Escassez

Estiagem chega para ficar

La Niña deve permanecer por longo período na Zona Sul. Sanep já elaborou plano de ação para minimizar impactos da falta de chuva

Jô Folha -

A Zona Sul vive a iminência da intensificação de um processo de estiagem. O efeito climático que trouxe tantos prejuízos na virada de 2019 para 2020 se consolida novamente, em decorrência do La Niña. Para procurar evitar danos tão graves como os do começo do ano, o Sanep já elaborou um plano de ação, pois a previsão mostra que a estiagem vem para ficar por um longo tempo.

O panorama hídrico de Pelotas, neste momento, está dentro do esperado. Isto acontece em função das chuvas dos últimos meses. Segundo o MetSul, setembro apresentou um acumulado de 190 milímetros de chuva, enquanto que outubro estabeleceu um índice pluviométrico de 130. Entretanto, o cenário começará a mudar a partir deste mês, que já se projeta como um período no qual as chuvas não atingirão os níveis esperados e será o ponto inicial do período de escassez pluviométrica. “Apesar da umidade estar muito presente nestes últimos dias, com nuvens e episódios de garoas e de chuva, não está com volumes altos”, afirmou a meteorologista do MetSul, Estael Sias. Ela ainda apontou que as garoas e chuvas contribuem para o setor agrícola, mas que, em fator de abastecimento, estes baixos índices podem comprometer os recursos hídricos da cidade.

A projeção é de que os próximos seis meses sejam muito secos. O La Niña está ganhando força e deve se intensificar entre dezembro e janeiro. A tendência é que a estiagem ganhe corpo, com chuvas irregulares e grandes intervalos entre as precipitações. “Dezembro deverá ser um tempo muito seco”, apontou a meteorologista.

O próximo ano tende a iniciar com chuvas dentro da média em janeiro e fevereiro, o que é comum na ocorrência do fenômeno La Niña. Porém, devem ser meses isolados com chuvas mais próximas de um índice ideal. Contudo, projeção já muda em seguida. Março, abril e maio estão previstos para serem períodos secos, com redução das precipitações. “Eventualmente, pode acontecer algum episódio de temporal, mas serão casos isolados. Nos próximos seis meses na região, dois podem ter chuva dentro da média, que é o caso de janeiro e fevereiro, mas os outros serão de escassez”, explicou Estael.

Nos últimos dias a Barragem Santa Barbara, em Pelotas, principal reservatório da cidade e responsável por 60% da população, estava 16 centímetros abaixo do nível do vertedouro, índice considerado praticamente como o ideal. Os mananciais pelotenses estão no nível ideal de captação, apesar do tempo mais seco. As reservas não sofreram muitas alterações na quantidade de água disponível. As chuvas têm contribuiu neste processo. O abastecimento se mantém estável desde a recuperação dos níveis da barragem.

Plano de ação

Depois de todo o cenário de crise hídrica do começo deste ano, o Sanep concluiu que é mais eficiente realizar o recalque do Arroio Pelotas até a ETA Sinott, através de uma adutora já existente. Após isso, a água percorre uma pequena extensão de valas até o reservatório da barragem Santa Bárbara, a principal fonte de abastecimento municipal. A execução de uma segunda galeria, já prevendo a expansão desta capacidade de recalque para até 300 litros de água por segundo, é vista como uma das soluções por parte da autarquia.

Obras na ETA São Gonçalo

A ETA São Gonçalo está com 70% das obras concluídas e será a sexta estação no município. Entretanto, não há previsão concreta da finalização das obras. A empresa responsável já foi notificada para a retomada dos trabalhos e o Sanep aguarda os prazos legais para que ela se adapte e retome o empreendimento.

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