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Começo do ano tem alta de 76,3% nos atendimentos de síndromes gripais em Pelotas
Primeiros meses apontam dez mil atendimentos a mais na rede pública de saúde da cidade em comparação com mesmo período de 2022
Carlos Queiroz - Upa Area tem sido bastante procurada para tratar sintomas
Com a chegada dos meses mais frios, a ocorrência de gripes e resfriados é mais comum. Este ano, em Pelotas, além do aumento histórico relacionado aos fatores climáticos, mesmo que as temperaturas mais frias de inverno ainda não tem se apresentado, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Areal registraram uma alta ainda maior de atendimentos desse tipo em relação ao ano passado. Conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que o Jornal teve acesso, entre janeiro e março deste ano houve aumento de 76,3% no número de pacientes em relação ao mesmo período de 2022, diferença que equivale a cerca de dez mil consultas a mais.
Ao todo, foram realizados 24,6 mil atendimentos no primeiro trimestre de 2023. Segundo a enfermeira e diretora de Atenção Básica da SMS, Luciana Soares, problemas no sistema de registros em 2022 podem explicar a grande diferença de um ano para outro. “A gente teve um problema de instabilidade no sistema E-SUS, então o registro de alguns atendimentos pode ter se perdido estatisticamente. Na prática, evidenciamos um fluxo intenso no ano passado também”, avalia.
Luciana avalia também que o Município registra crescimento no número de atendimentos médicos de forma geral, não apenas nos de síndromes gripais. “Isso se dá pelo protocolo de acolhimento. Antes o atendimento era por fichas e, com a vinda do Acolhe Bem, as unidades ficaram mais abertas ao atendimento. Isso mostra que a gente conseguiu mesmo ampliar o acesso da população às unidades. Em relação aos atendimentos médicos, por exemplo, fechamos 2021 com 309 mil consultas e, no ano passado, fechamos em 406 mil”, comenta. O sistema ainda não estava operando no primeiro trimestre do ano passado.
Horas de espera
Com o aumento da procura pelo serviço de saúde, também se intensificam as reivindicações por melhores condições de atendimento. A principal reclamação é a superlotação que resulta em horas de espera. É o caso da vendedora Nilciane Fuentes, 34, que, sentada no chão à frente da UPA Areal, relatou à reportagem na sexta-feira uma espera de pelo menos seis horas por atendimento. Com dor de garganta, febre e dor no corpo, ela passou pela triagem e recebeu ficha azul, que caracteriza atendimentos menos urgentes. “Estou aqui desde de manhã. Meu gurizinho de seis anos veio junto comigo e foi bem rapidinho com ele, mas ele estava com febre bem alta quando chegou”, comenta. Nilciane diz ter ido até a UBS Fraget, mas que não havia médico. “Já me disseram que com meus sintomas teria que ser no posto, mas lá a gente não consegue atendimento.”
Sentadas em cadeiras de praia, Maria Elaine Cardoso, 55, que foi à UPA Areal por conta de sintomas gripais, e a acompanhante Cibele Medeiros, 42, estavam aguardando há cerca de uma hora. “Chegamos a ir no Pronto-Socorro, passamos pela triagem e nos encaminharam para cá. Aqui já chamaram para triagem e classificaram como ficha azul. A informação que temos é que está bem cheio lá dentro”, contou Cibele. Quando a reportagem saiu do local, por volta das 16h de sexta-feira, ambas as pacientes permaneciam no local, sem previsão de atendimento.
Sobrecarga do serviço de saúde
Para a diretora da Atenção Primária, algumas das possíveis causas da superlotação das unidades de atendimento é o aumento de pessoas dependentes do SUS e da procura por serviços de saúde pós-pandemia. “Na nossa região sul, antes da pandemia, a gente tinha uma população 85% dependente do SUS. Hoje, temos a estimativa de que o número subiu para 95%. Isso trouxe quase 40 mil pessoas para as unidades”, argumenta. “Outro fator é que, durante a pandemia, as pessoas procuraram menos os atendimentos, e aí muitas situações de saúde, como hipertensão ou diabetes, acabaram se agravando, fazendo com que pessoas procurem mais as unidades”, acrescenta.
Ainda segundo Luciana, o problema do déficit de médicos no Município, que afeta diretamente o fluxo de atendimentos, está sendo superado. “Já teve uma falta de 25 médicos na Atenção Primária e, hoje, temos apenas uma unidade descoberta, que já está em processo de contratação, que é a UBS Corrientes. Embora ainda com deficiência, estamos melhores que no ano passado.” Outras seis unidades possuem equipes descobertas, com número de médicos inferior ao de equipes.
Prevenção
Para evitar a disseminação de gripes e resfriados, Luciana recomenda medidas de higiene (lavar as mãos constantemente e cobrir a boca ao tossir e espirrar), o uso de máscara ou isolamento no caso de sintomas gripais (mesmo com teste negativo de Covid-19) e, acima de tudo, a vacinação, que está disponível nas Unidades Básicas para toda a população a partir dos seis meses de idade.
Atendimentos a síndromes respiratórias e gripais
- Nas UBSs (2022): 1.247
- Nas UBSs (2023): 909
(-27,1%)
- Na UPA (2022): 12.708
- Na UPA (2023): 23.700
(+86,5%)
- Total (2022): 13.955
- Total (2023): 24.609
(+76,3%)
Observações:
(1) - Dados referentes aos períodos entre janeiro e março.
(2) - A base de dados é a oficial do Ministério da Saúde. O sistema é consolidado a cada quatro meses, por isso ainda não estão contabilizados dados de abril e maio.
(3) - Em 2022, os atendimentos destas condições respiratórias aconteciam nas UBSs sentinelas, sendo assim, não eram todas as unidades que atendiam pacientes com sintomáticos respiratórios. As UBSs sentinelas atenderam de julho de 2021 até julho de 2022.
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