Solidariedade
Em busca de uma moradia digna para a família de Tuane
Grupo cria vaquinha virtual para arrecadar recursos destinados à compra de uma casa
Carlos Queiroz -
Mais do que nunca, este momento pandêmico que o mundo está passando evidencia a desigualdade social que atinge nosso país. Não são poucas as histórias de pessoas que necessitam de ajuda. Famílias que vivem em situações precárias, com dificuldades para conseguir alimento, pagar contas, vestir-se, entre outras necessidades. A esperança dessa gente é na empatia e a solidariedade daqueles que de um ponto de vista econômico, possuem mais.
Esse é o caso da Taune Dias de 22 anos, mãe de três filhos, com idades entre um mês e sete anos. Além dela e das crianças, moram na residência simples, na Balsa, o irmão de 15 anos e uma tia de 49. O único sustento da família é o auxílio emergencial de R$ 150,00, a ajuda de familiares, e do marido, que atualmente está no Paraná, mesmo assim, o valor total não passa de R$ 500,00 por mês. Nesta situação, reparos ou investimentos na casa, acabam se tornando inviáveis, fazendo com que problemas estruturais se tornem evidentes. No imóvel, não há geladeira e a fiação da luz está em péssimas condições, apresentando riscos. Além disso, uma parte do madeiramento que sustenta do chalé apodreceu e, com isso, a estrutura não está firme. Mas é em dias de chuva que a situação fica ainda pior. “Quando vem previsão de chuva eu fico com medo, porque se vier temporal, pode derrubar. Teve uma vez que precisei sair para a rua, porque o vento balançava e fiquei com medo que fosse cair tudo. Quando chove, parece que molha mais dentro de casa do que fora”, comenta Tuane.
No último mês a história de Tuane recebeu mais uma página, desta vez com o titulo “Esperança”, quando ela se dirigiu à Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Fátima para colocar a vacinação dos filhos em dia e acabou conhecendo a enfermeira Pamela Campelo, de 34 anos. A profissional de saúde conta que ao ser chamada para fazer o atendimento e se deparar com a situação da família de Tuane resolveu ajudar. O primeiro passo foi conhecer a história dela e seus filhos. Receosa e com medo, a dona de casa dividiu sua trajetória com Pamela, além de uma residente de medicina e o assistente social da UBS que ficaram comovidos e resolveram buscar ajuda com os colegas.
A partir daí iniciou-se uma mobilização. Pamela que também é orientadora de projeto na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) dividiu a história com os alunos que prontamente questionaram como poderiam ajudar. Foram doadas roupas, cobertas e dinheiro para a compra de alimentos. A orientadora conta ainda que a residência não possui camas e todos dormem em colchões no chão. Para amenizar esta situação, ela doou um colchão de solteiro e um carrinho de bebe para que os filhos de Tuane possam dormir mais confortáveis, já que os três dividiam a cama com a mãe. Ao fazer a entrega das doações, o marido da enfermeira se assustou com o estado da residência e sugeriu a criação de uma vaquinha virtual.
Unindo forças
Ao chegar em casa, Pamela iniciou a pesquisa por preços de chalés pré-fabricados e encontrou por R$ 23 mil. Levando em consideração o valor necessário e a quantia retida pelo site, a meta estabelecida foi de R$ 25 mil. A vaquinha virtual chamada “Casa para Tuane”, foi criada no último sábado e até terça já haviam sido arrecadados R$ 2.750,00. Além disso, a conta privada de uma amiga de Pamela foi disponibilizada e já arrecadou R$ 1.400,00.
A solidariedade também vem através de mão de obra. O primo do marido de Pamela se disponibilizou a colocar a fiação no imóvel após a entrega. Amigos e conhecidos dela também se ofereceram para organizar a casa. Além disso, um mutirão de limpeza no pátio também será realizado após a retirada do chalé atual.
Para a nova moradia, já foram doados uma geladeira, um fogão, um colchão e um roupeiro. Emocionada, Tuane fala sobre essa corrente formada. “A Pamela é como um anjo que apareceu em minha vida e eu só tenho a agradecer por tudo”, comenta a dona de casa.
Pamela conta que sempre teve o intuito de ajudar o próximo pois sabe das diferenças sociais existentes. “Ver uma mulher com filhos nesta situação incomoda e acredito que fui uma ajuda na vida da Tuane para dar uma oportunidade de começar do zero. Ela me ensinou que devemos agradecer mais ou invés de reclamar”, finaliza a enfermeira.
Para contribuir
Doação de alimentos, móveis e eletrodomésticos
(53) 98128-2017 - Pamela
Vaquinha: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/casa-para-a-familia-da-tuane/amp
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