Pesquisa
Estudo vai avaliar efeito do uso de máscaras caseiras
Questionário online segue disponível aos pelotenses até o final do mês
Jô Folha -
Qual o impacto do uso de máscaras caseiras nos números da pandemia em Pelotas? É para responder essa questão que alunos e professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio da Unidade CuidAtiva, estão desenvolvendo o estudo Máscaras de tecido e proteção da vida: repercussão do uso precoce em município de médio porte no RS. A pesquisa está em andamento e todos pelotenses podem participar respondendo um questionário virtual.
Segundo a pesquisadora responsável e atual diretora da Faculdade de Medicina (Famed/UFPel), Julieta Carriconde Fripp, o estudo começou a ser desenvolvido tendo como base projeto da unidade do Centro Regional de Cuidados Paliativos, o Máscaras Cuidativas, que iniciou em março de 2020, e foca na distribuição dos equipamentos de proteção individuais (EPIs) em diversos bairros da cidade. De acordo com a coordenadora da unidade, cerca de 100 mil máscaras de algodão duplo, que garante mais de 70% de proteção, já foram distribuídas.
Com o passar dos meses e a necessidade de conviver com o novo equipamento, os pesquisadores avaliaram, em junho do ano passado, a necessidade de observar o contexto local de adesão ao uso de máscaras e os benefícios desta, como o achatamento da curva de contágio. Naquele mês, 164 novos casos foram notificados em Pelotas.
Conforme avalia a médica paliativa e intensivista, o estudo é importante para avaliar os efeitos da máscara em uma comparação com números já conhecidos, principalmente na chamada primeira onda de contaminação. "O objetivo é caracterizar a influência do uso precoce de máscaras de tecido como medida de proteção, redução de contágio e adoecimento pela Covid", afirma Julieta.
Aberto à população pelotense
O estudo teve início há cerca de duas semanas com a pesquisa de campo. O término desta primeira etapa com a população será no dia 30 deste mês, com a divulgação do resultado do estudo previsto para agosto. "Nossas hipóteses apontam para boa adesão ao uso de máscaras na cidade. Na primeira onda houve achatamento da curva em comparação com outros municípios de porte semelhante. Inclusive, podendo haver uma explicação para Pelotas ter sido o último município de mais de 200 mil habitantes a registrar óbitos em 2020", avalia a médica.
Além dos resultados serem incorporados ao conhecimento científico e posteriormente a situações de ensino, a pesquisadora aponta que a pesquisa servirá para sensibilizar ainda mais a população sobre o uso de máscaras, seja de tecido ou profissional, e a necessidade da utilização correta do EPI para minimizar a propagação do vírus.
Não há critérios para a participação, todos os pelotenses podem contribuir respondendo o questionário. Cerca de cinco minutos serão necessários para responder perguntas como: o diagnóstico de algum tipo de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças respiratórias/pulmonares, entre outras. Além de questionar sobre a relação do indivíduo com a máscara, a opinião pessoal diante da eficácia do uso desta como barreira protetiva contra o coronavírus, bem como sua obrigatoriedade, qual o tipo de EPI utilizado no dia-a-dia, frequência de troca, higienização, utilização no local de trabalho/escola e sobre as atividades realizadas durante a pandemia.
Como acessar o formulário?
Interessados em colaborar com o estudo podem entrar no site bit.ly/pesquisa-mascaras.
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