Trânsito
Cruzamento no Centro continua perigoso
Imprudência segue causando acidentes na esquina das ruas Tiradentes e Santa Cruz. STT acredita que semáforo não é a solução para o local
Carlos Queiroz -
O cruzamento das ruas Santa Cruz e Tiradentes, na região central de Pelotas, segue preocupando comerciantes, condutores e também pedestres que transitam pelo local devido ao número de colisões que acontece na esquina. A explicação? Imprudência. Apesar dos sustos recentes, a Secretaria de Transporte e Trânsito (STT) aponta que o número de acidentes no local tem apresentado uma diminuição devido às diversas sinalizações de alerta aos motoristas que trafegam pela Santa Cruz - via que perde a preferência para a Tiradentes.
A Santa Cruz tem duas placas de pare, pinturas no chão com alerta de atenção e ainda um semáforo intermitente, que - com sua luz amarela piscante - adverte os motoristas sobre a necessidade de cuidado no cruzamento da pista e determina a redução da velocidade. Tudo com o objetivo de alertar os motoristas sobre a necessidade de aguardar o trânsito da Tiradentes.
Dirlene Henzel trabalha há um ano e meio em um estabelecimento comercial localizado em uma das esquinas do cruzamento e relata que já presenciou pelo menos seis acidentes. "O problema é que quem vem pela Santa Cruz não respeita a sinalização. O pessoal vem muito rápido e a preferencial não vale mais nada. Eles deveriam colocar um quebra-molas ou uma sinaleira", sugere.
Proprietário de um açougue também localizado entre as duas ruas, Paulo Moreira afirma que presencia constantes colisões na esquina do estabelecimento e que em 33 anos já não é possível contabilizar o número de acidentes no local. "É vergonhoso o que acontece aqui na esquina, não dá nem para contar. Nestes muitos anos já foram mais de 500 acidentes e, inclusive, presenciamos pessoas morrendo. A Santa Cruz sempre foi local de acidente. Se não acontece nesta esquina, acontece na General Neto com a Santa Cruz", aponta.
Por conta do número de ocorrências, Moreira precisou recorrer a equipamentos de proteção, com ferro e cimento, para evitar que os veículos atinjam o açougue. "Quando cheguei, vi a necessidade de uma barreira. Se não tivesse ela os carros bateriam e o prédio já teria caído", conta. Devido aos acontecimentos, a barreira por várias vezes já foi destruída, por consequência do impacto dos veículos. Segundo o empresário, a proteção já foi refeita mais de cem vezes. "E com isso já gastei uns três carros", descontrai.
Números em queda
O secretário de Transporte e Trânsito, Flávio Al Alam, afirma que, após a sinalização, o número de colisões no local apresentou uma diminuição. Entre as alterações realizadas, foram retirados 15 metros de estacionamento pela Tiradentes com o objetivo de proporcionar uma melhor visão a quem se desloca pela Santa Cruz, além das sinalizações de placas, sinal intermitente e pinturas no chão. "Era, há muitos anos, um local que tinha muitos acidentes. Depois das medidas de sinalização feitas no local, o número caiu expressivamente. Eu me atrevo a dizer que é um dos cruzamentos mais bem sinalizados da cidade", argumenta, afirmando ainda que a boa sinalização é o motivo para não ser instalado um semáforo no local.
Os números apresentados pelo Setor de Estatísticas da STT apontam uma redução de colisões sem óbitos nos últimos anos entre as ruas Santa Cruz e Tiradentes. Em 2018, foram registrados oito acidentes no local. Um ano após, em 2019, o número de colisões caiu para seis. Já em 2020, apenas três foram registradas. Este ano, até a última atualização, feita no dia 16 de fevereiro, foram registrados três acidentes sem vítimas fatais no cruzamento.
Semáforo seria a solução?
Os números da STT, referentes a colisões em que os agentes de trânsito são acionados, sugerem que as ruas com mais sinalização e com a instalação de semáforos são as que registram mais acidentes.
A avenida Bento Gonçalves, por exemplo, está no topo da lista de colisões do ano passado. Dos 186 acidentes registrados na avenida, que é uma das principais da cidade, 136 foram em cruzamentos, com destaque para a esquina com a rua Gonçalves Chaves, onde há semáforo, que teve um total de 12 registros.
"O dito popular é que 'se tem acidente, coloque um semáforo que resolve', mas esse dito não é verdadeiro. Nos lugares que mais há acidentes, tem semáforo, então não quer dizer que a simples colocação de um semáforo reduzirá o número de acidentes. Ele pode organizar o trânsito, até reduzir o número, mas não é preponderante", argumenta o Al Alam.
Confira os locais com maior número de acidentes em 2020:
- Av. Bento Gonçalves com Almirante Barroso - 11 acidentes (possui semáforo)
- Av. Bento Gonçalves com Santa Cruz - 11 acidentes (não possui semáforo)
- Av. Bento Gonçalves com Marechal Deodoro - 10 acidentes (possui semáforo)
- Av. Bento Gonçalves com Professor Araújo - 10 acidentes (possui semáforo)
- Av. Padre Anchieta x Antônio dos Anjos - 10 acidentes (não possui semáforo)
- Av. Ferreira Viana com Av. São Francisco de Paula - 10 acidentes (possui semáforo)
- Av. Juscelino Kubitscheck de Oliveira com Av. Bento Gonçalves - 9 acidentes (possui semáforo)
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