Educação

Estudantes de algumas escolas estaduais passarão o verão em aula

O anúncio foi feito pela 5ª Coordenadoria Regional de Eduação; pelo menos quatro educandário devem completar o ano levito em março

As quatro escolas estaduais de Pelotas que mantiveram a greve até o fim devem completar o ano letivo de 2017 em março de 2018, ter um mês de férias e iniciar o novo calendário em maio. Nas demais o cronograma deverá ser diferente, pois cada uma participou do movimento por um tempo diferente e deverá recuperar as aulas conforme sua realidade, porém na sequência também, informa o coordenador da 5ª Coordenadoria Regional de Educação, Carlos Humberto Vieira. O Cpers-Sindicato discorda da decisão do Estado e defende que cada instituição tenha autonomia para planejar seu período de recuperação.

Na região, foram cinco as escolas em greve por 95 dias: Pedro Osório, Monsenhor Queiroz, Nossa Senhora de Lourdes e Visconde de Souza Soares em Pelotas, e João Simões Lopes Neto, em Turuçu. Essas instituições reabriram as portas na segunda-feira (11), mas, apesar da retomada do trabalho, não foi um dia letivo normal em todas. A Monsenhor Queiroz realizou aulão nos dois primeiros períodos iniciais, pois o prédio passava por limpeza e troca dos quadros negros, e na Nossa Senhora de Lourdes teve reunião. Em ambas as aulas normais recomeçam nesta terça-feira.

No Pedro Osório, a segunda-feira foi de retomada dos trabalhos, com a volta de professores, funcionários e alunos ao educandário. A diretora Simone Fonseca avalia que os mais de três meses de greve representaram um período difícil porque a comunidade foi induzida pelo governo do Estado e achava que os professores estavam de férias. “Ninguém tira férias sem dinheiro”, adverte.

Em sua análise, o retorno aconteceu muito mais pela população e seu prejuízo do que propriamente por algum benefício que os professores tenham alcançado. Considera ter sido um prejuízo para todos, como toda a greve. “Se não traz prejuízo para alguém não tem razão de existir”, opina, ao se referir ao movimento. Simone destaca ainda que não houve preocupação do Governo do Estado em abrir uma brecha para discutir com a categoria nesses mais de três meses de mobilização, que não foi nem por aumento, mas apenas para receber em dia.

“E não mudou nada. Não sei nem se a classe não vai retomar o movimento quando não receber o décimo terceiro e o salário de dezembro”, diz. Para ela, o Cpers-Sindicato acabou forçando para que os professores voltassem e, ao mesmo tempo, querem garantir as férias. “Não tem como conciliar isso”, acrescenta, ao estimar que as aulas devem ir até março. Não são os professores que não querem férias, frisa.

A diretora do Monsenhor de Queiroz, Lucinara Boeira, conta que após esse longo período a escola precisava de uma grande limpeza, o que foi feito ainda na segunda-feira.

Sobre o retorno, entende que enquanto categoria os professores não ganharam nada, mas enquanto escola a Monsenhor se fortaleceu bastante, pois contou com a colaboração da comunidade escolar e pais, que entenderam a luta da categoria.

Avaliação dos alunos
O estudante do terceiro ano, Lucas Lopes, 17, avalia de forma negativa o período que ficou em casa, pois continuou tendo aulas nos cursos que faz em paralelo à escola e seus pais permaneceram trabalhando normalmente. “Depois todos vão sair de férias e eu vou ficar sozinho. Mas acho que tinham que fazer greve sim, embora tenha afetado até a minha mãe, que é cabeleireira e tem clientes que não estavam recebendo seus salários”, comenta.

Para o aluno Jean Leal, 17, também do terceiro ano, por um lado o movimento é ruim por atrasar todo este ano e o que vem, mas representou a reivindicação de quem trabalha no Estado. “Não tem como trabalhar sem receber. Achei ruim, mas foi melhor do que anular o ano inteiro e começar tudo de novo”, avalia.

Novo calendário
O coordenador regional de Saúde diz que o calendário de cada escola está sendo verificado, mas garante que as aulas vão ser recuperadas na sequência, de janeiro a março, até completar o ano letivo. As férias serão de 30 dias, em abril, e em maio começa o ano letivo de 2018, que também foi afetado. Conforme o diretor do Cpers-Sindicato, Mauro Amaral, a entidade defende a lei de gestão democrática, que garante autonomia às escolas para estabelecer o calendário letivo de acordo com a necessidade de cada uma. Ainda ontem a direção do Cpers em Porto Alegre teria reunião para tratar do assunto.

 

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