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Em adaptação ao “novo normal”

Família que já residiu em Pelotas e hoje mora em Miami relata sobre os reflexos da pandemia em suas rotinas

Divulgação -

“A gente olha pra rua, vê as pessoas caminhando e parece que tá tudo normal. Mas sabemos que não está. Já nos adaptamos a esta rotina”. Com esta contextualização, a gaúcha Tanira Giacian, que morou em Pelotas antes de mudar-se para os Estados Unidos, explica como está a situação da pandemia por lá. Os reflexos do vírus impactaram diretamente não apenas a rotina dela, mas também do marido, Carlos Henrique, e das filhas, Victoria, 22, e Catharina, 18. Embora Miami Beach atravesse o momento que representa maior perigo de contaminação pelo vírus, a população já se adapta aos novos comportamentos e modelos sociais após a pandemia.

Os Estados Unidos ultrapassaram a marca de quatro milhões de casos confirmados de Covid-19 e se aproxima da marca de 150 mil mortos pela doença. A Flórida, estado onde Tanira reside, confirmou 412.560 casos e 5.825 óbitos e vive o ponto máximo dos índices de contaminação do vírus. “Os hospitais estão lotados, as restrições estão altas. Em geral, eles pedem para as pessoas já estarem em casa às 22h. Depois desse horário, só funciona delivery. Os restaurantes estão funcionando somente em área externa. Ficaram um tempo fechados, mas depois reabriram. Por ter fechado e reaberto, acho pouco provável que tenhamos um lockdown ou que feche tudo novamente”, comenta Tanira. Ela ainda destaca que há uma pressão muito grande para que as atividades não sejam suspensas novamente e que a população demorou a assimilar, mas modificou o comportamento nos últimos dois meses, quando houve a suspensão.

Este contexto forçou Tanira e o marido a intensificar o regime de home-office. O casal atua no setor de aviação, que foi duramente afetado com a pandemia. Carlos Henrique possui uma empresa de distribuição e consultoria do segmento de aviação comercial e militar de largo porte. Tanira auxilia e contribui nas atividade mais cotidianas da casa. “Nós já trabalhávamos em sistema de home-office, mas viajávamos muito e tínhamos muitas interações com os clientes. Com as paralisações, passamos a trabalhar totalmente em casa e encontramos novas maneiras para garantir a continuidade dos trabalhos”, explica.

Quem sentiu os principais impactos da pandemia foram as filhas do casal. A mais velha, Victoria, se formou em maio em Business pela George Washington University, em Washington DC. Embora já tenha recebido o diploma, a formatura presencial foi adiada em um ano. A caçula, Catharina, acabou de encerrar o ensino médio na Gulliver Prep School e teve a sua colação no sistema de drive-in, em um estádio de futebol americano. “Minhas filhas foram bastante afetadas. Foi muito impactante na vida delas. Se formar é um marco e, infelizmente, tivemos todos estes problemas com a pandemia. A universidade da Catharina deve começar em agosto e as aulas serão on-line, poucas serão presenciais. É um momento de bastante incerteza neste sentido, de uma semana para outra muda muita coisa”, conta Tanira. 

As restrições preventivas da Covid-19 também modificaram as interações sociais da família e a forma como exercitam a vida diariamente. “Diminuímos as idas ao supermercado. Passamos a fazer mais compras on-line, receber entregas em casa. Antes, saíamos mais. Agora, quando vamos ao mercado, fazemos uma compra maior, para não necessitar ir novamente em seguida. Ficamos reclusos e, nos finais de semana, quando está aberta, vamos à praia”, afirma.

Saudade

Em Pelotas, Tanira tem várias primas e primos, como Lizandra Maciel. A mãe dela, Maria do Carmo de Marco Maciel residiu em Pelotas por muitos anos e atualmente mora em Porto Alegre. Desde o começo da quarentena está instalada na Barra do Chuí. Há outros parentes em Santa Vitória do Palmar e também em Porto Alegre. Em meio às adversidades causadas pelo coronavírus, a saudade dos familiares no Brasil é amenizada pelas redes sociais. “Estamos sempre em chamadas de vídeo, sempre mantendo contato. Pela questão do isolamento, muitos dos meus parentes estão fora de Pelotas. Conversamos bastante sobre o avanço da pandemia e sobre as coisas como ficarão daqui pra frente”, relata.

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