Cuidados

É preciso estar atento à saúde bucal das gestantes

Estudo da UFPel, publicado em uma das principais revistas odontológicas do mundo, aponta relação entre doenças periodontais e parto prematuro

Divulgação -

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) traz mais um alerta à população. Em especial às gestantes. A tese de doutorado, que acaba de ter artigo publicado na revista científica norte-americana Oral Diseases, aponta: as mulheres que apresentavam doenças periodontais - entre a 16ª e a 24ª semanas de gravidez - tiveram risco quase duas vezes maior de parto prematuro precoce; abaixo das 34 semanas de gestação.

A saúde bucal das grávidas, portanto, pode se transformar em um indicador de que é preciso redobrar cuidados para evitar que o bebê nasça antes da hora. A autora do estudo, Luísa de Oliveira, conversou com o Diário Popular e reforça: “A relação não é de causa e efeito”. Isto é: tratar das doenças periodontais dessas mulheres não irá reduzir a possibilidade de prematuridade. Mas qualificar o pré-natal, sim, pode fazer toda a diferença. É o que busca a pesquisadora.

Com os resultados da tese em mãos, cresce a importância de as gestantes passarem por exame odontológico criterioso. Não basta terem ao menos uma consulta com dentista, como já recomenda o Ministério da Saúde. É preciso ir além. “Quando identificada, a doença periodontal deverá ser um fator extra para cuidado e provocar observação mais singular a esta grávida”, enfatiza.

Como funcionou o estudo?

- O trabalho tomou a Coorte de 2015 como ponto de partida, o primeiro dos estudos longitudinais que começou a acompanhar os bebês ainda no período da gestação. Por isso, as mulheres passaram pelo exame odontológico, quando estavam entre a 16ª e a 24ª semanas da gravidez.

- Ao todo, 3,1 mil grávidas foram submetidas à avaliação de saúde bucal, mas a amostra do doutorado contou com exatamente 2.474 gestantes que efetivamente deram à luz seus filhos e em Pelotas.

- Com todos os cruzamentos de informações, destaque ao principal alerta: as mulheres que possuíam doença periodontal tiveram risco quase duas vezes maior de parto prematuro precoce; abaixo das 34 semanas de gestação.

Entenda melhor: A doença periodontal é inflamatória e progressiva; avança com a idade. É a resposta do organismo frente a estímulos como a placa bacteriana e o tabagismo. Aí surgem processos inflamatórios e esta inflamação reabsorve o osso - explica Luísa.

Já a maioria dos partos prematuros precoces se dá por rompimento de membranas devido à uma inflamação. “Então, acredita-se que esta mulher que tem tendência a doença periodontal, tem tendência a parto prematuro, porque ela tem uma tendência maior a inflamações”.

Quais os diferenciais do estudo?

A pesquisa desenvolvida pela UFPel conta com duas razões fundamentais que fortalecem a tese de associação entre as doenças periodontais e o parto prematuro, como a Ciência já vem estudando há cerca de 20 anos em vários países do mundo. Confira os diferenciais:

- Exame odontológico durante a gestação: O desenho metodológico escolhido para o doutorado de Luísa de Oliveira permite afirmar que a doença periodontal já existia antes do parto. É um dos grandes méritos do trabalho, se comparado a outros desenvolvidos ao redor do globo. É um passo importante para compreensão científica do assunto.

- Nível de detalhamento do exame: A avaliação, completa, mediu a distância da gengiva em relação a cada um dos dentes, para verificar a quantidade de perda óssea. Detalhe: cada um dos dentes foi analisado em seis pontos diferentes. Para obter o resultado, o estudo utilizou critério recomendado pela Academia Americana de Periodontia.

* Autora: Luísa de Oliveira

* Orientador: professor e pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação da UFPel, Flávio Demarco.

É preciso estar saudável para vida

As atenções não estão voltadas apenas para as mães. Como professora do curso de Odontologia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Luísa de Oliveira desenvolve o projeto de extensão Atenção odontológica nos primeiros mil dias de vida, para formar profissionais que levantem a bandeira da saúde bucal também dos pequenos; do período da gestação até os dois anos de vida.

São cuidados que passam por temas como amamentação, alimentação saudável e trazem benefícios que ultrapassam a própria infância.

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