclinação aumente e o poste caia de vez em cima da casa. "Acho que está apodrecendo debaixo", alerta.

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