Mobilização

Dia de luta por melhores condições de trabalho

Enfermeiros realizam mobilização pela aprovação do PL 2564/2020, que prevê regulamentação do piso salarial e jornada de 30 horas de trabalho para a categoria

Divulgação -

A primeira semana de agosto foi de muita luta e mobilização por parte dos enfermeiros em todo o país. Os profissionais realizaram manifestações em busca da aprovação do PL 2564/2020, proposto pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que traz duas prerrogativas muito importantes para a categoria: a regulamentação do piso salarial e da jornada de trabalho de 30 horas para os trabalhadores. A mobilização aconteceu em nível nacional e também se fez presente na região.

Representantes da classe estão em Brasília para pressionar as autoridades em busca da aprovação do projeto. Segundo o técnico em enfermagem do Hospital Universitário Doutor Miguel Riet Corrêa Júnior (HU-Furg), Reginaldo Valadão, a institucionalização do piso salarial e a regulamentação da jornada de 30 horas de trabalho são demandas antigas, de mais de 20 anos de discussões. "Cada hospital paga um salário. Uns recebem mais, outros recebem menos e não existe um piso definido. Há diferentes remunerações ao redor do país. Nós estamos nessa luta há décadas, buscando essa valorização. Hoje em dia, os trabalhadores precisam atuar em dois empregos para ter um pouco mais de renda e estão sobrecarregados. Trabalhar tanto sem reconhecimento é desgastante", afirma Valadão, que também é representante do Sindicato dos Servidores Federais do Rio Grande do Sul (Sindiserf) na região. Ele conta que muitos colegas já tiveram diagnóstico da síndrome de Burnout e precisaram ser afastados do trabalho devido ao desgaste.

O projeto que está sendo debatido em Brasília é para toda a classe de enfermagem, impactando nos técnicos, auxiliares, entre outros profissionais. Para o enfermeiro do Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), Jaques Bueno, a aprovação pode ser sinônimo de valorização a uma categoria que nunca teve visibilidade. "Há uma desvalorização muito grande da classe. Não há reconhecimento da importância da profissão. O profissional de enfermagem estudou, tem conhecimento técnico para prestar um cuidado com segurança e precisa fazer dupla jornada para ganhar um pouco mais. Se tiver uma carga horária menor e um reconhecimento maior, não precisa passar por esse tipo de situação. Quando ganha pouco, acaba tendo um turno de trabalho dobrado", explica.

Bueno também pontua que a pandemia sobrecarregou ainda mais um sistema que já funcionava com trabalho excessivo. "No momento da pandemia, a carga horária ficou ainda mais excessiva. Isso causa doenças também no profissional de enfermagem. Queremos uma carga horária de 30 horas para que possamos exercer a atividade com mais segurança e com mais saúde", aponta.

Mobilizações

Na Zona Sul, profissionais da rede Ebserh realizaram mobilizações ao longo do dia de ontem e permanecerão mobilizados durante esta sexta-feira. A rede possui cerca de dois mil trabalhadores na região. Os trabalhadores penduraram faixas no HE-UFPel e no HU-Furg, em Rio Grande. Além disso, foram realizados protestos nas redes sociais e uma live foi exibida nas plataformas digitais da Asufpel e de outras centrais sindicais para debater a aprovação do projeto e apresentar a realidade de trabalho. "Se os políticos não nos enxergarem com seriedade nesse momento, vai ficar muito difícil. Estamos lutando pela valorização de uma categoria que trabalha demais e queremos mais segurança, mais saúde. Não são só números", afirmou Bueno.

Situação atual do projeto

A iniciativa está sendo debatida no Congresso Nacional desde o ano passado, mas ainda não foi aprovada. A proposta recebeu o apoio de um milhão de internautas no portal e-Cidadania do Senado e deve ser analisada pelo Plenário na volta do recesso. Na avaliação da atual relatora do processo, a senadora Zenaide Maia (Pros-RN), a proposta é possível de ser concretizada e deve ser aprovada pelos senadores.

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