Iniciativa

Cufa quer assumir Ginásio do Navegantes

Entidade prepara termo de cessão de uso e pretende gerir o espaço, hoje abandonado

Jô Folha -

As paredes seguem lá - mas até elas parecem cansadas da falta de perspectiva. Lembram de outros tempos, com aulas de esporte, iniciativas culturais, projetos comunitários. Hoje, só as paredes seguem no antigo Centro de Convivência do Navegantes, inutilizado há oito anos. Agora, a Central Única das Favelas no Rio Grande do Sul (Cufa/RS), com sede na localidade, pretende ter a cessão do espaço para fazê-lo voltar ser vivo.

O prédio foi construído em 2010, dentro do Programa de Prevenção à Violência (PPV) do governo do Estado, com investimento de R$ 500 mil. Esporte, música e outras vertentes foram contempladas em projetos que se estenderam até 2012, quando a política pública foi descontinuada. Desde então, o abandono e a depredação se tornaram os verdadeiros donos daquele que é conhecido, pela comunidade, como Ginásio do Navegantes.

Por diversas vezes, em diferentes períodos, o Diário Popular esteve no local, assumido pela Secretaria de Cultura (Secult). Nada parece ter mudado. Ao invés de instrumentos musicais, muita sujeira. No lugar de disputas de futebol, o uso de drogas. Onde deveria haver aulas de dança, é a prostituição quem aparece. "É muito triste pois é dinheiro público. Mais ainda saber que com o espaço funcionando poderíamos diminuir os índices de violência e assassinatos entre os jovens, e que poderíamos profissionalizar outros tantos dando à eles perspectivas de melhoras em suas vidas e de suas famílias", comenta o atual coordenador da Cufa/RS, Sandro Mesquita.

De acordo com a legislação, cessão de uso é a transferência gratuita da posse de um bem público de uma entidade ou órgão para outro, a fim de que o cessionário o utilize nas condições estabelecidas no respectivo termo, por tempo certo ou indeterminado. É ato de colaboração entre repartições públicas, em que aquela que tem bens desnecessários aos seus serviços cede o uso a outra que deles está precisando.

A ideia, ele adianta, é que com a cessão o restauro, hoje estimado em R$ 300 mil, finalmente saia do papel. É nesse sentido também a fala do Secretário de Cultura, Paulo Pedrozo. Ele confirma que existe atualmente uma verba destinada ao prédio oriunda do Fundo para a Sustentabilidade do Espaço Público (Fusep), através de demanda da própria comunidade. Porém, é necessário que seja formado um grupo gestor, constituído por representantes das secretarias municipais, entidades e moradores do entorno. "A perspectiva de reforma e reabilitação do espaço para a sua funcionalidade se dará com a conclusão do projeto executivo - que deve ser concluído ainda no primeiro semestre deste ano - para licitação da obra", esclarece.

De acordo com Sandro, a Cufa tem feito o movimento para montar o grupo gestor junto com instituições da área São Gonçalo. Através disso, a organização elaborou um termo de cessão de uso do espaço para iniciar tratativas de construir possibilidades de recomeço ao espaço. Ele se mostra, porém, preocupado com as etapas posteriores ao restauro. "Como mantemos sua funcionalidade? Pessoas para gerenciar o espaço e as atividades propostas? Mais importante que a revitalização é a manutenção do espaço com vida, gerando transformação."

De acordo com o secretário Paulo Pedrozo, a Secult ainda desconhece da proposta de cessão elaborada pela Cufa/RS.

 

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Incêndio na boate Kiss completa oito anos sem julgamento dos réus Anterior

Incêndio na boate Kiss completa oito anos sem julgamento dos réus

Estado recebe primeiros nove pacientes com Covid de Rondônia Próximo

Estado recebe primeiros nove pacientes com Covid de Rondônia

Deixe seu comentário