Negociações

Ecosul propõe instalar mais duas praças de pedágio

Intenção contempla também realizar obras de duplicação em rodovias e a reativação da ponte sobre o Canal São Gonçalo

Jô Folha -

Durante reunião virtual realizada na noite da última quinta-feira 15), a Ecosul apresentou a lideranças politicas e empresariais da região uma proposta com os planos para os próximos anos caso ocorra a prorrogação do contrato da concessionária - que vai até 2026. Entre o que foi apresentado está a continuação das obras de duplicação em trechos das BRs 116 e 392, na Zona Sul e BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. Além da reativação da ponte sobre o Canal São Gonçalo e a implantação de mais duas praças de pedágio no trecho entre Camaquã e Porto Alegre. Também projeta redução de 40% no valor atual das tarifas, passando de R$ 12,30, para R$ 7,38.

Atualmente, a concessionária possui cinco praças de pedágio no polo rodoviário sul. Com a mudança, passariam para sete. A proposta é polêmica. Segundo o presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e prefeito de Canguçu, Vinicius Pegoraro (MDB), o plano será estudado a partir de agora, mas já causou incômodo. Segundo ele, devem ser analisados os impactos na região, como os prejuízos à economia caso não sejam realizadas as obras, além das consequências com o acréscimo de mais praças. "O alto valor do pedágio diminui a competitividade", comenta.

O presidente da Azonasul ainda lembra a auditoria realizada no ano passado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que recomendou a diminuição no valor cobrado pela tarifa nas praças da região. Foi apontado que, caso fosse mantido o valor atual, ao final do contrato a Ecosul teria lucro indevido estimado em R$ 804 milhões. No entanto, o processo ainda está em tramitação após a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recorrer da decisão. "O TCU deve ser consultado sobre essa nova proposta para conferir se esse valor está correto", finaliza Pegoraro.

Outra reunião virtual foi marcada para a próxima quinta-feira entre representantes da Ecosul e os prefeitos dos 22 Municípios da Azonasul para que a proposta seja apresentada novamente para nova avaliação.

Resistência

O deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB) foi um dos parlamentares da região que participou do encontro e se posicionou contra o que foi apresentado. "A proposta não é atrativa para que a região sul volte a crescer. Mesmo reduzindo a tarifa, não tem cabimento colocar mais duas praças de pedágio", analisa. O parlamentar diz ainda que está aberto a conversas para a apresentação de propostas, já que as obras são importantes para região.

Outro ponto que desagrada, segundo ele, é a utilização de recursos da Ecosul obtidos através da cobrança das tarifas nos pedágios da região para a duplicação de cerca de 115 quilômetros da BR-290, em trecho que não é administrado pela concessionária. Trzeciak indica que o governo federal, via Ministério da Infraestrutura, já sinalizou que não possui recursos para a realização das obras e que essa proposta apresentada pela concessionária contribui para a pasta. "Quem trafega pela BR-116 e BR-392 não pode pagar o preço", finaliza.

A reportagem do Diário Popular procurou a Ecosul para comentar a proposta e a reação de prefeitos e parlamentares, mas não recebeu resposta até o fechamento da edição.

O que a Ecosul está propondo

- Conclusão da duplicação da BR-116 entre Pelotas e Guaíba - 90 quilômetros
- Duplicação do lote 4 da BR- 392 entre os quilômetros 0,0 e 8,9
- Reativação da ponte sobre o Canal São Gonçalo, desativada desde 1974
- Conclusão da duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande - 116 quilômetros
- Implantação de duas praças de pedágio entre Camaquã e Porto Alegre
- Redução de 40% na tarifa de R$ 12,30 para R$ 7,38

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