Coronavírus
CPI Covid/Santa Casa avança em Jaguarão
Quatro depoimentos foram colhidos nessa sexta-feira acerca de denúncias
Reprodução -
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Covid/Santa Casa, avança nesta semana. Na sexta-feira (23), mais quatro depoimentos foram colhidos em trabalho que iniciou no último dia 12, após denúncias de irregularidades no combate à pandemia no hospital.
A Comissão de Educação e Saúde da Câmara de Vereadores fez o pedido por conta de relatos do médico Marcelo Steimbruch, que jogou luz nos supostos equívocos registrados. O profissional foi o primeiro a depor na comissão e, ao Diário Popular, relatou que entre os problemas estão casos de pacientes infectados pelo vírus transitando livremente pelo hospital, além de negligências no que tange o tratamento em si. "As pessoas chegam no centro de triagem e recebem o kit covid de maneira indiscriminada, com medicamentos que podem ser perigosos quando administrados dessa forma", disse.
Recentemente, a enfermeira da Santa Casa, Maria Cristina Ramires relatou à comissão que houve pacientes que faleceram sem terem sido entubados, resultando em sofrimento durante a internação. "Eram cinco respiradores e cinco monitores cardíacos. Eles não funcionavam corretamente. A médica colocou os cinco em uma sala e só um funcionou. Ela colocou um esparadrapo em cima para dizer que aquele estava funcionando."
Depoimentos de ontem
Ontem, o depoimento de quatro pessoas foi colhido durante a CPI. No primeiro, falou a chefe do centro de triagem, Greice Padula. Na ocasião, ela confirmou que havia receitas padronizadas, mas no sentido de facilitar o serviço em uma demanda que chegou a 200 atendimentos por dia. "Mas o médico não é obrigado a seguir essa receita. Ninguém sai com ela pronta só por ser o kit Covid. Toda comorbidade é analisada. Existe um padrão, mas após uma entrevista com o paciente."
Na sequência, quem depôs foi a enfermeira da Santa Casa de Jaguarão, Franciele Gonçalves. Indagada sobre falhas no funcionamento dos equipamentos, ela negou que tenham ocorrido. "O que acontecia era profissionais que não faziam o manejamento específico. Tínhamos três médicos responsáveis pela ala e eles tinham competência para utilizar as máquinas. Quando não funcionava, ficava claro que era falha de quem usava.
O terceiro depoimento foi do médico Gabriel Yacovazzo, plantonista da Santa Casa de Jaguarão até junho de 2020. No depoimento, ele relatou interferências nos encaminhamentos profissionais - motivo, segundo ele, que resultou na saída do hospital. "Fui convocado para dar assistência a um paciente que estava na emergência acompanhado dos pais. No dia seguinte, me ligam da clínica de radiografia perguntando qual tomografia eu queria. Algo que eu nunca tinha pedido. O pai tinha feito esse pedido para a secretária de saúde, que autorizou um procedimento grave em uma criança", disse, acrescentando que episódios semelhantes ocorrem sistematicamente no hospital.
Por fim, foi ouvido o médico Sérgio Burch, diretor-técnico da Santa Casa de Jaguarão. Ele foi indagado pela CPI por conta de relatos de ausências constantes no hospital. "Minha função é administrar as questões médicas, preencher os plantões. Isso não me impede de sair da cidade. Não existe cláusula que me impede disso", argumentou. Ele ainda confirmou que existem médicos da ala Covid que não possuem registro no Conselho Federal de Medicina (CRM) e argumentou que a utilização destes profissionais se justifica pelo momento de urgência em decorrência da Covid-19. "Eles estão habilitados e eu assino por eles."
O próximo depoimento
Segunda-feira (26) - Ana Elizabeth Goz Ferreira, secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arroio Grande
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