Patrimônio
Em deterioração à espera de algum uso
No Centro Histórico de Pelotas, prédio da antiga Secretaria de Finanças permanece fechado
Jô Folha -
Patrimônio histórico, tombado, referência arquitetônica e sem uso há mais de uma década. No coração do Centro Histórico de Pelotas, o prédio da antiga Secretaria de Finanças, na praça Coronel Pedro Osório, ainda aguarda uma definição sobre o futuro. Cessão para uso criativo, parceria público-privada (PPP) e agência bancária são algumas das opções na atualidade.
Não custa lembrar a história desse prédio importante na arquitetura de Pelotas: de acordo com o livro 100 imagens da arquitetura pelotense, de Rosa Maria Garcia Rolim e Andrey Schlee, a estrutura foi construída entre 1926 e 1928, na esquina da praça Coronel Pedro Osório com a 15 de Novembro, para sediar o Banco do Brasil. Fechado há dez anos, o local chegou a abrigar a Secretaria de Finanças e, em 1972, foi repassado pela primeira vez à Câmara de Vereadores, que acabou por não utilizá-lo.
De acordo com o atual assessor especial de Relações Institucionais da prefeitura, Henrique Pires, há três anos o Banco do Brasil voltou a demonstrar interesse no prédio com o objetivo de restaurá-lo e transformá-lo em uma agência que funcionaria junto a um espaço cultural. O projeto, entretanto, não foi para frente. Em 2018 também se cogitou a possibilidade de transformar o imóvel em um centro de cultura negra, através de parcerias entre prefeitura de Pelotas, Instituto Palmares e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A troca de governo no país, naquele ano, acabou por também inviabilizar a possibilidade.
Com as negociações estagnadas, a esperança voltou a ser substituída pelo lamento. Porque, de acordo com a chefe de gabinete da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), Keli Schaeffer, não há viabilidade financeira para que o município, sozinho, faça o restauro. A saída para a estrutura seria apenas protegê-la e levá-la à alienação: cedê-la a quem tenha essa condição.
No início deste mês, porém, as conversas voltaram a acontecer entre o Executivo local e o Banco do Brasil. A prefeita recebeu a visita de dois diretores da instituição e, na oportunidade, pediu a reavaliação do projeto para eventual restauro e uso do espaço - a mandatária ainda aguarda esta etapa do processo. Os moldes seriam os mesmos do contrato do Castelo Simões Lopes, onde o Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional ficou responsável pela obra e posterior uso criativo.
De acordo com Pires, recentemente o prédio também foi alvo de empresa que opera no mercado de capitais. Representantes estiveram no paço municipal com o objetivo de formar uma PPP que permitisse o restauro da edificação e uso ao longo de 20 anos. Ainda segundo o assessor especial, o espaço está atualmente avaliado em R$ 3,5 milhões.
Atual estado
Segundo o secretário de Cultura, Paulo Pedrozo, diversas ações nos últimos anos, em caráter emergencial, foram feitas com o objetivo de manter o prédio salvo. Em 2019 foi contratada uma empresa especializada para limpeza e retirada de material orgânico proveniente da invasão de pombos e morcegos. Também foram instalados vidros nas esquadrias com acesso para inibir a invasão de novos animais, bem como foi realizada a atualização do laudo técnico sobre a estabilidade estrutural da cúpula e telhado. Nesta ocasião, foi constatada a necessidade urgente de estabilização estrutural. Pedrozo informou ainda que em maio de 2020 foi aprovado uso de recursos do Fundo de Preservação. “Ainda nesse ano foi contratada uma empresa de engenharia para realizar o projeto de estabilização”, explica. Com o projeto pronto e aprovado, o que estava previsto para ocorrer ainda em janeiro, uma licitação terá começo para a escolha da empresa responsável pela obra. A Secult estima que as obras iniciem no primeiro semestre de 2021.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário