Em obras

Começam as requalificações no trapiche do Laranjal

Projeto prevê reforço da estrutura, troca das estruturas laterais e ainda a criação de dois quiosques

Jô Folha -

Um dos principais cartões postais de Pelotas e o local mais visitado por aqueles que passeiam pelo Laranjal, o trapiche do balneário Valverde passa por um período de requalificações. Apesar das flexibilizações quanto à permanência de pessoas em espaço público, o passar do tempo e as adversidades climáticas, como ventos e chuvas, obrigaram as autoridades a interditar o local, que não se mostrava mais seguro para a prática de atividades como lazer e pesca. A remodelação deve ser finalizada em três meses.

Fechada e impedida de receber pelotenses e turistas desde março de 2020, em razão da pandemia, o trapiche foi atingido em janeiro deste ano por um intenso evento climático, que fez com que algumas partes da lateral caíssem, sendo - à época - interditado pela Defesa Civil. Além dos guarda-corpos, a estrutura e o assoalho também foram comprometidos. Quatro meses depois, quem passa pelo local ainda pode ver grande parte da lateral direita em falta. Segundo o diretor executivo da Secretaria de Ações da Cidade (SAC), Flávio Al Alam, responsável pelas melhorias, nos últimos anos o trapiche passou por intervenções, pelo menos duas vezes. Como medida de segurança, mesmo com algumas flexibilizações, o local permaneceu fechado ao público devido à insegurança para a circulação de pessoas.

O projeto, que está no início de execução com a retirada do assoalho comprometido, aponta requalificações como a troca das laterais em toda a extensão, além da substituição de aproximadamente 200 tábuas do piso, que apresentam imperfeições. Também serão construídos dois quiosques em palha 'Santa Fé' - um pequeno no início e um outro mais ao fundo, onde já existe uma edificação que será substituída. Será feito ainda o reforço das estacas, principalmente no 'L' ao fundo da estrutura, com a finalidade de dar maior estabilidade à construção.

Segundo a prefeitura, a obra tem o custo estimado de R$ 130 mil, valor que não será arcado pelo município. Os materiais e a mão de obra serão custeados pela Construtora Porto 5, através de uma medida mitigatória referente a um empreendimento da empresa. Já o novo portão, que será instalado no acesso ao local, foi uma doação da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Pelotas (AEP). A responsável pelos serviços de intervenções é a empresa CDR Decks, que trabalha há mais de três anos na categoria Reparação e Manutenção no município. Ela prevê que a requalificação poderá ser finalizada em um período de 90 dias.

Questionada sobre o projeto de um novo trapiche, que esteve em pauta no início deste ano, a prefeitura afirmou que ainda se trata de uma ideia "muito inicial" que depende de diversas questões, principalmente da questão financeira, uma vez que necessitaria de um investimento muito alto. Na época, o secretário Al Alam afirmou que estaria sendo iniciado um "projeto complexo, com uma plataforma para contemplar esportes náuticos, um quiosque e mais locais para pesca", mas que para isso era preciso captar investimento.

Parte da história de Pelotas

A história do trapiche José Marcos Leite Magalhães, o trapiche do Valverde, que completou há pouco 51 anos, começou em janeiro de 1963, quando veranistas e moradores do balneário Valverde uniram-se em prol de uma causa: a fundação de um clube social e desportivo capaz de oferecer momentos de entretenimento e descontração. Nascia, assim, o Valverde Praia Clube. Dentre as atividades desportivas oportunizadas aos sócios, a pesca foi a que ganhou mais adeptos e simpatizantes. Por muito tempo, o clube promoveu diversos campeonatos na modalidade em nível estadual, nacional e até mesmo internacional.

Foi a partir do crescimento e da popularização da pesca, como modalidade esportiva, que um grande contingente de sócios, frequentadores e moradores se articulou reivindicando um local apropriado para "atirarem as suas linhas" no interior da Lagoa dos Patos. O Valverde Praia Clube, levando adiante a ideia dos associados, conseguiu com a Marinha a concessão do espaço onde foi construído, na década de 1970, o tão esperado trapiche.

O nome foi dado em homenagem a José Magalhães, ou "Jojo", como era chamado, um personagem que defendeu, junto com outros associados, a ideia e a fundação da estrutura. Sua militância e assídua participação em todas as etapas do projeto são aspectos que até hoje estão vivos na memória dos moradores mais antigos do Laranjal.

Sobre a construção do trapiche é passado entre gerações que a cabeceira (parte horizontal situada no final da edificação) foi a primeira etapa a ser finalizada. Posteriormente, foi erguida a casa de apoio, segunda parte da estrutura, onde as pessoas tinham a possibilidade de se refugiar caso houvesse mudança de tempo. Este local ainda servia para guardar o aparelhamento de pesca utilizado pelos usuários durante suas estadas por lá.

O ponto mais crítico na história do trapiche foi no ano de 2001. Após uma ressaca que atingiu implacavelmente toda a extensão da orla da praia do Laranjal, ele teve sua estrutura completamente danificada, restando somente resquícios de sua edificação original. O local ficou interditado até 2012, quando o ponto foi devolvido à comunidade após reforma feita pelo Sindicato da Indústria de Construção e Mobiliário (Sinduscon). Três anos depois, em outubro de 2015, foi novamente fechado pela Defesa Civil por novo abalo na estrutura, este causado pela chuva. O trapiche foi reaberto ao público mais uma vez em dezembro de 2017.

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